Dizem que a gente se acostuma com tudo.
Deve ser verdade. Eu já não lembro mais como é não estar grávida. Não sei se acontece com tudo mundo, mas a sensação agora é de que eu sempre estive grávida.
Fazer as unhas do pé sozinha, não ter que sentar para vestir a calcinha, dormir de barriga para baixo, dormir (e ponto final), menstruar, beber mais do que meia taça de vinho uma vez por semana (se eu quisesse), virar de um lado para o outro da cama, tudo isso parece que eu fazia numa outra vida.
O mais engraçado é que também parece que vou estar grávida para sempre.
Não que a minha paciência já não esteja para se esgotar. Acredite, se tudo acabasse hoje, eu estaria feliz da vida. Prova disso, é que agora ir ao médico deixou de ser a coisa mais legal do mundo. Primeiro, porque já não significa mais estar longe do trabalho. Segundo, porque ver o babóg no ultrasom e ouvir o coração dele bater já não é mais o evento que costuma ser no início.
Ontem mesmo quando o médico me encaminhou para mais uma daquelas ultrasonografias detalhadas e demoradas, em que eles medem de tudo e ficam te mostrando um pezinho aqui, um narizinho ali, ao invés de animada, eu só pensei que estava cansada e queria mesmo era ir pra casa almoçar.
Ao invés de querer saber se estava tudo bem, se ainda tinha bastante líquido, se ele estava se mexendo normalmente, se os batimentos cardíacos estavam normais eu só queria mesmo era perguntar: “Doutor, posso levá-lo para casa hoje?”
Não perguntei, I. também não quis perguntar por mim (até tentei convencê-lo), e voltamos os dois para casa de mãos vazias. E eu de barriga cheia.
N.
ps. a foto da barriga foi tirada hoje na esperança de que seja a última.














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