Reza a lenda que no dia 8 de Março de 1956, em Nova York, 129 operárias em greve por melhores condições de trabalho foram trancadas dentro da fábrica onde trabalhavam e morreram num incêndio causado pelos patrões e pela polícia. Por essa razão, o 8 de Março teria sido escolhido como data para a celebração do Dia Internacional da Mulher, uma data oficial no calendário da ONU desde 1977.

Para ser sincera eu já tive opiniões completamentes opostas sobre a data. Quando pequena me lembro de achar o máximo sair com a minha mãe e vê-la ganhando botões de rosa das lojas onde passávamos. Acho ainda que quando adolescente eu também ganhei as minhas.

Anos depois, mais crítica (e chata), estudando história e achando que ainda ia mudar o mundo, passei a fazer parte do grupo que repudiava a comemoração por ser machista, e por outras várias razões que não vêm ao caso agora. Nessa época as rosas eram mais escassas, mas se me deparasse com alguém me oferecendo uma, dizia um simples “não, obrigada”.

E depois, bom depois me dei conta de que não havia nada de errado em se comemorar a aquisição de alguns direitos que fizeram com que as diferenças entre homens e mulheres diminuíssem consideravelmente, apesar de ainda aparentes em muitos setores da sociedade e gritantes em muitos cantos do mundo.

Hoje , se me fossem oferecidos botões de rosa pela data, eu os aceitaria em nome de tantas mulheres que vieram antes de mim, que lutaram e muitas vezes morreram para que hoje eu pudesse trabalhar, estudar, votar (e olha só, escolher como presidente do meu país uma outra mulher).

Cheguei então a conclusão, após muito pensar se escreveria sobre esse tema ou não, que me recuso a comemorar o fato de ser mulher em si. Questiono o senso-comum que prega que somos mais frágeis, sensíveis, ou de vênus, ou qualquer qualidade ou defeito baseada só no sexo. Mas comemoro a vida e a morte de mulheres como Anita Garibaldi, Chiquinha Gonzaga, Olga Benário Prestes, e tantas outras cujos nomes não foram nunca registrados nos livros de história, que quebraram barreiras e lutaram pelo que acreditavam.

Foi por essa razão que acabei aceitando o convite da Blogagem Coletiva – Mães Internacionais para escrever sobre a data. O tema pode a princípio fugir um pouco do objetivo do projeto, que é falar sobre maternidade, mas pensando um pouquinho melhor, nós somos todas mulheres muito antes se sermos mães.

Ao final desse post você vai encontrar o link para as outras mulheres que também aceitaram o desafio de escrever sobre o tema, que de tão amplo, não possibilitou que escolhessemos um único enfoque.

E por isso também nesse 8 de Março, nós, 24 brasileiras residentes fora do Brasil, mães e blogueiras lançamos oficialmente o site do projeto Mães Internacionais, que está apenas começando.

Não cabe aqui escrever sobre o projeto em si, mas eu mesma escrevi o texto de apresentação e ficaria extremamente contente se você que sempre me lê aqui fosse até lá nos fazer uma visita.

Antes de terminar, deixo registrado aqui todo meu amor e respeito pela mulher mais importante da minha vida. Ela nem sabe da existência desse blog, mas sabe o quanto eu a amo.

Feliz Dia Internacional da Mulher para você que ama, repudia, ou simplesmente ignora a data. E um especial para as outras 23 mulheres que eu tive o prazer de conhecer virtualmente nos últimos meses. Sintam-se todas beijadas.

N.

PS. Não deixe de conferir a visão de outras mães ao redor do mundo sobre o Dia Internacional da Mulher:

Carol (Argentina)

Neda (Argentina)

Livia (Austrália)

Fernanda (Canadá)

Simone (Canadá)

Carine (França)

Ingrid  (Holanda)

Maria Clara (Indonésia)

Carol P (Inglaterra)

Claudia (Inglaterra)

Karine (Irlanda)

Daniela (Itália)

Joice (Itália)