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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Sogra

Lingua de nora

By Nivea Sorensen · Comments (24)
Wednesday, November 30th, 2011

Minha sogra é do tipo que não interfere na criação do neto. Mima, é verdade, mas não interfere. Vale lembrar que os mimos são com excesso de atenção, jamais com presentes (já que ela é do tipo econômica). Ela é do tipo que pergunta se pode oferecer tal coisa, se pode vestir tal roupa e nunca reclamou do meu jeito de fazer as coisas.

Ela é do tipo que cozinha bem. Mesmo morando com eles por praticamente 15 dias seguidos (sem contar os dias antes do feriado de Halloween) não comi por lá nada que não me deixasse com água na boca e com vontade de repetir. Até o picadinho com batata-frita e brócolis dela eu trocaria por qualquer prato de restaurante.

Mas ela é também do tipo que compartilha, o que significa que ganhei receitas novas para o meu pouco vasto reportório culinário. A paella com frango e chouriço que eu fiz com a receita e ajuda dela faria I. se casar comigo pela terceira vez.

Ela é do tipo que te convence a fazer tricô, mesmo quando você confessa que só aprendeu a fazer dois pontos há 20 anos atrás, e que não tricota nada há pelo menos 19 anos e 11 meses. Mais do que isso, ela é do tipo que te compra lã e agulhas e te manda inclusive o modelo do cachecol que ficaria lindo em você (e que parece ser do seu gosto). E te ajuda a ler as instruções. E faz o jantar enquanto você tricota como se sua vida dependesse daquilo (quando eu começo uma coisa, bebê, ninguém me para).

Ela é do tipo que cuida do seu filho, e de você, quando sua saúde mental não te permite. Do tipo que te recebe na casa dela, e do tipo que quando você volta para casa vem junto, só para garantir que tudo vai ficar bem até o bendito do antidepressivo começar a te deixar feliz de novo.

E como ela também é do tipo que está no Facebook (e por isso tem acesso ao blog), falar SÓ bem dela é a única opção que eu tenho.

N.

Comments (24)
Categories : Pretensões e Desabafos, Sogra

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By Nivea Sorensen · Comments (29)
Saturday, April 9th, 2011

Hoje estou com aquela sensação boa, e rara, de que estou preparada para a chegada do meu babóg. Pelo menos materialmente, já que psicologicamente nem Deus sabe.

Aliás, eu devo ser um experimento divino:  se eu não surtar com a maternidade, é sinal de qualquer mulher pode ser mãe. Quem sabe até um homem?

Como eu disse, é uma sensação rara e amanhã eu vou acordar com mil listas na cabeça de coisas que eu PRECISO comprar urgentemente. Então hoje, só hoje, eu vou aproveitar e me sentir feliz.

Na quinta deixei minha preguiça de lado e resolvi fazer as últimas compras. Primeira parada, Mother Care e meus primeiros sutiãs de amamentação comprados. Depois Dunnes e roupas baratas, larguinhas e confortáveis para usar nessas últimas semanas de gravidez e no pós-parto (a propósito, obrigada por todas as dicas deixadas no post sobre o que vestir). Passada rápida na Boots e resolvi o problema do sabonete liquido para os primeiros banhos do meu babóg, além de uns treats para mim que não sou de ferro. E como não sou de ferro mesmo, acabei esbanjando dinheiro numa bolsa linda para carregar meu bebê mais velho (o macbook air).

Com tanta sacola para carregar tive que ligar para o marido ir me buscar. Aproveitamos para comprar óculos novos para ele, e jantar fora sozinhos, muito provavelmente pela última vez nos próximos meses.

Cheguei em casa acabada e feliz da vida.

Na sexta os sogros chegaram de Killarney para resolver minha vida. A começar pelo freezer, que ganhou vários dos congelados deliciosos que ela faz (incluindo lasanha e feijoada). A propósito, ela ligou antes para saber se eu “me importaria” se ela trouxesse os congelados. Quem eu?

O enxoval do babóg também foi abastecido, com o Moisés que vai servir de cama durantes os primeiros meses, cheio de coisinhas fofas que ela comprou, ou tricotou:

sapatos minúsculos de tricot e o babador de torcedor do Munster para alegria do papai

Ah, e mais pacotes de fraldas.

Para eu não ficar com inveja, também ganhei um kit rosa/pampering, com creminhos, sais de banho, máscara para os olhos, velas, compressa para dores nas costas (uma espécie de almofadinha com cheiro de lavanda que vai ao microondas por alguns minutos), livros, chocolates e não-me-lembro-mais-o-que.

parte do kit "vou mimar a minha nora"

Não fosse o bastante, hoje eles nos compraram as prateleiras para o armário do babóg e outras coisinhas de casa que eu andava pendindo para I. (e das quais ele nunca se lembrava).

Comprei também óleo de massagem e chá de framboesa (para ver se dou uma acelarada no meu parto).

Agora, bom agora eu estou aqui de pernas para alto, tomando meu chá, enquanto a sogra cozinha o jantar, o sogro lê o jornal, o cachorro dorme, e I. joga Xbox com o irmão.

E eu ainda reclamo de estar grávida, pode?

N.

Comments (29)
Categories : Feliz, Gravidez, Pretensões e Desabafos, Sogra

Sogra, você ainda pode ter uma.

By Nivea Sorensen · Comments (27)
Tuesday, March 15th, 2011

nós três durante o segundo casamento em Killarney

E se tiver sorte, ela vai ser como a minha. Não porque a minha mora longe, mas porque ela é realmente a sogra que eu mereço (não que eu ache que cada um tem a que merece).

Eu amo, respeito e cuido muito bem do filho dela. Ela retribui somente com amor e respeito também.

Depois de pensar muito sobre isso, cheguei a conclusão de que por termos tanto em comum, não dava para ser diferente. Não é a distância que faz com que nossa convivência seja tão boa, é o que nós já vivemos que nos aproxima.

Nós duas assinamos o mesmo sobrenome. Não por obrigação, mas por opção.

Dividimos além disso, a mesma profissão: educadoras. Exercida no passado, em épocas e países distintos, mas acredito que com a mesma paixão, e abandonada pela mesma razão: a família que foi colocada em primeiro lugar.

Ambas chamamos de casa um país estrangeiro. O mesmo país. E seremos por aqui sempre estrangeiras. Eu, facilmente identificada mais pela minha aparência “exótica” do que pelo sotaque (que você percebe de cara não é irlandês, mas não é tão brasileiramente óbvio, o que gera sempre especulação e não certeza), ou talvez pelo meu nome latino; ela, pelo sotaque que cisma em dizer exatamente de onde ela é, não importa há quantos anos ela tenha vivido por aqui.

Nós duas deixamos o país de origem, a família, e tudo de conhecido para viver fora. Cruzamos o Atlântico em direções opostas. Ela com destino ao Canadá, onde conheceu o Sorensen dela, eu a caminho da Irlanda, onde conheci o meu.

Quando nos casamos, tanto ela quanto eu fizemos questão que fosse “em casa”, junto da família. E coincidentemente, mais uma vez, o noivo dela, assim como o meu, só conheceu a família de in-laws poucos dias antes do casamento. Ou melhor, o resto da família, já que os dois conheciam as futuras cunhadas.

A minha mãe chama o meu Sorensen de “filho” (e ele a chama de “mãe”). A mãe dela, idem.

E por falar em mães, a dela não estava presente durante a primeira gravidez e parto. A minha também não está. E por isso eu sei que ninguém mellhor do que ela para entender como me sinto.

Felizmente para mim, as coincidências terminam por aí. Porque eu vou poder contar com a sogra que eu chamo de mãe para aliviar, mesmo que um pouquinho, a saudade que eu sinto da mãe de verdade. E para dar mimos de vó ao meu babóg recém-nascido.

Ela não teve essa mesma sorte.

N.

 

Comments (27)
Categories : Família half and half, Sogra

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