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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Blogagem Coletiva

Blogagem Coletiva: A Páscoa na Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (14)
Tuesday, April 10th, 2012

Esse mês a Blogagem Coletiva do Mães Iternacionais é sobre Páscoa. Devo confessar que estou louca para visitar os outros blogs e descobrir como esse feriado é celebrado mundo afora.

Aqui na Irlanda a Páscoa é um feriado importante já que o país é católico. Na sexta-feira santa, chamada em inglês de Good Friday, os pubs não abrem e os supermercados são proibidos de vender qualquer tipo de bebida alcólica (o que não significa, claro, que todo mundo deixe de beber). Também é costume não se comer carne vermelha. Antigamente comiam-se somente as hot cross buns, um pãozinho doce com uvas passas (com uma cruz em cima) vendido nessa época do ano. Eles são servidos normalmente quentes e com manteiga. Deixaram de ser a refeição principal do dia (a maioria das famílias, mesmo as religiosas comem peixe), mas ainda fazem parte do cardápio.

A sexta-feira, no entanto, não é feriado. As lojas abrem normalmente e são poucos os estabelecimentos (alguns escritórios) que deixam de funcionar. O feriado mesmo acontece por aqui na segunda-feira (todo feriado na Irlanda, com exceção do Dia de São Patrício e o Natal acontecem às segundas).

A grande diferença entre Brasil e Irlanda, na minha opinião, está nos supermercados. Aqui a variedade de ovos de páscoa é mínima, nada comparado ao que acontece no Brasil (corredores inteiros de grandes supermercados lotados de ovos de tamanhos e embalagens diferentes). O preço aqui também é infinitamente mais acessível, tanto as opções mais baratas dos supermercados quanto os ovos de marcas famosas.

Variedade mesmo por aqui você encontra se quiser decorar a casa para o domingo de Páscoa. Todos os supermercados e lojas de decoração vendem objetos com essa finalidade (desde decoração de papel até objetos em cerâmica) e isso é uma das coisas que mais me encantam aqui na Irlanda.

Outro costume tipicamente irlandês é mandar cartões desejando uma feliz Páscoa (eu não disse que qualquer coisa é motivo para mandar cartão por aqui?).

Quem tem filhos pequenos costuma esconder pequenos ovos pela casa (ou pelo jardim) e deixar as crianças procurarem por eles (cada um ganha uma cestinha especialmente decorada para guardar seus ovinhos).

Eu mal posso esperar pela Páscoa dos próximos anos só para ver o meu menino acordar e encontrar pegadas de coelhinho pela casa (feitas com farinha de trigo), uma cenora mordida (prova irrefutável da passagem do mesmo pelo recinto) e sair procurando pelos seus ovinhos.

Para saber se a Páscoa em outros países é assim também clique no link abaixo e boa leitura.

N.

 

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Categories : Blogagem Coletiva, Vida na Irlanda
Tags : Páscoa

Blogagem Coletiva: Bilinguismo na Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (34)
Wednesday, March 28th, 2012

Depois de muito tempo eu volto a participar de uma Blogagem Coletiva do Mães Internacionais. Nem poderia ser diferente já que o tema desse mês, bilinguismo, é uma das coisas que mais tem me interessado desde o nascimento do meu babóg.

Nunca houve nenhuma dúvida de que E. seria criado em duas línguas (se ele vai ser bilingue aí é outra estória). Esse assunto nem foi discutido com meu marido, foi simplesmente a decisão que nos pareceu mais natural. Toda minha família está no Brasil, meus pais nem ao menos entendem um mínimo de inglês, e seria injusto poupá-los do contato com o neto e vice-versa.

Além disso, eu me orgulho de dominar dois idiomas e quero, claro, que meu filho tenha a mesma oportunidade. No caso dele com uma vantagem enorme: a de aprender as duas desde o nascimento e ser capaz de falar as duas como nativo.

Decidimos então que eu falaria única e exclusivamente português com E., enquanto ao pai caberia o uso do inglês. Uma pessoa, uma língua. Isso para evitar confusão, para que ele aprenda as duas línguas sem a interferência dos sotaques estrangeiros (o meu em inglês e o do pai em português) e para que ele se acostume a falar com cada um de nós em uma língua diferente.

A família do marido nunca se opôs e nunca criou nenhuma dificuldade. Pelo contrário, existem exemplos de crianças criadas com sucesso em dois idiomas na família e eles também acharam natural que o neto aprendesse português.

A primeira dificuldade foi voltar a me adaptar a minha própria língua materna. Até o nascimento de E. eu falava muito mais inglês do que português. O inglês era a língua do trabalho, a língua do casamento, a língua da família adotada aqui na Irlanda, a língua do dia-a-dia. No começo achei difícil e vivia me policiando para não falar inglês com o filho, mesmo quando estávamos sozinhos. Hoje eu falo português com mais naturalidade mas ainda preciso tomar cuidado quando estou junto com a família do marido.

Ajuda muito o fato de poder contar com livros, cds e dvds em portugês e também o fato de todas as minhas amigas na Irlanda serem brasileiras. Meu marido entende muito bem português, o que só facilita, já que ele não se sente excluído das conversas.

Se E. vai demorar mais tempo do que o considerado normal para começar a falar (não é comprovado cientificamente mas me parece que na prática acontece com bastante frequência) nós não sabemos, mas estamos preparados para isso. Se ele vai “esquecer” o português (ou se recusar a usá-lo) quando começar a frequentar a escola, ou se vai dominar as duas línguas, também não.

O mais importante para mim, nessa fase,  é oferecer a ele as ferramentas para aprender mais de uma língua e a principalmente a necessidade de usar as duas. Por prazer e não por obrigação.

Para saber como as mães brasileiras tem enfrentado esse desafio eu te convido a clicar no link abaixo e conferir:

N.

Comments (34)
Categories : Blogagem Coletiva, Vida na Irlanda
Tags : bilinguismo

Blogagem Coletiva: A Alimentação Infantil e a Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (4)
Thursday, May 19th, 2011

Não, eu não vou escrever sobre o tema da blogagem coletiva do Mães Internacionais esse mês. Com um filho de 5 semanas não é preciso nenhum esforço para saber que eu não tenho a menor experiência no assunto alimentação infantil. E. é alimentado com fórmula (que dizem, custa bem caro no Brasil, verdade?)

Aliás, por experiência, só posso dizer que as papinhas de bebê prontas vendidas aqui na Irlanda são mais baratas do que no Brasil mas deixam a desejar no gosto. Eu sei porque uma das minhas esquisitices é gostar de papinha de bebê. Tem gente que gosta de jiló, eu gosto de papinha de bebê industrializada.

O que eu sei, é que minha sogra (que faz a melhor feijoada do mundo, já disse aqui) está esperando ansiosa para o dia em que o neto estiver comendo papinha, para introduzir esse prato brasileiro que já faz parte do cardápio dos Sorensen, em versão amassadinha.

Mal posso esperar…

N.

Para as mamães seguidoras do blog, fica aí embaixo o link para saber o que as crianças andam comendo mundo afora:

 

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Categories : Blogagem Coletiva

Blogagem Coletiva: A Amamentação e a Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (18)
Tuesday, April 19th, 2011

A blogagem coletiva do Mães Internacionais desse mês é sobre a a amamentação em diferentes partes do mundo.

Eu, com um bebê de seis dias em casa, não iria participar. No entanto, assim como quando o tema era licença maternidade, me encontro no olho do furacão. E pela primeira vez desde o início do projeto, saio da teoria para a prática. Conhecendo um pouco das outras mães internacionais sei que por aqui você vai ler relatos apaixonados de quem amamenta ou amamentou e de quem optou (ou não teve escolha) não amamentar. Ou ainda de quem pretende ou não fazê-lo. Mas acho que ninguém mais além de mim nesse momento pode dar uma opinião de tentante.

Pois é, estou tentando amamentar. E não, não tem sido fácil.

Aqui na Irlanda existe uma forte campanha de incentivo à amamentação. Eu diria até que há uma certa pressão, desde o pré-natal, para que as mães escolham esse caminho. O sistema público de saúde vem tentando a todo custo mudar o fato de que  o país tem um baixo indíce de aleitamento materno.

Em optei por tentar por causa dos benefícios que isso pode trazer para o meu filho (e para mim também). Com todo o respeito a quem faz diferente, eu achei que seria um pouco egoísta da minha parte  (já que não tenho outros filhos e tenho todo o suporte de membros da família para me ajudar com as outras tarefas) não tentar pelo menos.

A minha experiência começou assim que que meu filho nasceu, já que ele veio direto para o meu peito. Depois de algum tempo, com a ajuda da parteira, conseguimos fazer com que ele mamasse. Eram 6 horas da tarde e me aconselharam a alimentá-lo novamente em 4 horas. Naquela primeira noite consegui sozinha fazer com que ele pegasse direito no peito, mas levou pelo menos uma hora antes de cada mamada.

No dia seguinte, de novo com ajuda das parteiras/enfermeiras, o processo foi ficando mais fácil e tanto ele quanto eu aprendemos a nos posicionar de maneira correta. Apesar de algumas dores nos seios, achei que não teria grandes problemas.

No entanto em casa as coisas ficaram mais difíceis. Primeiro pelo cansaço físico. Amamentar requer que eu esteja acordada com ele boa parte do dia (e a noite inteira praticamente). Tendo passado por um parto normal (precedido por uma noite inteira praticamente em claro e por duas noites no hospital sozinha com o bebê), ainda me recuparando da episiostomia que me rendeu alguns pontos, e com os seios doloridos (e bem pesados), pés inchados, cheguei a achar a coisa toda quase desumana.

Em segundo lugar, E. precisa ser alimentado a cada duas horas, as vezes em intervalos menores. Cada mamada leva no mínimo 1 hora e meia. Isso porque ele adormece mamando, tem que ser acordado e começar tudo de novo. Durante a noite, ele praticamente ou está no meu peito, ou está chorando.

Confesso, cheguei a chorar também. Cheguei a pensar em desisitir. Achei que o fato de ele querer mamar tão frequentemente era sinal de que eu não tinha leite suficiente. Não fosse o fato de receber visitias diárias de uma parteira me assegurando que não estou fazendo nada de errado, já teria aderido as mamadeiras.

Por isso ao invés de dizer que estou amamentando, prefiro dizer que estou tentando. Dizem que após algumas semanas as coisas melhoram, e até lá eu espero aguentar firme.

Caso contrário, posso sempre dizer que fiz o meu melhor.

N,

Esse post faz parte de um projeto de blogagem coletiva. Para saber mais sobre a experiência de outras mães, em diferentes países, clique aqui.

 

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Categories : Amamentação, Blogagem Coletiva, Mães Internacionais, Pretensões e Desabafos

Blogagem Coletiva: O Parto e a Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (11)
Saturday, March 19th, 2011

A blogagem coletiva desse mês do Mães Internacionais é sobre o parto em diferentes partes do mundo.

Apesar de não poder contribuir ainda com a minha experiência pessoal eu não podia deixar de escrever a respeito, uma vez que obviamente tenho pensado tanto sobre isso nessas últimas semanas de gravidez.

A primeira vez que eu falei sobre parto aqui no blog foi aqui. De lá pra cá praticamente 6 meses se passaram e acho que posso dizer que estou mais tranquila com a idéia de um parto normal.

Como eu expliquei naquele post, aqui na Irlanda não existe a prática de cesárea, pelo menos não como no Brasil, a não ser no caso de uma gravidez de risco, ou de complicações para a mãe ou para o bebê. Então eu não tenho mesmo muita escolha. No entanto, hoje acho que se pudesse decidir optaria mesmo por um parto normal.

Isso porque atualmente o que mais me preocupa é o depois. Eu sei que muitas mães se recuperam muito rápido de uma cesárea mas eu não gostaria de arriscar ter que passar dias na cama, ou de sofrer com dores na cicatriz, ou qualquer outra complicação. Já passei por uma outra cirurgia antes e minha recuperação não foi fácil. Pelo meu histórico de depressão, não posso me dar ao luxo de não estar bem. Gostaria de poder caminhar, amamentar e dar atenção total ao meu babóg nos primeiros dias de vida. Tenho absoluta certeza que o meu bem-estar emocional vai depender em parte do meu bem estar-físico.

Além disso, toda a dor, e o que mais tiver que vir antes, vai muito provavelmente ser esquecido assim que tiver o pequeno nos braços.

O que  não mudou até agora é minha opção de como lidar com a dor. Ou melhor, de como não lidar com ela.

Antes de mais nada vale a pena mencionar as 3 opções mais comuns para alívio da dor, disponíveis a quem tem um filho aqui na Irlanda de parto normal:

  • TENS – não sei se existe no Brasil, mas é um aparelhinho (igual ao da foto abaixo) que através de eletrodos bloqueia a sensação de dor. Pode ser comprado por cerca de €90 ou alugado por menos da metade do preço, para ser utilizado em casa. Dizem funcionar bem no primeiro estágio do trabalho de parto enquanto as dores não são tão fortes. Não existe nenhuma contra-indicação, mas também não tem eficiência comprovada. Eu ainda estou pensando na possibilidade de alugar um para usar antes da hora de ir para o hospital, nas primeiras contrações.

  • Entonox – mais conhecido como o gás do riso, que pode ser usado durante todo o trabalho de parto (no hospital, claro). Pode causar tontura, desorientação, náusea e vômito. Parece ser a opção preferida das mães de segunda viagem, cujo trabalho de parto é mais rápido, ou como primeira opção, antes de se tentar a anestesia. As poucas pessoas que eu conheço e usaram, adoraram.
  • Epidural – anestesia local aplicada na base da espinha, que acho que todo mundo já ouviu falar. A vantagem? É o método mais eficaz contra a dor.  Desvantagens: pode fazer com que o trabalho de parto seja mais longo, não permite movimentação (ou seja a mãe precisa ficar na cama), a área da aplicação pode ficar dolorida por alguns dias, e o uso de fórceps pode ser necessário.

Até os anos 70 o National Maternity Hospital (a maior maternidade da Irlanda) não aprovava o uso indiscriminado da anestesia e mais de 90% dos partos eram realizados sem esse auxílio. Por essa razão muitas pacientes começaram a procurar por outros hospitais. A partir dos anos 90 essa política foi revista e hoje mais de 70% dos partos são realizados com a epidural.

Apesar desse número alto, durante meu curso pré-natal, eu fui a única gestante (num grupo com mais de 20) a levantar a mão quando perguntada se pretendia optar pela anestesia, o que me deixou com a impressão de que existe certo preconceito por parte das irlandesas. Ou uma certa ignorância quanto ao nível da dor causada pelas contrações.

Já eu, despretenciosamente, não tenho problema nenhum em admitir que não me vejo suportando tamanha dor. Como eu disse, estou pensando em usar o TENS em casa, talvez o gás quando chegar ao hospital, mas tenho quase certeza que vou acabar mesmo com a agulha nas costas.

Claro, eu prefiro que a coisa toda aconteça com menos intervenções possíveis, mas com fórceps ou sem fórceps (ou ventosa), com pontos ou não, no final das contas, só o que eu quero é um babóg saudável e perfeito.

E nesse caso acho que somos todas iguais, sejam os partos normais ou cirúrgicos, curtos ou longos, em casa, no hospital, com médico ou parteira, no Brasil, na Irlanda, no Japão, ou no Irã.

N.

Esse post faz parte de um projeto de blogagem coletiva. Para saber mais sobre a expêriencia de outras mães em diferentes países clique aqui.

 

 

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Categories : Blogagem Coletiva, Gravidez, Mães Internacionais, Parto, Vida na Irlanda

Blogagem Coletiva: O Dia Internacional da Mulher

By Nivea Sorensen · Comments (18)
Tuesday, March 8th, 2011

Reza a lenda que no dia 8 de Março de 1956, em Nova York, 129 operárias em greve por melhores condições de trabalho foram trancadas dentro da fábrica onde trabalhavam e morreram num incêndio causado pelos patrões e pela polícia. Por essa razão, o 8 de Março teria sido escolhido como data para a celebração do Dia Internacional da Mulher, uma data oficial no calendário da ONU desde 1977.

Para ser sincera eu já tive opiniões completamentes opostas sobre a data. Quando pequena me lembro de achar o máximo sair com a minha mãe e vê-la ganhando botões de rosa das lojas onde passávamos. Acho ainda que quando adolescente eu também ganhei as minhas.

Anos depois, mais crítica (e chata), estudando história e achando que ainda ia mudar o mundo, passei a fazer parte do grupo que repudiava a comemoração por ser machista, e por outras várias razões que não vêm ao caso agora. Nessa época as rosas eram mais escassas, mas se me deparasse com alguém me oferecendo uma, dizia um simples “não, obrigada”.

E depois, bom depois me dei conta de que não havia nada de errado em se comemorar a aquisição de alguns direitos que fizeram com que as diferenças entre homens e mulheres diminuíssem consideravelmente, apesar de ainda aparentes em muitos setores da sociedade e gritantes em muitos cantos do mundo.

Hoje , se me fossem oferecidos botões de rosa pela data, eu os aceitaria em nome de tantas mulheres que vieram antes de mim, que lutaram e muitas vezes morreram para que hoje eu pudesse trabalhar, estudar, votar (e olha só, escolher como presidente do meu país uma outra mulher).

Cheguei então a conclusão, após muito pensar se escreveria sobre esse tema ou não, que me recuso a comemorar o fato de ser mulher em si. Questiono o senso-comum que prega que somos mais frágeis, sensíveis, ou de vênus, ou qualquer qualidade ou defeito baseada só no sexo. Mas comemoro a vida e a morte de mulheres como Anita Garibaldi, Chiquinha Gonzaga, Olga Benário Prestes, e tantas outras cujos nomes não foram nunca registrados nos livros de história, que quebraram barreiras e lutaram pelo que acreditavam.

Foi por essa razão que acabei aceitando o convite da Blogagem Coletiva – Mães Internacionais para escrever sobre a data. O tema pode a princípio fugir um pouco do objetivo do projeto, que é falar sobre maternidade, mas pensando um pouquinho melhor, nós somos todas mulheres muito antes se sermos mães.

Ao final desse post você vai encontrar o link para as outras mulheres que também aceitaram o desafio de escrever sobre o tema, que de tão amplo, não possibilitou que escolhessemos um único enfoque.

E por isso também nesse 8 de Março, nós, 24 brasileiras residentes fora do Brasil, mães e blogueiras lançamos oficialmente o site do projeto Mães Internacionais, que está apenas começando.

Não cabe aqui escrever sobre o projeto em si, mas eu mesma escrevi o texto de apresentação e ficaria extremamente contente se você que sempre me lê aqui fosse até lá nos fazer uma visita.

Antes de terminar, deixo registrado aqui todo meu amor e respeito pela mulher mais importante da minha vida. Ela nem sabe da existência desse blog, mas sabe o quanto eu a amo.

Feliz Dia Internacional da Mulher para você que ama, repudia, ou simplesmente ignora a data. E um especial para as outras 23 mulheres que eu tive o prazer de conhecer virtualmente nos últimos meses. Sintam-se todas beijadas.

N.

PS. Não deixe de conferir a visão de outras mães ao redor do mundo sobre o Dia Internacional da Mulher:

Carol (Argentina)

Neda (Argentina)

Livia (Austrália)

Fernanda (Canadá)

Simone (Canadá)

Carine (França)

Ingrid  (Holanda)

Maria Clara (Indonésia)

Carol P (Inglaterra)

Claudia (Inglaterra)

Karine (Irlanda)

Daniela (Itália)

Joice (Itália)

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Categories : Blogagem Coletiva, Mães Internacionais

Blogagem Coletiva: A Licença Maternidade e a Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (11)
Saturday, February 19th, 2011

O assunto da Blogagem Coletiva das Mães Internacionais desse mês é a Licença Maternidade.

Coincidentemente eu passei boa parte dessa última semana lendo e relendo sobre o assunto já que o meu prazo para a entrega dos formulários para o recebimento do benefício terminou ontem.

Acabei deixando para a última hora e quase perco o prazo. No final consegui juntar toda a papelada e mandar pelo correio na quarta-feira. Apesar da opção de postar de graça, achei melhor não arriscar e paguei por uma express delivery, só para garantir que os documentos seriam recebidos no prazo. Me custou somente 7 euros.

Aqui na Irlanda a coisa funciona da seguinte maneira: toda mulher empregada que engravida tem direito à licença maternidade, independentemente da nacionalidade, do tipo de trabalho, de quantas horas são trabalhadas, ou de quanto tempo ela trabalha para a empresa. Esse período de licença pode chegar às 26 semanas (cerca de 6 meses) e ainda ser estendido por mais 16 semanas (que nesse caso não são remuneradas, nem pela empresa, nem pelo governo). No mínimo a mulher é obrigada a sair de licença por 2 semanas antes da data prevista para o parto e 4 semanas após o parto, ou seja, por pelo menos 6 semanas caso o bebê chegue na data prevista.

Durante esse periodo a empresa é obrigada a manter o cargo e o contrato de trabalho da mãe. Caso eles não possam garantir o mesmo cargo ao final da licença, um outro tem que ser colocado à disposição e não pode ser menos favorável à mulher do que seu cargo anterior.

E é aí que terminam as obrigações da empresa. Ou seja, eles não são obrigados a pagar à mulher seu salário (integral ou não), a não ser que esses termos tenham sido negociados à época da contratação. Acredito que grandes empresas e mulheres em altos cargos devam contar com esse benefício. Eu me encontro entre a grande maioria que não pôde negociar (ou exigir) que isso fosse incluído em contrato.

Para essa maioria de mulheres existe o Benefício Maternidade, pago pelo Departamento de Proteção Social. Mas ao contrário da licença maternidade, para receber o benefício a mulher precisa ter trabalhado (não importa se em período integral ou não) por pelo menos 39 semanas antes do inicio da licença maternidade (2 semanas antes da data prevista para o parto). Eu passei nesse critério praticamente raspando já que até a data de início da minha licença vou ter trabalhado por 43 semanas.

O pagamento nesse caso é feito semanalmente (por 26 semanas) através de depósito bancário. O que determina o valor são os ganhos da mulher durante esse período antes da licença. No entanto, a diferença entre o piso mínimo e máximo é de somente €44 semanais.

Esse valor pode ainda ser aumentado caso a mulher tenha dependentes: filhos e/ou marido desempregado. Existe também um acréscimo nesse valor caso o marido ganhe menos do que €350 semanais.

Uma vez se encaixando nesses critérios tudo o que a mulher precisa fazer é imprimir e preencher o formulário disponível online. Uma parte do formulário precisa ser preenchida e assinada pelo médico e outra pela empresa, mas nada que demande muito tempo ou esforço. Tudo pode ser envidado pelo correio, sem despesas. No meu caso, por não ser irlandesa e por não ter me casado aqui na Irlanda precisei incluir cópias autenticadas do meu visto de esposa e minha certidão de casamento. Ambas as cópias foram feitas numa delegacia de polícia sem nenhum custo, burocracia ou espera. Só apresentei os originais e pedi as cópias.

Para saber sobre a licença paternidade aqui na Irlanda não deixe de conferir o post da Karine.

E para saber como a licença maternidade/paternidade funciona em outros países o link para os blogs das mães internacionais está logo aí em baixo.

N.

Argentina - Carol e suas baby-bobeiras

Austria – Adeus quilinhos

Canadá - Colorida Vida

Espanha - Coisas minhas

Estados Unidos - NY with kids

França - Carrego no pano

França - Journal de Béatrice

Holanda - Family around

Inglaterra - Mother love data base

Inglaterra - Filhos Bilingues

Itália – Mamães na Itália

Itália - A vida avida

Monaco - Na casa da Beta

Suiça - Who’d say?

PS. A Blogagem Coletiva volta no mês que vêm e em breve o site do projeto estará no ar. Aguardem novidades.

Comments (11)
Categories : Blogagem Coletiva, Gravidez, Licença Maternidade, Mães Internacionais

Blogagem Coletiva: O Pré-natal e a Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (11)
Saturday, January 15th, 2011

A minha vida aqui na Irlanda é, desnecessário dizer, muito diferente da vida que eu tinha no Brasil.

No Brasil eu jamais pensaria na hipótese de ter um filho sem ter um plano de saúde há tempo suficiente para cobrir minhas despesas com pré-natal e parto, ou sem ter dinheiro suficiente para pagar as mesmas despesas na rede privada.

Aqui na Irlanda isso nem me passou pela cabeça e engravidei sem ter plano de saúde. Claro, seria melhor se tivesse, mas está longe de ser o fim do mundo o fato de eu ter que contar com o sistema de saúde pública irlandês.

Descobri a gravidez já com 8 semanas e no dia seguinte marquei consulta e fui atendida por um GP (General Practioner, aqui também chamado médico da família, ou ainda clínico geral como ele seria chamado em bom português).  Paguei pela consulta €40, que deve ser o preço médio de uma consulta médica por aqui. Já estava preparada para pagar também por um exame de sangue para confirmar a gravidez, mas para minha supresa e estranhamento, o médico simplesmente usou um palitinho na minha urina e disse que tinha certeza absoluta da gravidez.

Foi o médico mesmo que preencheu um formulário que eu assinei e que segundo ele seria encaminhado para o HSE (Health Service Executive, o SUS daqui) para que eu não precisasse mais pagar pelas próximas consultas.  Todo mundo que é residente na Irlanda, e tem portanto um número de cadastro no serviço social tem direito a esse serviço, independente da nacionalidade ou do tipo de visto (estudante, esposa e etc.).

Foi ele também que me forneceu uma carta que eu deveria apresentar na maternidade mais próxima da área em que eu resido, e todas as informações sobre o que eu precisava ou não fazer. Me explicou também que na Irlanda o pré-natal funciona da seguinte maneira: as consultas são intercaladas, uma vez no hospital (com um médico obstetra ou com uma parteira) e outra no consultório, com o GP. A frequência das visitas vai aumentando conforme a gravidez avança e também no caso de alguma doença (como diabetes ou hipertensão, por exemplo) ou no caso de uma gravidez de risco.

Chegando em casa eu liguei na maternidade para agendar minha primeira consulta e o primeiro ultra-som. Confesso, fiquei preocupada com o tempo que teria que esperar. Depois percebi que esse é o jeito como as coisas são feitas por aqui e me acalmei.

A consulta foi marcada para minha semana 16 e aconteceu numa clínica ao lado do hospital, com duas parteiras. Nessa consulta foi levantado meu histórico médico (e do meu marido) e colhidas amostras de urina e sangue. Também me pesaram, mediram minha pressão e ouvimos pela primeira vez o coração do bebê. Pelo fato de eu ter tido depressão duas vezes fui encaminhada para uma consulta com um psiquiatra especialista em depressão pós-parto.

Desde então estive com uma enfermeira especialista em saúde mental, numa consulta bem demorada e tenho já um horário marcado com o psiquiatra. Escrevi sobre isso aqui.

O ultra-som (meu segundo, já que paguei por um numa clinica particular, quando estava com 16 semanas) foi feito na semana 22.

Nesse meio tempo continuei e continuo vendo o GP. Durante essas consultas, ele sempre coleta uma amostra de urina e testa no próprio consultório (acredito que para verificar o nível de glicose), e verifica meu peso e pressão arterial e os batimentos cardiacos do bebe.

Já a minha segunda consulta no hospital (dessa vez com o obstetra), aconteceu no inicio dessa semana (a 25) e seguiu basicamente o mesmo padrão. Dessa vez no entanto, ao invés de ouvir os batimentos cardíacos pudemos ver o bebê através do ultra-som. Achei a consulta meio rápida e impessoal, mas eu não tinha queixa ou dúvida nenhuma, então tudo bem. Como comentei com a enfermeira que estava sentindo muita sede e indo ao banheiro com muita frequência ela achou melhor pedir o exame de glicose que foi feito na hora (o resultado, normal, saiu no dia seguinte).

Ao final das consultas saio sempre de lá com a próxima já agendada, e marcada numa espécie de carteirinha que eu tenho que levar sempre comigo (e depois elas são confirmadas pelo hospital através de correspondência o que eu acho bem legal porque me ajuda a lembrar as datas).

Faz parte do pré-natal aqui também o curso de gestante (que o papai também participa) e que é de graça caso você tenha disponibilidade para fazer durante o dia. Como ele dura várias semanas achamos melhor pagar e fazê-lo fora do horário de trabalho. A minha primeira aula vai ser dia 03 de Fevereiro e volto aqui para contar.

Até esse momento (e acredito que até o final da gravidez) não passei por nenhum exame ginecológico. Como nunca tive outro filho, aqui ou no Brasil, não sei se isso é comum.

O que eu sei é que me sinto cuidada e em boas mãos.

N.

PS. esse post faz parte de um projeto de blogagem coletiva de mães de diferentes partes do mundo, para quem tiver curiosidade sobre como isso funciona em outros países, o link delas está aí em baixo:

Na Casa da Beta (Roberta, Mônaco)
http://betinhazinha.com

Minha Aquarela (Cintia, Suécia)
http://cintiaanira.blogspot.com

O Astronauta (Flávia, Espanha)
http://www.joaoastronauta.com

Mamães na Itália (Daniela, Itália)
http://mamaesnaitalia.com

Mix dos 30 (Daphne, Itália)
http://matteodaphne.blogspot.com

Mother Love Database (Carol, Inglaterra)
http://motherlovedatabase.blogspot.com

Journal de Beatrice (Ana Paula, Franca)
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