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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Licença Maternidade

On a budget

By Nivea Sorensen · Comments (22)
Wednesday, October 19th, 2011

Eu não sei se você reparou, mas estamos no meio de outubro e eu continuo em casa lendo, escrevendo, assistindo TV, fazendo bolos cuidando do meu babóg.

Pois é, a licença maternidade remunerada acabou-se no início desse mês e, embora eu esteja ainda oficialmente empregada, não voltei ao trabalho e não recebo mais um centavo do governo para manter essa minha vida difícil. Tudo bem que eu não posso reclamar, pois licença de 6 meses é até luxo considerando-se que muitos países oferecem bem menos do que isso.

A decisão de não voltar ao trabalho, pelo menos por enquanto, é assunto para outro post. Hoje eu estou aqui para reclamar escrever sobre a falta de dinheiro.

Por um lado eu estou feliz da vida que eu tenho essa opção. Sem o meu salário a gente não deixa de pagar nenhuma conta, não precisa se mudar para um apartamento mais barato, e até vive tranquilamente. Por outro lado, não tem mais como gastar dinheiro à toa. Não tem mais sair por aí fazendo compras porque eu estou de TPM e não porque eu preciso de fato de alguma coisa. Não tem mais sair para jantar (não que seja possível fazer isso depois que E. nasceu) ou beber sem um motivo especial.

Esse mês pela primeira vez na nossa vida de casal a gente teve que sentar, se programar e estabelecer um orçamento semanal para que o mês não termine antes do salário de I., que não ganha mal, mas também não ganha nenhuma fortuna.

Fácil não é; eu queria estar circulando por aí com MEU próprio dinheiro, fazendo compras e não contas. Se foi a melhor decisão também não sei. Se é definitivo, sei menos ainda. Se vou me arrepender, não posso garantir. Mas foi a decisão que eu tomei baseada no que me faria mais feliz nesse momento da minha vida. Sim, a mim, e não ao meu filho ou ao meu marido. Pensei em mim em primeiro lugar, e acho que sendo mais feliz eu vou fazer a vida deles mais feliz também. E sem culpar ninguém mais tarde pelas minhas decisões.

E se a vida me deu esse limão eu vou fazer um bolo, que é muito melhor do que limonada. E aí vou sentar no sofá da minha sala nesse dia frio, com uma xícara de chá, e olhar o meu babóg brincar. Vou ganhar dele um sorriso banguela e me considerar uma mãe de sorte.

De muita sorte.

N.

Comments (22)
Categories : Licença Maternidade, Pretensões e Desabafos

Blogagem Coletiva: A Licença Maternidade e a Irlanda

By Nivea Sorensen · Comments (11)
Saturday, February 19th, 2011

O assunto da Blogagem Coletiva das Mães Internacionais desse mês é a Licença Maternidade.

Coincidentemente eu passei boa parte dessa última semana lendo e relendo sobre o assunto já que o meu prazo para a entrega dos formulários para o recebimento do benefício terminou ontem.

Acabei deixando para a última hora e quase perco o prazo. No final consegui juntar toda a papelada e mandar pelo correio na quarta-feira. Apesar da opção de postar de graça, achei melhor não arriscar e paguei por uma express delivery, só para garantir que os documentos seriam recebidos no prazo. Me custou somente 7 euros.

Aqui na Irlanda a coisa funciona da seguinte maneira: toda mulher empregada que engravida tem direito à licença maternidade, independentemente da nacionalidade, do tipo de trabalho, de quantas horas são trabalhadas, ou de quanto tempo ela trabalha para a empresa. Esse período de licença pode chegar às 26 semanas (cerca de 6 meses) e ainda ser estendido por mais 16 semanas (que nesse caso não são remuneradas, nem pela empresa, nem pelo governo). No mínimo a mulher é obrigada a sair de licença por 2 semanas antes da data prevista para o parto e 4 semanas após o parto, ou seja, por pelo menos 6 semanas caso o bebê chegue na data prevista.

Durante esse periodo a empresa é obrigada a manter o cargo e o contrato de trabalho da mãe. Caso eles não possam garantir o mesmo cargo ao final da licença, um outro tem que ser colocado à disposição e não pode ser menos favorável à mulher do que seu cargo anterior.

E é aí que terminam as obrigações da empresa. Ou seja, eles não são obrigados a pagar à mulher seu salário (integral ou não), a não ser que esses termos tenham sido negociados à época da contratação. Acredito que grandes empresas e mulheres em altos cargos devam contar com esse benefício. Eu me encontro entre a grande maioria que não pôde negociar (ou exigir) que isso fosse incluído em contrato.

Para essa maioria de mulheres existe o Benefício Maternidade, pago pelo Departamento de Proteção Social. Mas ao contrário da licença maternidade, para receber o benefício a mulher precisa ter trabalhado (não importa se em período integral ou não) por pelo menos 39 semanas antes do inicio da licença maternidade (2 semanas antes da data prevista para o parto). Eu passei nesse critério praticamente raspando já que até a data de início da minha licença vou ter trabalhado por 43 semanas.

O pagamento nesse caso é feito semanalmente (por 26 semanas) através de depósito bancário. O que determina o valor são os ganhos da mulher durante esse período antes da licença. No entanto, a diferença entre o piso mínimo e máximo é de somente €44 semanais.

Esse valor pode ainda ser aumentado caso a mulher tenha dependentes: filhos e/ou marido desempregado. Existe também um acréscimo nesse valor caso o marido ganhe menos do que €350 semanais.

Uma vez se encaixando nesses critérios tudo o que a mulher precisa fazer é imprimir e preencher o formulário disponível online. Uma parte do formulário precisa ser preenchida e assinada pelo médico e outra pela empresa, mas nada que demande muito tempo ou esforço. Tudo pode ser envidado pelo correio, sem despesas. No meu caso, por não ser irlandesa e por não ter me casado aqui na Irlanda precisei incluir cópias autenticadas do meu visto de esposa e minha certidão de casamento. Ambas as cópias foram feitas numa delegacia de polícia sem nenhum custo, burocracia ou espera. Só apresentei os originais e pedi as cópias.

Para saber sobre a licença paternidade aqui na Irlanda não deixe de conferir o post da Karine.

E para saber como a licença maternidade/paternidade funciona em outros países o link para os blogs das mães internacionais está logo aí em baixo.

N.

Argentina - Carol e suas baby-bobeiras

Austria – Adeus quilinhos

Canadá - Colorida Vida

Espanha - Coisas minhas

Estados Unidos - NY with kids

França - Carrego no pano

França - Journal de Béatrice

Holanda - Family around

Inglaterra - Mother love data base

Inglaterra - Filhos Bilingues

Itália – Mamães na Itália

Itália - A vida avida

Monaco - Na casa da Beta

Suiça - Who’d say?

PS. A Blogagem Coletiva volta no mês que vêm e em breve o site do projeto estará no ar. Aguardem novidades.

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Categories : Blogagem Coletiva, Gravidez, Licença Maternidade, Mães Internacionais

Ignorance is bliss

By Nivea Sorensen · Comments (8)
Friday, January 21st, 2011

A Suzana Vieira acha que pode cantar. A Geisy Arruda (oi?) acha que pode virar apresentadora de TV. A Solange Couto acha que pode usar biquini. A Victoria Beckham acha que vai ter uma menina. A Katie Holmes acha que o Tom Cruise é macho. Muita gente achava (até a semana passada quando, pasmem, ela confessou o contrário) que a Nicole Kidman não usava botox. A audiência da Globo acha que assistir o BBB-sei-lá-que-edição adiciona qualquer coisa à vida delas. Os paulistas ainda acreditam que o governo do PSDB em São Paulo vai fazer alguma coisa para evitar as catástrofes que as águas de março (que por sua vez acham que podem chegar cada vez mais cedo) trazem todos os anos.

Exemplo de gente que se engana acredita é o que não falta. Aliás, o mundo divide-se em três grupos: esse aí de cima (quase sempre, eu disse quase sempre, composto de gente com pouco ou nenhum talento para coisa alguma); o grupo totalmente oposto, que quase sempre termina em depressão, hospício, suicídio ou no mínimo uma orelha decepada; e finalmente o grupo dos “normais”.

Eu resolvi mudar de grupo. Como ainda estou em fase de transição AINDA não acho que posso cantar, usar biquini, ou ponho fé no governo do Alaguistão (para citar D. cujo senso de humor e falta de, eu sinto tanta saudade). Quem sabe eu chego lá.

Enfim, começo botando a maior fé de que minha licença maternidade vai ser um período de luxo e glória. Aliás, para que chamar de licença maternidade o que eu posso chamar de “férias remuneradas”? Afinal, vão ser 6 meses em casa, com um bebê que vai dormir a noite inteira, não vai chorar horrores, vai ter rotina (minha palavra preferida) para comer, para dormir, até para chorar, estar sempre limpinho e cheiroso. Consequentemente, eu vou estar sempre linda e descansada (e cheirosa). Vou ler mil livros, assistir todos os filmes legais, estudar espanhol. Vou emagracer todos os quilos ganhos durante a gestação, e uns a mais, e amamentar vai ser só prazer.

Tudo isso claro, durante o escaldante verão Irlandês.

N.

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Categories : Gravidez, Licença Maternidade, Pretensões e Desabafos

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