Filhos & Família Vida na Irlanda

Au pair

Em 2015 eu tive um episódio de depressão que me impossibilitou quase que completamente de cuidar da minha família por alguns meses.

Passei um mês internada numa clinica e nesse período, aliás também no período anterior e posterior à internação, minha sogra foi quem cuidou dos meus filhos e da minha casa.

Tive alta um pouco antes do Natal daquele ano e passei ainda um bom tempo me recuperando e me adaptando aos efeitos colaterais da medicação (que me deixava cansada e sonolenta, entre outras coisas).

Por conta disso nos vimos obrigados a procurar algum tipo de ajuda. Alguém que me ajudasse com as crianças para que eu tivesse algumas horas para cuidar de mim (ir à academia, fazer terapia, continuar com as consultas com uma psiquiatra e etc.), para descansar (eu simplesmente não conseguia ficar acordada o dia inteiro), para que meus sogros voltassem para suas vidas (já que eles moram em outra cidade e apesar de aposentados têm uma vida bastante movimentada) e para que meu marido pudesse trabalhar tranquilo sabendo que numa eventual crise ou recaída ele não precisaria perder dias de trabalho.

Decidimos então contratar uma au-pair, por um período de seis meses, alguém que trabalhasse algumas horas por dia (quatro, no nosso caso) em troca de um salário semanal mais acomodação e alimentação.

Confesso que a princípio foi muito difícil para mim aceitar, em primeiro lugar, que precisava de ajuda; e me acostumar com a idéia de que perderíamos um pouco nossa privacidade (e nosso quarto de hóspedes!)  e aceitar principalmente a convivência com outra pessoa dentro da minha casa. Logo eu que não sou a pessoa mais sociável do mundo (aliás, entre a pessoas mais sociáveis do mundo eu apareço bem no final da fila, me achou? não, mais pro final… beeeeem no final).

Mas não tinha outro jeito, já que contratar uma babá por algumas horas por dia, sem que ela vivesse conosco, era ideal mas financeiramente inviável.

Tomada a decisão partimos para o lado prático da coisa. Optamos por pagar para fazer um cadastro num site que oferece vagas para esse tipo de trabalho. Nosso pré-requisito principal era que a pessoa falasse português. Não fiz questão de pedir por experiência pelo fato de eu estar em casa em período integral. Na verdade nós queríamos mesmo era alguém que se relacionasse bem com a nossa família para evitar problemas de convivência, mais do que qualquer tipo de qualificação ou experiência.

Recebemos muitas mensagens e também entrei em contato com algumas meninas cujo perfil me agradava. Como tínhamos pressa marquei muitas entrevistas, todas para a mesma semana. Feito isso selecionei as que mais gostei para que elas voltassem no final-de-semana para conhecer o Ian que junto comigo decidiria quem ficaria com a vaga.

Eu já tinha uma preferência por uma das candidatas e logo de cara Ian teve a mesma opinião. Como o Erik e a Elena também tiveram uma ótima primeira impressão foi com ela que nós resolvemos fazer um teste.

Foi assim que a Olivia entrou na nossa família.

Deu tão certo que os seis meses viraram um ano e ela continua conosco até hoje, sem previsão de ir embora. Aliás, não poderíamos estar mais felizes com a nossa escolha. Ela, que não tinha nenhuma experiência com crianças, em pouco tempo aprendeu o que precisava, ganhou nossa confiança e o amor das crianças.

Desde então é até difícil de imaginar a vida da gente sem ela por perto. O trabalho dela foi fundamental para que eu tivesse uma gravidez tranquila e para que sobrevivesse às primeiras semanas do pós-parto e os primeiros meses da Lia com cólicas. Além disso, ela se tornou uma amiga, alguém que a gente (e eu falo por mim e pelo Ian) gostamos de ter em casa.

No entanto, a gente sabe que ela precisa e merece um emprego melhor e torcemos para que ela consiga um em breve. Hoje ela sabe que não temos nenhum plano de dispensá-la, mas que quando ela decidir ir embora não ousaremos tentar substituí-la (imagina a pressão em cima da pobre coitada que vier depois dela?) e que as portas da nossa casa vão sempre continuar abertas.

Muita gente, mas muita mesmo, me pergunta como conseguir uma au pair (ou como conseguir trabalho como au pair) porque eu vivo dizendo que nossa experiência tem sido muito positiva, mas a única coisa que eu tenho a dizer é que com a gente foi um negócio de sorte mesmo.

Ou destino, sei lá…

N.

4 Comments

37 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na fralda e de uma pintinha de olhos grandes e curiosos; doceira; blogueira e dona-da-casa.

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4 Comments

  • Frany

    Oi Nívea, tudo bem?
    Sei que o post não tem nada a ver com esse comentário, mas, há alguma forma de falar com você por e-mail? Leio seu blog há algum tempo, nunca comentei, mas ando sempre por aqui. Também sofro de transtornos psicológicos causados por estresse e gostaria de conversar com você a respeito, se possível. Nunca falei com ninguém que tenha passado pelo mesmo. Espero que responda 🙂

    Beijos

  • Jamile

    Oie, acabei não deixando nenhum comentário e eu era uma das curiosas, adorei e obrigada Olívia!

  • Rita

    Deu até saudade! Fui au pair em greystones entre 2006 e 2008, minha host family virou minha amiga e os visitei ha uns anos… Você tbm foi au pair, Nívea??? Eu fui e super teria uma. Mas no Brasil infelizmente ainda os moldes de child care são antigos… Beijos

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