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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Barriga

12 de Abril de 2011

By Nivea Sorensen · Comments (26)
Thursday, April 12th, 2012

Terça-feira. A última foto da barriga. 39 semanas e 3 dias de gestação.

Naquela mesma noite fui para a cama choramingando que não aguentava mais esperar. Engraçado é que não fazia a menor idéia de que ele nasceria tão rápido. Eu tinha certeza que ele ainda iria demorar muito para chegar, que passaria da data prevista. Minutos depois comecei a sentir as primeiras dores…

Aí amanheceu e a vida nunca mais foi a mesma, nem eu tão feliz.

N.

PS. Enquanto isso, em 2012 o babóg tem uma infecção de ouvido, está com muita febre, sem dormir, sem comer, num chororô sem fim, inconsolável. Já chorei junto, já fiquei acordada a noite inteira (pai idem), já dei colo infinito, já levei no médico e não sei mais o que fazer para confortá-lo.

 

Comments (26)
Categories : Barriga, Pretensões e Desabafos

Reclamando da barriga cheia

By Nivea Sorensen · Comments (12)
Tuesday, April 12th, 2011

Dizem que a gente se acostuma com tudo.

Deve ser verdade. Eu já não lembro mais como é não estar grávida. Não sei se acontece com tudo mundo, mas a sensação agora é de que eu sempre estive grávida.

Fazer as unhas do pé sozinha, não ter que sentar para vestir a calcinha, dormir de barriga para baixo, dormir (e ponto final), menstruar, beber mais do que meia taça de vinho uma vez por semana (se eu quisesse), virar de um lado para o outro da cama, tudo isso parece que eu fazia numa outra vida.

O mais engraçado é que também parece que vou estar grávida para sempre.

Não que a minha paciência já não esteja para se esgotar. Acredite, se tudo acabasse hoje, eu estaria feliz da vida. Prova disso, é que agora ir ao médico deixou de ser a coisa mais legal do mundo. Primeiro, porque já não significa mais estar longe do trabalho. Segundo, porque ver o babóg no ultrasom e ouvir o coração dele bater já não é mais o evento que costuma ser no início.

Ontem mesmo quando o médico me encaminhou para mais uma daquelas ultrasonografias detalhadas e demoradas, em que eles medem de tudo e ficam te mostrando um pezinho aqui, um narizinho ali, ao invés de animada, eu só pensei que estava cansada e queria mesmo era ir pra casa almoçar.

Ao invés de querer saber se estava tudo bem, se ainda tinha bastante líquido, se ele estava se mexendo normalmente, se os batimentos cardíacos estavam normais eu só queria mesmo era perguntar: “Doutor, posso levá-lo para casa hoje?”

Não perguntei, I. também não quis perguntar por mim (até tentei convencê-lo), e voltamos os dois para casa de mãos vazias. E eu de barriga cheia.

N.

ps. a foto da barriga foi tirada hoje na esperança de que seja a última.

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Categories : Barriga, Gravidez, Pretensões e Desabafos

O Que Usar (parte 2)?

By Nivea Sorensen · Comments (11)
Thursday, April 7th, 2011

A combinação primavera/verão e minhas últimas semanas de gravidez não estão me fazendo muito bem. Ou melhor, não fazem bem ao meu guarda-roupa.

Tá feio o negócio. Mesmo. Tão feio que há dois dias eu estou usando calça de pijama para ficar em casa. Ou seja, sem glamour nenhum. Na verdade sem nenhuma dignidade. Aí eu penso, vou sair e comprar umas roupas. Mas para sair e comprar umas roupas eu tenho que vestir alguma coisa primeiro. Aí eu olho pro meu guarda-roupa gravidez/inverno 2011 (que já mal me serve) e para o sol lá fora e desanimo completamente.

As calças jeans que eu comprei ainda lá no início da gravidez me servem bem, é verdade. O elástico na barriga funcionou que é uma maravilha e elas realmente cresceram comigo. Eu só não gosto muito de usá-las em casa, não acho muito confortável e além disso dentro do meu apartamento já é alto verão. Queria mesmo alguma coisa mais fresquinha.

E as blusas, então?. As que eu estava usando até bem pouco tempo atrás além de não darem mais conta da barriga, estão muito quentes para o tempo loucamente ensolarado que está fazendo em Dublin. Como minha barriga começou a aparecer só no outono/inverno, nem cheguei a comprar nada de verão.

Problema maior, é que há essas alturas eu não quero comprar nada mesmo. Roupas de maternidade estão absolutamente descartadas porque custam uma fortuna e eu não vou usar por muito tempo (se chegar a usar). Resta-me comprar roupas normais de tamanhos grandes. Mas nem com essas eu quero gastar. Afinal, são no máximo mais algumas semanas, né?

Além disso, assim que o babóg nascer lá vou eu ter que comprar tudo de novo. O que eu comprar agora vai ficar muito grande e tudo o que eu tinha vai ficar pequeno. Sem contar que as blusas vão ter que ser aquelas próprias para amamentação.

Só de escrever tudo isso eu já me cansei. Estou pensando seriamente em esperar meu filho de pijamas mesmo, trancada dentro de casa. Mesmo porque só assim eu evito a inveja louca gastura de ver a Gisele Bundchen, linda, loira, magra e usando vestidos de verão esvoaçantes, espalhada em todos os cantos da cidade, em anúncios da H&M.

Alguém aí me ensina o segredo de se manter algum nível de dignidade durante a gravidez? Porque eu passei longe, longe disso…

N.

PS. a propósito, o sol se esconde debaixo de chuva hoje por aqui.

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Categories : Barriga, Gravidez, O que usar?, Pretensões e Desabafos

33 semanas e a barriga que vê quem quer

By Nivea Sorensen · Comments (13)
Wednesday, March 2nd, 2011

Tem gente que bloga só sobre intercâmbio, sobre a vida de casada, sobre a gravidez. Eu acho que se tivesse que escolher o tema mais recorrente no meu blog ultimamente diria que é o tamanho da minha barriga.

Se você já cansou de ler sobre isso, desculpe-me, mas volte outra hora. Mas se você ainda tem um pouquinho de paciência segue em frente. Pelo menos eu prometo que não vou me estender muito.

Agora eu cheguei a conclusão que a minha barriga de grávida é uma barriga 8 ou 80: ou as pessoas ficam chocadas com o tamanho ou simplesmente ignoram, conforme a conveniência, claro.

No ônibus, por exemplo. Eu pego ônibus por poucos minutos, sempre num horário tranquilo (já que trabalho das 10 às 18), então sempre arrumo um lugar para sentar. Acontece que às vezes o lugar disponível está lá no fundo do ônibus e até chegar lá vou acompanhando todos os olhares que se abaixam ao me ver passar pelo corredor, meio que com medo de ter que me oferecer o assento. As pessoas jovens sentadas no assentos reservados então já fingem dormir ou enfiam a cara no livro ou no celular. Várias outras vezes fui obrigada a subir as escadas (aqui em Dublin os ônibus são de dois andares) mesmo carregando a bolsa, a barriga, as sacolas.

Você pode achar que eu não deveria estar reclamando. Talvez não devesse mesmo, mas a barriga pesa horrores (é diferente de estar gorda, eu sei porque já pesei os mesmos muitos quilos de hoje sem a gravidez), as pernas doem quase que o tempo todo, as costas também. Sem contar que já não tenho mais o mesmo equilíbrio, então subir aquela escada caracol do ônibus em movimento é tortura, morro de medo de cair.

Outro dia no banco, idem. Fila enorme. Encarei. Todo mundo fingiu que não percebeu a barriga e ninguém se ofereceu para me deixar passar na frente.

Mas o pior, o pior de tudo, a coisa mais sem noção que me aconteceu durante a gravidez ainda estava por vir.

Estava lá eu no Tesco, num sábado à tarde, com minha cestinha de compras (de pouquíssimos itens). Dois caixas funcionando, umas 5 ou 6 pessoas na fila de cada um deles. Escolho um e entro na fila. As pessoas até olham para mim, veêm o barrigão e fingem que não seria educado me deixar passar na frente. Como manda Murphy a fila ao lado obviamente anda muito mais rápido. As 5 ou 6 pessoas pagam pelas compras, empacotam e vão-se. Outras 5 ou 6 também são atendidas antes que a minha fila se mova. Eu conheço Murphy desde a infância e sei que trocar de fila não vai fazer com que eu saia dali mais rápido.

Chega a minha vez, ou melhor a vez da pessoa que está a minha frente passar. E aí como só acontece aqui em Dublin a caixa não consegue achar o preço do produto e saí em busca de um código de barra ou coisa parecida. Sem pressa. Caixas de supermercado aqui nunca têm pressa. Nessa hora eu sinto saudades daqueles supermercados de São Paulo, onde o caixa aperta um botão e alguém de patins vêm ao seu socorro. Onde foram parar todas as pessoas que têm pressa? Porque os irlandeses, esses parecem nunca se incomodar com a demora.

Foi-se a caixa e eu já não aguentando mais ficar de pé me apoiei num pilar, mão nas costas, cara de dor, barriga ainda mais evidente sem o casaco, vontade absurda de fazer xixi. Todo mundo atrás de mim na fila desiste e sobra eu lá, com as compras já na esteira do caixa.

Nesse momento, uma mulher de aproximadamente 35 ou 40 anos no máximo se aproxima e educadamente me pergunta se eu me importaria em deixar ela passar na minha frente. A justificativa dela? Ela tinha somente 3 itens e pagaria em dinheiro.

Devo ter demorado 5 minutos para reagir, tentando encontrar nela alguma razão para justificar o pedido (vai que a mulher não tinha uma perna, ou coisa do tipo). Quando vi que ela era perfeita, inclusive jovem e bonita, olhei bem na cara dela e com a mesma educação disse que já havia esperado por mais de 30 minutos, tinha 5 itens e também, veja só, pagaria em dinheiro. Além disso, caso ela não tivesse visto ainda, apontei para a barriga enorme e fiz cara de “preciso falar mais alguma coisa?” No fundo queria ter mandado ela para a casa do c*$£%@^.

Agora fala aqui pra mim se esse tipo de coisa só acontece comigo? É só comigo?

N.

p.s. e só para provar meu ponto, no último sábado uma desconhecida na rua me parou e perguntou se eu esperava não por gêmeos, mas por trigêmeos! Não acredita? Tenho 3 testemunhas.

ps.2.: 33 semanas de umbigo no lugar e sem estrias: viva!

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Categories : Barriga, Gravidez, Pretensões e Desabafos

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