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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Terapia

Control Freak Under Control

By Nivea Sorensen · Comments (18)
Friday, March 11th, 2011

O meu lado Amélia precisa que as coisas sejam feitas exatamente do jeito que eu quero e quando eu quero, o que me torna o maior pesadelo na vida de um marido e de (futuros) filhos.

E mais, me torna um perigo para mim mesma. Afinal, se as coisas não estão do meu jeito eu me estresso, se me estresso fico doente. Ou então eu tento inúltimente estar no controle o tempo inteiro o que também faz com que eu me estresse.

Se não funciona desse jeito agora, imagina quando o babóg chegar e eu precisar contar com a ajuda de outras pessoas (leia-se I., e provavelmente a mãe dele)? Portanto algo precisava ser feito. Ou melhor, eu precisava mudar.

E aí entrou em cena a tal da Terapia Cognitiva Comportamental, indicação da equipe psiquiátrica da maternidade, que me acompanha para evitar uma crise de depressão pós-parto.  O objetivo desse tipo de terapia não é falar sobre o seu passado, mas trabalhar com problemas presentes, e mais do que isso, aprender a agir de forma diferente.

Honestamente, achei que não adiantaria nada, que eu nunca iria mudar. Estava errada. Primeiro por acreditar que o objetivo era uma grande mudança. Não é. São as pequenas coisas que vão fazer a maior diferença na minha vida.

Por exemplo, outro dia arrumei uma grande briga com I. por causa das sacolas do supermercado. Ou melhor, pelo fato de ele não dobrar as sacolas de supermercado do meu jeito e não coloca-las em ordem de tamanho do lado direito da prateleira onde elas DEVEM ser guardadas para manter a ordem do universo. Tudo isso mesmo depois de ele ter ido ao supermercado, ter feito as compras, pago por elas, e de ter guardado tudo nos armários, enquanto fazia o jantar. Mesmo assim, eu surtei quando vi as sacolas todas emboladas no armário.

Comentei o episódio com a terapeuta, explicando que eu não quero ser essa mulher. E juntas discutimos como eu poderia ter agido de maneira diferente.

Depois disso veio o episódio do lixo, que primeiro precisa de uma rápida explicação:

I. não se lembra nunca de tirar o lixo do apartamento. Não tem jeito, a não ser que eu peça quando ele já está saindo pela porta. Do contrário eu acabo insistindo por 3 dias seguidos (e vou acumulando sacolas ao lado da lixeira para o lixo extra) até desistir e carregar o saco para a lixeira do prédio eu mesma. Não sem antes gritar e xingar, deixando claro que marido horrível que ele é, que não faz nada por mim e não dá a mínima para o fato de eu estar grávida e miserável.

Então quando o episódio aconteceu de novo na semana passada meu primeiro instinto foi pegar o telefone, ligar pra ele e começar a briga. Pensei melhor e resolvi então bancar a vítima: mandar uma mensagem de texto dizendo que eu teria que fazer o trabalho dele de novo. Nenhuma das duas opções era uma boa idéia, eu só faria com ele ficasse chateado (afinal ele não esquece por mal) e não resolveria o problema. E foi aí que eu me lembrei da conversa com a terapeuta.

Tirei o lixo eu mesma (afinal estou grávida, não aleijada) e quando ele chegou em casa, sem tom de sermão eu sugeri que ele colocasse um alarme diário no celular, 5 minutos antes do horário que ele sai para o trabalho, para checar se a lixeira está cheia.

Não o tratei como criança,  ele adorou a sugestão, aderiu e desde então vivemos felizes para sempre num apartamento que não cheira a lixo.

N.

Comments (18)
Categories : Casamento, Marido, Pretensões e Desabafos, Terapia

32 semanas e será que eu não aprendo?

By Nivea Sorensen · Comments (10)
Wednesday, February 23rd, 2011

Uma vez um médico, que eu acho que não batia muito bem da cabeça,  me disse que eu não tinha um sistema nervoso, eu tinha um sistema puto da vida. Era o auge do meu estresse.

Desde então passei por altos e baixos, levando as coisas do meu jeito, mas nunca aderi nem aos livros de auto-ajuda, nem a yoga ou qualquer outra técnica de relaxamento. Mentira, tentei massagem, mas ao invés de relaxar ficava lá pensando nas mil coisas a fazer e em que perda de tempo aquilo tudo era. Banho de banheira? Também tentei: água morna, sais de banho, luz de velas, taça de vinho, mas ao invés de relaxar eu levava para o banheiro mil opções de livros, de revistas, listas de música no iPod, demorava mais de uma hora preparando todo o ritual e passava 5 minutos na banheira. Mas o pior de tudo foram os CDs de relaxamento. Nada, absolutamente nada tem o poder de me irritar mais do que aquele som de água correndo, de floresta, e coisas afins. Nem música clássica que eu gosto serve a esse propósito. Ouvir por ouvir, sem fazer mais nada, ou melhor sem pensar em mais nada? Não consigo.

Então quando no final da minha primeira sessão com a terpeuta nova ela sugeriu que eu tentasse um exercício de respiração e relaxamento com ela eu pensei logo que não ia dar em nada. Mas para não ser grosseira, e para não dizer que estou jogando €80 no lixo, lá fomos nós. Durante 5 minutos mantive meus olhos fechados enquanto ela me dava instruções sobre como prestar atenção somente na minha respiração. Achei que os 5 minutos pareceriam 50. E não é que paguei minha lingua de novo?

Quando ela me pediu que eu abrisse os olhos eu percebi que estava mais relaxada, por mais que eu não quisesse admitir. Saí de lá com a promessa, a mim mesma claro, de que tentaria o exercício diariamente por pelo menos 5 minutos. Acredite ou não, assim eu fiz. Duas semanas depois já estava me achando outra pessoa e achei que finalmente tinha aprendido alguma coisa útil para combater meu estresse.

Até que hoje, bom hoje dizer que eu estou de mau-humor é ser otimista. Acordei fisicamente cansada e ao passar o dia, claro, só piorei. Cansaço físico comigo se transforma em cansaço mental facilmente. Tudo no trabalho hoje me irritou profundamente. No meu horário de almoço ao invés de relaxar fui passar mais nervoso no mercado (ou não tomaria café da manhã amanhã). Mesmo com uma sacola só (e mais toda a tralha que a sacoleira aqui carrega diariamente) ao final do dia não resisti à tentação e peguei um táxi do trabalho para casa.

Ao chegar, como tem acontecido essa semana toda em que I. está inválido (muletas e pé para o alto devido ao tornozelo arrebentado), tinha tudo para fazer: cama desfeita, bagunça em tudo o que é canto, louça na pia, roupa para ser guardada, nada pronto para o jantar. Isso quando tudo o que eu queria era um banho,  minha cama e um livro.

Aí que  não teve respiração que desse jeito. Já tentei duas vezes. Já tentei massagem no pé. Já tentei ler. E agora mesmo na cama, com a casa todinha em ordem, simplesmente não consigo relaxar.

Só consigo chorar e não consigo explicar o porquê.

N.

Comments (10)
Categories : Gravidez, Pretensões e Desabafos, Terapia

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