Antes do meu filho se tornar esse ser pequeno que eu não reconheço mais a gente (eu e o marido, E. não decide nada por aqui) decidiu que ele vai para a creche uma vez por semana.
Mães que sofrem da síndrome de culpa que cortem seus pulsos por aí mas o motivo maior é eu ter um pouco de tempo livre. Sem culpa, viu como é possível? Eu já passo 7 dias por semana com ele, 5 completamente sozinha (sem ajuda da mãe, da sogra, da tia, da vizinha), e nada mais justo que eu também tenha direito a algum descanso (ou tempo livre para fazer o que eu quiser, mesmo se o que eu quiser for lavar o chão dos banheiros que é o que eu vou acabar fazendo). Vai ser bom para mim, vai ser bom para ele que vai me ter mais inteira do que antes nos outros dias, vai ser bom para o pai que vai poder descansar mais também nos finais de semana (já que aí eu vou estar em melhores condições de revezar com ele o trabalho).
Em segundo lugar (olha eu vou direto pro inferno por colocar o filho em segundo lugar uma vez por semana) a creche vai ser uma grande oportunidade para o meu babóg conviver com outros babógs e infernizar a vida de uma tia qualquer. Tenho horror a criar a criança sozinha trancada num apartamento. Por mais que eu saia, que leve ele para brincar não é a mesma coisa.
Decidido e acordado tudo isso, vamos às praticidades. Preciso achar uma creche. E mais do que isso, preciso achar uma creche que não me cobre uma fortuna. Creche aqui já é caro, no meu bairro então o negócio seja a ser absurdo (€580 até agora foi um dos valores que ouvi por telefone: 1 vez na semana, uma refeição, o período termina as 16h). Vamos nós procurar uma creche então um pouco mais afastada, mesmo porque eu adoro caminhar e tenho feito isso diariamente de qualquer jeito. E mesmo porque se for mais perto o marido não pode pagar, só para ir direto ao ponto.
Aí o que parece tão fácil fica difícil quando se tem um bebê com fogo na fralda. Você acha que E. tem me deixado usar o telefone para ligar para os locais e pesquisar os preços? Não. Ou melhor, tem, mas só se estiver no meu colo tentando a todo custo me arrancar o celular da orelha. E fico eu, equilibrando o filho, o telefone, o papel e a caneta para anotar tudo, tomando uns tapas na cara por não liberar o telefone para ele brincar, andando para ele não chorar. Sem contar que antes da ligação tem que procurar os telefones na internet, tem que olhar no mapa se dá para eu ir caminhando e etc., o que ele também não me deixa fazer em paz. De uma lista enorme devo ter ligado para uma meia dúzia. Depois disso tem que voltar a ligar e agendar as visitas das creches selecionadas. Depois tem que ir ver o local. Depois tem que decidir. Depois tem que matricular.
Agora se eu estou colocando o menino na creche porque ando sem tempo onde eu arrumo tempo para fazer tudo isso?
N.
*em oposição ao tal attachement parating estampado na revista Time dessa semana com uma foto que muita gente achou polêmica. Ah, e só para constar, eu crio com amor mas para que ele seja independente.
PS. vale dizer que no Brasil prefere-se o termo berçário ou “escolinha” (coisa horrível até de digitar) para descrever esse tipo de serviço que chamamos de creche por aqui.
























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