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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Casamento

De algodão

By Nivea Sorensen · Comments (24)
Sunday, February 12th, 2012

2 anos hoje.

Amo mais do que cheiro de bolo.

Mais do que dia de chuva.

Mais do que chocolate.

Mais do que livro novo.

Mais do que ganhar presente.

Mais do que um dia todo meu.

Mais do que revista ainda não folheada.

Mais do que café e pão de queijo.

Amo mais do que todo o algodão que daria para fazer com todas as nuvens do universo.

E amo sempre.

N.

Comments (24)
Categories : Aniversário, Casamento

Tô podendo

By Nivea Sorensen · Comments (9)
Sunday, July 24th, 2011

Diz aí quem é que pode dizer que se casou duas vezes com um único marido? Sem briga, separação ou divórcio entre um casamento e outro?

Diz aí quem pode comemorar no mesmo ano dois aniversários de casamento?

Eu posso.

N.

Comments (9)
Categories : Aniversário, Casamento

Para o casamento não entrar pelo cano

By Nivea Sorensen · Comments (30)
Friday, March 18th, 2011

Porque existem coisas que você só faz pelo homem que você ama, e pelo bem e durabilidade do seu casamento.

No meu caso eu deixo ele lavar a louça.

Parece simples, mas levou quase dois anos, e algumas horas de terapia, para que isso acontecesse. Hoje eu já não estresso, não choro, não brigo, não reclamo, não tento ensinar o jeito certo meu jeito de se fazer. E não vou lá depois que ele terminou e enxáguo tudo novamente.

Então para quem não sabe, aqui está o jeito Irish (que nem é só Irish, muito menos típico da ala masculina) de executar essa simples tarefa doméstica:

1) O antes: sem novidades, louça suja vai parar dentro da pia.

2) Antes de começar a lavar, a louça precisa ser retirada de dentro da pia, e a pia precisa ser limpa. Tem gente que usa uma bacia plástica para esse fim, daí basta lavar a tal da bacia.

3) Depois é só tapar o ralo da pia, jogar um pouco de detergente, e encher com água quente, quase que até a borda. Atenção, a água precisa ser quente e a quantidade de detergente é mínima.

4) O próximo passo é começar a lavagem pelos vidros (copos, tampas de panela ou qualquer coisa do mesmo material). Um por um você lava (na minha casa com a esponja, mas muita gente usa uma escovinha). Tudo com a torneira da pia fechada.

5) Depois, você passa para o outro lado da pia (uma menorzinha) e enxágua. Pronto, a louça já pode ir para o escorredor.

Até aí, tudo ótimo, tudo lindo e limpo. Acontece que lavados os copos e similares, o processo muda.

6) Todos os outros itens são então lavados do mesmo jeito, na mesma água que está acumulada na pia. Os pratos:

7) Os talheres, ou acessórios:

8] E aí que entra o choque cultural. Ao invés de enxaguados em água corrente, eles são simplesmentes passados para o escorredor de louças. Assim mesmo, com todo o resquício de sabão (e sabe-se lá mais o quê, já que a água da pia, há essa altura já está suja).

9) E aí, ficam todos lá, ensaboadinhos, aguardando a secagem.

Olhando assim parece ser bem nojento, mas têm suas vantagens, como a economia de água. Para ser bem sincera, eu sou obrigada a admitir que nunca peguei um item de louça sujo ou com gosto algum (muito menos de detergente) depois que ele lava. Pode ser pelo uso da água quente ou pela pequena quantidade de detergente utilizada, não sei.

Já ele acha absurdo a quantidade de água que eu uso e o fato de não usar água quente (a não ser no inverno, e aí mais por bem estar do que por razões higiênicas).

Mesmo assim relevamos essas pequenas diferenças já que um dia a gente prometeu se amar e se respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, com ou sem enxágue, até que a morte nos separe.

E quando a coisa fica feia, existe sempre a lava louça para mediar os conflitos.

N.

Comments (30)
Categories : Casamento, Família half and half, Pretensões e Desabafos, Vida na Irlanda

O Melhor de Dois Mundos*

By Nivea Sorensen · Comments (24)
Monday, March 14th, 2011

Quando você faz intercâmbio, além de uma nova língua você ganha a chance viver uma outra cultura.

Meia verdade, principalmente quando a cidade escolhida para tal experiência é Dublin já tão lotada de brasileiros em quase todos os cantos. Em sala de aula você vai ter sorte se pelo menos o professor(a) for Irlandês(a). Durante o verão talvez você encontre alguns europeus, principalmente franceses e espanhóis, também por aqui com o objetivo de melhorar o inglês. Do contrário, com exceção de alguns poucos asiáticos talvez, sua saula de aula vai ser de brasileiros que cometem exatamente os mesmos erros que você (como a pronúncia de um “i” imaginário no final das palavras terminadas em consoante: big(i), pink(i) e etc.).

De maneira nenhuma acho que isso influi no que você pode aprender por aqui, já que se fosse para contar só com a experiência de sala de aula a maioria ficava mesmo no Brasil. Mas aí vem o outro problema: sair nas ruas de Dublin é ouvir praticamente mais português do que qualquer outra língua, especialmente na zona norte da cidade.

Além disso, já que a maioria dos estudantes é de brasileiros fica muito difícil encontrar um housemate que também não seja brasileiro. Aí ao invés de comer Irish stew no jantar você vai fazer feijoada e lamentar o preço do guaraná. Ou ir a algum pub na Temple Bar, achando que já se adaptou à vida Dublinense, mal sabendo que os Irlandeses não frequentam a Temple Bar.

Só sabe como vive um irlandês, quem vive com um (ou mais de um). Afinal quantos brasileiros morando aqui na ilha sabem me dizer como os irlandeses lavam louça?

Eu tenho a sorte de ter uma família half and half, meio irlandesa meio brasileira, onde cada um lava a louça do seu jeito, onde batata e arroz na mesma refeição é proibido, mas uma sobremesa com leite condensado não mata um, nem uma coca-cola com o jantar de vez em quando.

E mais do que isso, tenho sorte em dobro já que I. também é produto de outra família half and half (mãe inglesa, pai irlandês). Não fosse por isso ontem eu não teria jantado carne assada com batatas, legumes e gravy, acompanhados de Yorkshire Pudding (uma espécie de bolinho), pela primeira vez.

O tal do Yorkshire Pudding, é como o nome já sugere, um prato típico do norte da Inglaterra. Eu, que mal consigo esconder minha paixão por praticamente tudo o que vem da terra da rainha, já estou pensando em como servi-los da próxima vez: com picanha brasileira, e quem sabe forçando (muito) a barra, um arroz e uma farofa.

Aliás, vou até aprender a fazê-los! Já que minha sogra inglesa pode fazer a melhor feijoada que eu já comi na vida, quem sabe a nora brasileira não vire especialista no roast dinner inglês?

N.

* No meu caso, três.

Comments (24)
Categories : Casamento, Família half and half, Intercâmbio, Vida na Irlanda

Control Freak Under Control

By Nivea Sorensen · Comments (18)
Friday, March 11th, 2011

O meu lado Amélia precisa que as coisas sejam feitas exatamente do jeito que eu quero e quando eu quero, o que me torna o maior pesadelo na vida de um marido e de (futuros) filhos.

E mais, me torna um perigo para mim mesma. Afinal, se as coisas não estão do meu jeito eu me estresso, se me estresso fico doente. Ou então eu tento inúltimente estar no controle o tempo inteiro o que também faz com que eu me estresse.

Se não funciona desse jeito agora, imagina quando o babóg chegar e eu precisar contar com a ajuda de outras pessoas (leia-se I., e provavelmente a mãe dele)? Portanto algo precisava ser feito. Ou melhor, eu precisava mudar.

E aí entrou em cena a tal da Terapia Cognitiva Comportamental, indicação da equipe psiquiátrica da maternidade, que me acompanha para evitar uma crise de depressão pós-parto.  O objetivo desse tipo de terapia não é falar sobre o seu passado, mas trabalhar com problemas presentes, e mais do que isso, aprender a agir de forma diferente.

Honestamente, achei que não adiantaria nada, que eu nunca iria mudar. Estava errada. Primeiro por acreditar que o objetivo era uma grande mudança. Não é. São as pequenas coisas que vão fazer a maior diferença na minha vida.

Por exemplo, outro dia arrumei uma grande briga com I. por causa das sacolas do supermercado. Ou melhor, pelo fato de ele não dobrar as sacolas de supermercado do meu jeito e não coloca-las em ordem de tamanho do lado direito da prateleira onde elas DEVEM ser guardadas para manter a ordem do universo. Tudo isso mesmo depois de ele ter ido ao supermercado, ter feito as compras, pago por elas, e de ter guardado tudo nos armários, enquanto fazia o jantar. Mesmo assim, eu surtei quando vi as sacolas todas emboladas no armário.

Comentei o episódio com a terapeuta, explicando que eu não quero ser essa mulher. E juntas discutimos como eu poderia ter agido de maneira diferente.

Depois disso veio o episódio do lixo, que primeiro precisa de uma rápida explicação:

I. não se lembra nunca de tirar o lixo do apartamento. Não tem jeito, a não ser que eu peça quando ele já está saindo pela porta. Do contrário eu acabo insistindo por 3 dias seguidos (e vou acumulando sacolas ao lado da lixeira para o lixo extra) até desistir e carregar o saco para a lixeira do prédio eu mesma. Não sem antes gritar e xingar, deixando claro que marido horrível que ele é, que não faz nada por mim e não dá a mínima para o fato de eu estar grávida e miserável.

Então quando o episódio aconteceu de novo na semana passada meu primeiro instinto foi pegar o telefone, ligar pra ele e começar a briga. Pensei melhor e resolvi então bancar a vítima: mandar uma mensagem de texto dizendo que eu teria que fazer o trabalho dele de novo. Nenhuma das duas opções era uma boa idéia, eu só faria com ele ficasse chateado (afinal ele não esquece por mal) e não resolveria o problema. E foi aí que eu me lembrei da conversa com a terapeuta.

Tirei o lixo eu mesma (afinal estou grávida, não aleijada) e quando ele chegou em casa, sem tom de sermão eu sugeri que ele colocasse um alarme diário no celular, 5 minutos antes do horário que ele sai para o trabalho, para checar se a lixeira está cheia.

Não o tratei como criança,  ele adorou a sugestão, aderiu e desde então vivemos felizes para sempre num apartamento que não cheira a lixo.

N.

Comments (18)
Categories : Casamento, Marido, Pretensões e Desabafos, Terapia

De Papel

By Nivea Sorensen · Comments (11)
Saturday, February 12th, 2011

Há um ano atrás eu esperei por ele por 60 minutos. 10 porque eu resolvi que chegaria mais cedo, e outros 50 porque ele se atrasou. Dentro de um carro, estacionado na porta da igreja do bairro onde passei boa parte da minha vida. Era uma noite quente, véspera de carnaval, havia chovido por horas, torrencialmente. Eu estava vestida de noiva.

Eu que não gosto de esperar não fiquei nervosa. Ou se fiquei, já nem me lembro mais. Nem mesmo o padre vindo bater na minha janela dizendo que não poderia esperar mais, ou meu tio perguntando a cada 5 minutos o porquê de tanto atraso, me deixou irritada.

Eu já tinha esperado mais por ele. Bem mais do que uma hora. Mais do que dias. Mais do que semanas. Mais do que meses. Tinha esperado por anos. E sem nem ao menos saber que esperava. Portanto naquela hora, aquela uma hora não fazia a menor diferença. Ele não sabe, mais eu teria esperado ainda mais porque sabia que o que esperava por mim valeria a pena.

E hoje, 8760 horas depois, tudo o que eu mais quero é passar com ele todas as outras horas dessa vida.

N.

PS. para celebrar as bodas de papel os presentes trocados hoje são livros. E já que a outra espera que está a caminho não permite grandes celebrações, comemoraremos a data jantando fora.

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Categories : Aniversário, Casamento, Marido

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