Quando você faz intercâmbio, além de uma nova língua você ganha a chance viver uma outra cultura.
Meia verdade, principalmente quando a cidade escolhida para tal experiência é Dublin já tão lotada de brasileiros em quase todos os cantos. Em sala de aula você vai ter sorte se pelo menos o professor(a) for Irlandês(a). Durante o verão talvez você encontre alguns europeus, principalmente franceses e espanhóis, também por aqui com o objetivo de melhorar o inglês. Do contrário, com exceção de alguns poucos asiáticos talvez, sua saula de aula vai ser de brasileiros que cometem exatamente os mesmos erros que você (como a pronúncia de um “i” imaginário no final das palavras terminadas em consoante: big(i), pink(i) e etc.).
De maneira nenhuma acho que isso influi no que você pode aprender por aqui, já que se fosse para contar só com a experiência de sala de aula a maioria ficava mesmo no Brasil. Mas aí vem o outro problema: sair nas ruas de Dublin é ouvir praticamente mais português do que qualquer outra língua, especialmente na zona norte da cidade.
Além disso, já que a maioria dos estudantes é de brasileiros fica muito difícil encontrar um housemate que também não seja brasileiro. Aí ao invés de comer Irish stew no jantar você vai fazer feijoada e lamentar o preço do guaraná. Ou ir a algum pub na Temple Bar, achando que já se adaptou à vida Dublinense, mal sabendo que os Irlandeses não frequentam a Temple Bar.
Só sabe como vive um irlandês, quem vive com um (ou mais de um). Afinal quantos brasileiros morando aqui na ilha sabem me dizer como os irlandeses lavam louça?
Eu tenho a sorte de ter uma família half and half, meio irlandesa meio brasileira, onde cada um lava a louça do seu jeito, onde batata e arroz na mesma refeição é proibido, mas uma sobremesa com leite condensado não mata um, nem uma coca-cola com o jantar de vez em quando.
E mais do que isso, tenho sorte em dobro já que I. também é produto de outra família half and half (mãe inglesa, pai irlandês). Não fosse por isso ontem eu não teria jantado carne assada com batatas, legumes e gravy, acompanhados de Yorkshire Pudding (uma espécie de bolinho), pela primeira vez.
O tal do Yorkshire Pudding, é como o nome já sugere, um prato típico do norte da Inglaterra. Eu, que mal consigo esconder minha paixão por praticamente tudo o que vem da terra da rainha, já estou pensando em como servi-los da próxima vez: com picanha brasileira, e quem sabe forçando (muito) a barra, um arroz e uma farofa.
Aliás, vou até aprender a fazê-los! Já que minha sogra inglesa pode fazer a melhor feijoada que eu já comi na vida, quem sabe a nora brasileira não vire especialista no roast dinner inglês?
N.
* No meu caso, três.




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