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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Família half and half

Para o casamento não entrar pelo cano

By Nivea Sorensen · Comments (30)
Friday, March 18th, 2011

Porque existem coisas que você só faz pelo homem que você ama, e pelo bem e durabilidade do seu casamento.

No meu caso eu deixo ele lavar a louça.

Parece simples, mas levou quase dois anos, e algumas horas de terapia, para que isso acontecesse. Hoje eu já não estresso, não choro, não brigo, não reclamo, não tento ensinar o jeito certo meu jeito de se fazer. E não vou lá depois que ele terminou e enxáguo tudo novamente.

Então para quem não sabe, aqui está o jeito Irish (que nem é só Irish, muito menos típico da ala masculina) de executar essa simples tarefa doméstica:

1) O antes: sem novidades, louça suja vai parar dentro da pia.

2) Antes de começar a lavar, a louça precisa ser retirada de dentro da pia, e a pia precisa ser limpa. Tem gente que usa uma bacia plástica para esse fim, daí basta lavar a tal da bacia.

3) Depois é só tapar o ralo da pia, jogar um pouco de detergente, e encher com água quente, quase que até a borda. Atenção, a água precisa ser quente e a quantidade de detergente é mínima.

4) O próximo passo é começar a lavagem pelos vidros (copos, tampas de panela ou qualquer coisa do mesmo material). Um por um você lava (na minha casa com a esponja, mas muita gente usa uma escovinha). Tudo com a torneira da pia fechada.

5) Depois, você passa para o outro lado da pia (uma menorzinha) e enxágua. Pronto, a louça já pode ir para o escorredor.

Até aí, tudo ótimo, tudo lindo e limpo. Acontece que lavados os copos e similares, o processo muda.

6) Todos os outros itens são então lavados do mesmo jeito, na mesma água que está acumulada na pia. Os pratos:

7) Os talheres, ou acessórios:

8] E aí que entra o choque cultural. Ao invés de enxaguados em água corrente, eles são simplesmentes passados para o escorredor de louças. Assim mesmo, com todo o resquício de sabão (e sabe-se lá mais o quê, já que a água da pia, há essa altura já está suja).

9) E aí, ficam todos lá, ensaboadinhos, aguardando a secagem.

Olhando assim parece ser bem nojento, mas têm suas vantagens, como a economia de água. Para ser bem sincera, eu sou obrigada a admitir que nunca peguei um item de louça sujo ou com gosto algum (muito menos de detergente) depois que ele lava. Pode ser pelo uso da água quente ou pela pequena quantidade de detergente utilizada, não sei.

Já ele acha absurdo a quantidade de água que eu uso e o fato de não usar água quente (a não ser no inverno, e aí mais por bem estar do que por razões higiênicas).

Mesmo assim relevamos essas pequenas diferenças já que um dia a gente prometeu se amar e se respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, com ou sem enxágue, até que a morte nos separe.

E quando a coisa fica feia, existe sempre a lava louça para mediar os conflitos.

N.

Comments (30)
Categories : Casamento, Família half and half, Pretensões e Desabafos, Vida na Irlanda

Sogra, você ainda pode ter uma.

By Nivea Sorensen · Comments (27)
Tuesday, March 15th, 2011

nós três durante o segundo casamento em Killarney

E se tiver sorte, ela vai ser como a minha. Não porque a minha mora longe, mas porque ela é realmente a sogra que eu mereço (não que eu ache que cada um tem a que merece).

Eu amo, respeito e cuido muito bem do filho dela. Ela retribui somente com amor e respeito também.

Depois de pensar muito sobre isso, cheguei a conclusão de que por termos tanto em comum, não dava para ser diferente. Não é a distância que faz com que nossa convivência seja tão boa, é o que nós já vivemos que nos aproxima.

Nós duas assinamos o mesmo sobrenome. Não por obrigação, mas por opção.

Dividimos além disso, a mesma profissão: educadoras. Exercida no passado, em épocas e países distintos, mas acredito que com a mesma paixão, e abandonada pela mesma razão: a família que foi colocada em primeiro lugar.

Ambas chamamos de casa um país estrangeiro. O mesmo país. E seremos por aqui sempre estrangeiras. Eu, facilmente identificada mais pela minha aparência “exótica” do que pelo sotaque (que você percebe de cara não é irlandês, mas não é tão brasileiramente óbvio, o que gera sempre especulação e não certeza), ou talvez pelo meu nome latino; ela, pelo sotaque que cisma em dizer exatamente de onde ela é, não importa há quantos anos ela tenha vivido por aqui.

Nós duas deixamos o país de origem, a família, e tudo de conhecido para viver fora. Cruzamos o Atlântico em direções opostas. Ela com destino ao Canadá, onde conheceu o Sorensen dela, eu a caminho da Irlanda, onde conheci o meu.

Quando nos casamos, tanto ela quanto eu fizemos questão que fosse “em casa”, junto da família. E coincidentemente, mais uma vez, o noivo dela, assim como o meu, só conheceu a família de in-laws poucos dias antes do casamento. Ou melhor, o resto da família, já que os dois conheciam as futuras cunhadas.

A minha mãe chama o meu Sorensen de “filho” (e ele a chama de “mãe”). A mãe dela, idem.

E por falar em mães, a dela não estava presente durante a primeira gravidez e parto. A minha também não está. E por isso eu sei que ninguém mellhor do que ela para entender como me sinto.

Felizmente para mim, as coincidências terminam por aí. Porque eu vou poder contar com a sogra que eu chamo de mãe para aliviar, mesmo que um pouquinho, a saudade que eu sinto da mãe de verdade. E para dar mimos de vó ao meu babóg recém-nascido.

Ela não teve essa mesma sorte.

N.

 

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Categories : Família half and half, Sogra

O Melhor de Dois Mundos*

By Nivea Sorensen · Comments (24)
Monday, March 14th, 2011

Quando você faz intercâmbio, além de uma nova língua você ganha a chance viver uma outra cultura.

Meia verdade, principalmente quando a cidade escolhida para tal experiência é Dublin já tão lotada de brasileiros em quase todos os cantos. Em sala de aula você vai ter sorte se pelo menos o professor(a) for Irlandês(a). Durante o verão talvez você encontre alguns europeus, principalmente franceses e espanhóis, também por aqui com o objetivo de melhorar o inglês. Do contrário, com exceção de alguns poucos asiáticos talvez, sua saula de aula vai ser de brasileiros que cometem exatamente os mesmos erros que você (como a pronúncia de um “i” imaginário no final das palavras terminadas em consoante: big(i), pink(i) e etc.).

De maneira nenhuma acho que isso influi no que você pode aprender por aqui, já que se fosse para contar só com a experiência de sala de aula a maioria ficava mesmo no Brasil. Mas aí vem o outro problema: sair nas ruas de Dublin é ouvir praticamente mais português do que qualquer outra língua, especialmente na zona norte da cidade.

Além disso, já que a maioria dos estudantes é de brasileiros fica muito difícil encontrar um housemate que também não seja brasileiro. Aí ao invés de comer Irish stew no jantar você vai fazer feijoada e lamentar o preço do guaraná. Ou ir a algum pub na Temple Bar, achando que já se adaptou à vida Dublinense, mal sabendo que os Irlandeses não frequentam a Temple Bar.

Só sabe como vive um irlandês, quem vive com um (ou mais de um). Afinal quantos brasileiros morando aqui na ilha sabem me dizer como os irlandeses lavam louça?

Eu tenho a sorte de ter uma família half and half, meio irlandesa meio brasileira, onde cada um lava a louça do seu jeito, onde batata e arroz na mesma refeição é proibido, mas uma sobremesa com leite condensado não mata um, nem uma coca-cola com o jantar de vez em quando.

E mais do que isso, tenho sorte em dobro já que I. também é produto de outra família half and half (mãe inglesa, pai irlandês). Não fosse por isso ontem eu não teria jantado carne assada com batatas, legumes e gravy, acompanhados de Yorkshire Pudding (uma espécie de bolinho), pela primeira vez.

O tal do Yorkshire Pudding, é como o nome já sugere, um prato típico do norte da Inglaterra. Eu, que mal consigo esconder minha paixão por praticamente tudo o que vem da terra da rainha, já estou pensando em como servi-los da próxima vez: com picanha brasileira, e quem sabe forçando (muito) a barra, um arroz e uma farofa.

Aliás, vou até aprender a fazê-los! Já que minha sogra inglesa pode fazer a melhor feijoada que eu já comi na vida, quem sabe a nora brasileira não vire especialista no roast dinner inglês?

N.

* No meu caso, três.

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Categories : Casamento, Família half and half, Intercâmbio, Vida na Irlanda

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