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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Meu babóg

Males que vêm para bem

By Nivea Sorensen · Comments (9)
Tuesday, May 15th, 2012

Eu sempre achei que E. dormia um pouco demais. Não, não estou reclamando, não quero reclamar, tenho raiva de quem reclama. Mas o fato de ele querer dormir duas vezes por dia (muitas vezes por mais de 2 horas em cada soneca) limitava bastante as nossas saídas de casa.

Isso porque depois de acordar e tomar café-da-manhã já era hora da soneca de número 1. Quando ele acordava novamente já era praticamente hora do almoço e a logística para sair de casa na hora do almoço de um bebê (que não gosta de comida industrializada) era muita coisa para minha cabeça. Saio claro, se precisar sair, mas se puder evitar, melhor.

Depois do almoço sempre foi a hora de uma saída rápida, ou para uma volta no parque, ou uma ida ao supermercado, o que tivesse que ser feito. Sair por um período mais longo era complicado porque ia atrapalhar a soneca de número 2, sempre seguida de jantar, hora de brincar, banho e cama (E. está no berço, dormindo, no máximo às 19h15)

Agora as coisas parecem que estão se resolvendo (andei de mimimi por conta da loucura que andava a nossa “desrotina”) e ele tem dormido uma vez só por dia, após o almoço.

Se antigamente eu tinha mais tempo livre dentro de casa (para cuidar das tarefas de Amélia blogueira) agora eu tenho mais liberdade. Já que ele não tem dormido de manhã nós temos usado esse tempo para sair e fazer as coisas na rua. Até 11h30/12h00 dá para ficar longe de casa, dá tempo de ir ao supermercado com calma, de ir ao centro, de tomar um café, de passear no parque, de ir aos playgroups sem a criança sonolenta.  E ele que sempre odiou o carrinho nem tem resmungado muito, tem colaborado (e hoje, milagre, até dormiu na volta para casa). Resultado, volto da rua com as coisas resolvidas e feliz com caminhada.

Melhor do que isso é que ele anda de muito bom-humor também. Ou seja, tudo em paz no reino dos Sorensen, pelo menos até o próximo mimimi.

N.

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Categories : Meu babóg, Pretensões e Desabafos
Tags : 13 meses

13 meses

By Nivea Sorensen · Comments (14)
Monday, May 14th, 2012

Faz um mês só que ele completou um ano mas em termos de desenvolvimento esse um mês foi insano.

Ele não só anda mas anda muito rápido, anda batendo palmas, anda carregando os brinquedos. Não para mais de falar, apesar de não falar nada com nada (E. ainda não fala nenhuma palavra que a gente consiga identificar), fala com os ursos de pelúcia como se eles entendessem, fala com os livros ao mesmo tempo em que vira as páginas, fala comigo com a maior cara de quem está dizendo de fato alguma coisa. Ri muito, tudo é a coisa mais engraçada da face da terra.

Depois de ter demorado uma eternidade para aprender a bater palmas agora ele faz a toda hora, quando está contente (essa é a maior delícia de se ver), quando eu canto parabéns ou uma outra musiquinha, quando eu peço, quando se vê no espelho. Manda beijos, faz tchau (meio desajeitado é verdade), faz “não” com a cabeça. Começa também a aprender a coreografia de algumas músicas que ele ouve no playgroup: ao ouvir Head, Shoulders, Knees and Toes as mãozinhas vão direto para a cabeça.

O que me surpreende nisso tudo não é o fato dele estar fazendo essas coisas, todas abolutamente normais para a idade dele (vale dizer que não o acho mais “inteligente” que nenhum outro bebê e muito menos faço comparações), mas o fato de que estou aqui vendo tudo isso de perto, vendo aquele bebê que nasceu pititico, com menos de 3 quilos, se tornar um menino, capaz de aprender com a gente, capaz de interagir.

É a vida acontecendo bem na frente dos meus olhos. E é bonita mesmo, como já dizia a canção.

N.

PS. Felliz dia das mães se você não passou por aqui ontem.

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Categories : Meu babóg
Tags : 13 meses

Um filho, uma mãe e a canção só deles.

By Nivea Sorensen · Comments (26)
Sunday, May 13th, 2012

“Porque eu vou te abraçar por quanto tempo você quiser, vou te abraçar pelo resto da minha vida”

Se eu comemoro outro dia das mães hoje (mesmo longe do Brasil) é porque esse bebê nasceu, há 13 meses, sob céus de algodão e me fez mãe, me fez feliz, me fez melhor.

Feliz dia das mães para todas as mães da minha vida.

N.

 

Comments (26)
Categories : Meu babóg
Tags : 13 meses

Detachment Parenting*

By Nivea Sorensen · Comments (24)
Friday, May 11th, 2012

Antes do meu filho se tornar esse ser pequeno que eu não reconheço mais a gente (eu e o marido, E. não decide nada por aqui) decidiu que ele vai para a creche uma vez por semana.

Mães que sofrem da síndrome de culpa que cortem seus pulsos por aí mas o motivo maior é eu ter um pouco de tempo livre. Sem culpa, viu como é possível? Eu já passo 7 dias por semana com ele, 5 completamente sozinha (sem ajuda da mãe, da sogra, da tia, da vizinha), e nada mais justo que eu também tenha direito a algum descanso (ou tempo livre para fazer o que eu quiser, mesmo se o que eu quiser for lavar o chão dos banheiros que é o que eu vou acabar fazendo). Vai ser bom para mim, vai ser bom para ele que vai me ter mais inteira do que antes nos outros dias, vai ser bom para o pai que vai poder descansar mais também nos finais de semana (já que aí eu vou estar em melhores condições de revezar com ele o trabalho).

Em segundo lugar (olha eu vou direto pro inferno por colocar o filho em segundo lugar uma vez por semana) a creche vai ser uma grande oportunidade para o meu babóg conviver com outros babógs e infernizar a vida de uma tia qualquer. Tenho horror a criar a criança sozinha trancada num apartamento. Por mais que eu saia, que leve ele para brincar não é a mesma coisa.

Decidido e acordado tudo isso, vamos às praticidades. Preciso achar uma creche. E mais do que isso, preciso achar uma creche que não me cobre uma fortuna. Creche aqui já é caro, no meu bairro então o negócio seja a ser absurdo (€580 até agora foi um dos valores que ouvi por telefone: 1 vez na semana, uma refeição, o período termina as 16h). Vamos nós procurar uma creche então um pouco mais afastada, mesmo porque eu adoro caminhar e tenho feito isso diariamente de qualquer jeito. E mesmo porque se for mais perto o marido não pode pagar, só para ir direto ao ponto.

Aí o que parece tão fácil fica difícil quando se tem um bebê com fogo na fralda. Você acha que E. tem me deixado usar o telefone para ligar para os locais e pesquisar os preços? Não. Ou melhor, tem, mas só se estiver no meu colo tentando a todo custo me arrancar o celular da orelha. E fico eu, equilibrando o filho, o telefone, o papel e a caneta para anotar tudo, tomando uns tapas na cara por não liberar o telefone para ele  brincar, andando para ele não chorar. Sem contar que antes da ligação tem que procurar os telefones na internet, tem que olhar no mapa se dá para eu ir caminhando e etc., o que ele também não me deixa fazer em paz. De uma lista enorme devo ter ligado para uma meia dúzia. Depois disso tem que voltar a ligar e agendar as visitas das creches selecionadas. Depois tem que ir ver o local. Depois tem que decidir. Depois tem que matricular.

Agora se eu estou colocando o menino na creche porque ando sem tempo onde eu arrumo tempo para fazer tudo isso?

N.

*em oposição ao tal attachement parating estampado na revista Time dessa semana com uma foto que muita gente achou polêmica.  Ah, e só para constar, eu crio com amor mas para que ele seja independente.

PS. vale dizer que no Brasil prefere-se o termo berçário ou “escolinha” (coisa horrível até de digitar) para descrever esse tipo de serviço que chamamos de creche por aqui.

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Categories : Meu babóg, Pretensões e Desabafos, Vida na Irlanda
Tags : 12 meses

Mimimi de mãe

By Nivea Sorensen · Comments (40)
Thursday, May 10th, 2012

Pode?

Posso, né? Faz tempo que eu não venho aqui reclamar da vida ou das minhas bellyaches. Então que se você não tiver com saco volte amanhã que eu pretendo ter parado com o mimimi e voltado a programação diária de bobagens.

Por hoje o que tem é mimimi mesmo….

Desde que começou a caminhar para valer há mais de uma semana meu filho virou o bebê de Rosemary (pouco menos conhecido como o filho do diabo). A rotina que dava tão certo para a gente foi para o espaço, não reconheço mais os horários das sonecas dele que agora são sempre precedidas de in-fi-ni-tos minutos de choros e gritos. Se eu desisto de tentar fazer com que ele durma aí é pior ainda, ele se agarra as minhas pernas chorando e esfregando os olhos e não quer nem brincar, nem fazer mais nada. Se tiver muito cansado não come. Se não come acorda às 5 da manhã aos berros pedindo por uma mamadeira.

Se eu programo um passeio ou um playgroup ele resolve dormir. Se eu acho que ele vai dormir e fico em casa ele não dorme. A sensação é de que eu nunca sei o que fazer.

A diversão agora é atirar os brinquedos longe e correr, correr cair chorar, correr bater a cabeça chorar, correr e procurar encrenca. Ele tenta subir nos móveis ou abrir gavetas e armários que estão trancados e se frustra quando não consegue. Sentar e brincar quietinho? Nem pensar.

Trocar fralda deixou de ser só um trabalhão para virar tarefa praticamente impossível. Juro para você que ultimamente tenho feito as trocas de fraldas sujas de xixi com ele em pé mesmo. Isso depois de quase ter surtado outro dia ao tentar trocá-lo no trocador. Era tanto choro, tantas lágrimas, tantos gritos e um bebê inteiro retorcido e duro (parecia possuído) que assim que eu terminei pus ele no berço (ainda aos prantos e roxo de tanto nervoso) e fui no hall do prédio contar até 10 para não gritar com ele. Chorei de raiva, de frustração, de cansaço.

A casa que já andava bagunçada pela presença dele (o que é normal para uma casa com crianças) virou território de ninguém. Ele não me deixa mais recolher as coisas, ou quando consigo ele é mais rápido em desarrumar. TUDO vai ao chão em segundos.

A paciência que era pouca agora é nula, ele não quer brincar e o negócio é andar para baixo e para cima grudado nas minhas pernas. Não consigo mais comer sem ele pendurado, não vou ao banheiro sem que ele fique chorando na porta.

O pior de tudo é depois das 5 da tarde quando ele normalmente está exausto. Nada está bom, ele não quer brincar com nada, não quer ver TV e, num horário em que eu normalmente tenho que começar a fazer o jantar, ele se pendura em mim e chora. Não adianta eu parar o que estou fazendo e brincar com ele que não funciona.

Sair de casa nessas horas é ainda pior, E. odeia o carrinho (e o carro também) e a choradeira só aumenta.

Então que não tem um dia em que eu não termine aos prantos. Já tive dias melhores, não vou mentir. Mas ó, tenho fé que isso passa…

Precisava escrever, viu? Se você chegou até aqui, obrigada por ouvir.

N.

Comments (40)
Categories : Meu babóg, Pretensões e Desabafos

Erik the explorer

By Nivea Sorensen · Comments (36)
Thursday, May 3rd, 2012

Meu babóg E. tem um xará famoso. Bom, pelo menos famoso à medida que alguem nascido no ano 950 pode ficar famoso (época muito difícil para as celebridades essa de antes do Big Brother, da revista Caras e das Boy Bands).

Além do primeiro nome (ambos escritos com K), eles têm em comum um sobrenome norueguês: o do meu babóg Sorensen, o do outro E. Thorvaldsson. Os dois também filhotes de viking e possuidores de uma vasta cabeleira vermelha (não à toa o outro E. ficou conhecido como Erik The Red).

O primeiro descobriu há muito tempo atrás a Groenlândia (daí a fama, viu?). Não é assim nenhuma América, mas melhor do que ficar famoso por ser BBB, né?

O segundo acaba de descobrir um mundo totalmente novo também. Um mundo nunca antes explorado. Um mundo com cantos desconhecidos, com muitos chinelos e sapatos nunca antes lambidos. Migalhas de comida em estado de decomposição nunca antes comidas. Cabos de computador nunca antes puxados, torcidos ou colocados na boca. Revistas ainda não rasgadas, livros nunca antes amassados por mãozinhas gorduchas.

Um mundo ao alcance de duas pernas.

Ele anda.

Assim, como se sempre tivesse sido bípede. Anda pelo apartamento explorando as novidades como se tivesse acabado de descobrir sua própria Groênlandia.

N.

Comments (36)
Categories : Meu babóg
Tags : 12 meses

Copo meio cheio ou meio vazio?

By Nivea Sorensen · Comments (18)
Wednesday, May 2nd, 2012

O meu deve estar trans-bor-dan-do.

Só isso explica o fato de que minha última aquisição para o guarda roupa primavera-com-chuva/2012 do meu babóg foi essa aqui:

Uma echarpe de bebê. Uma echarpe para um bebê que não me deixa nem vesti-lo com sapatos (lembra?) e que agora, ainda por cima, resolveu que o negócio é tirar as meias e a calça e ficar só de fralda.

Eu já tinha tentando óculos escuros, que duram cerca de 5 segundos no rosto dele e vão parar no chão logo na sequência. A echarpe eu só coloquei nele por uns minutos, para experimentar:

Pela pose dele você pode ver que ele já está tentando descobrir como tirar essa m*&%^ que enfiaram no pescoço dele o lindo acessório (de macho também, sim senhor) que mamãe comprou.

Me diz se não é muito otimismo? Se eu continar nessa maré não demoro a começar a comprar bilhetes de loteria toda a semana, na certeza de que um dia o prêmio vai ser meu.

Fingers crossed que ele vai usar a echarpe pelo menos uma vez  e eu não vou ter gasto €10 à toa.

N.

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Categories : Meu babóg
Tags : 12 meses

Ansiedade da separação

By Nivea Sorensen · Comments (32)
Friday, April 27th, 2012

Quem, eu? Não, eu não.

Ele? Ih, muito menos. E. só gruda na barra da minha saia, literalmente, quando tem alguma coisa errada com ele (como essa semana em que tomou vacina e deu um certo trabalho), e quando isso acontece eu fico louca, provavelmente por não estar acostumada. Na medida do possível, porque eu não sou louca e ele é só um bebê, tento ensiná-lo a comer sozinho, a brincar sozinho, até a se acalmar sozinho (dou sempre um minuto para ele antes de entrar no quarto se ele estiver chorando).

Nos damos muito bem do jeito que a gente é, eu preciso de espaço, ele idem. Passamos o dia inteiro juntos, brincamos juntos, mas se eu precisar de alguns minutos para ler ou escrever sei que ele está bem sozinho, SEMPRE ao alcance do meu olhar. Se levo para brincar nos playgroups sou eu quem precisa ficar atrás dele porque ele some, não quer nem saber de mim, não quer brincar comigo, não quer ficar nem perto. Acho ótimo porque o que eu mais vejo é criança grudada na mãe ou na babá e chorando a cada segundo que se vê sozinha.

Acho ótimo que se ele acorda de madrugada, normalmente para uma aplicação de chupeta, o pai consegue resolver sem a minha presença. Sim, porque eu preciso demais do meu sono intacto. Se ele chora e precisa de um colo no meio da noite  (muito raro de acontecer) também é o pai quem resolve.

Por isso mesmo é sem peso nenhum na consciência que ontem fiz as malas dele. Dele e do pai. Os dois foram hoje cedo para Killarney visitar os avós (e o tio de E. que veio do Canadá) e estão de volta amanhã, quase um bate e volta.

Eu fiquei por aqui. Aproveite a manhã inteirinha para fazer compras sem ouvir choro de bebê (que delícia!), comprei roupas novas, sapatos, livros e muitos utensílios para minha cakeria (sim, eu vou ter uma cakeria!). Vou aproveitar a tarde sem filho para passar um tempo SOZINHA. Sim, eu sou do tipo que sai para comer sozinha, que bebe sozinha, que vai ao cinema sozinha, que viaja sozinha. Vou jantar sozinha, tomar banho de banheira com as minhas revistas ao lado.

Vou aproveitar o silêncio da casa, vou estudar, vou trabalhar.

Mas sim, vou sentir uma pitadinha de saudade desse sorriso de quatro dentes dele.

E vou dar um abraço bem gostoso quando ele chegar amanhã, sem ansiedade, sem estresse….

Bom final de semana.

N.

PS. com certeza vou estar mais descansada, mais inteira, mais feliz e vou ser uma companhia muito mais agradável para ele pelos próximos dias.

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Categories : Meu babóg, Pretensões e Desabafos
Tags : 12 meses
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