Barriga Gravidez Vida na Irlanda

26 semanas e o esquema dominó

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Nada passa mais devagar do que o tempo quando a gente está grávida. Suspeito que na segunda gravidez essa percepção de tempo que se arrasta seja ainda maior.

Tirando a barriga que cresce muito parece que nada acontece. Bebê alface está bem, se mexe quase que o tempo todo (ao contrário do E. cujos movimentos eu mal sentia). Minha coluna também dá sinais de que não aguenta muito mais tempo sem fisioterapia (que estou adiando de muita preguiça e porque a dor deu uma trégua e foi substituida por uma perna dormente).

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No sábado recebemos a visita da parteira, em casa, para uma consulta de rotina. Ela trouxe todos os documentos de autorização para um parto domicilar, já que essa era nossa vontade. Ainda não tinha contado para ela sobre a nossa mudança para uma área longe da maternidade, o que impossibilita o parto domiciliar. Na verdade queria ter essa conversa pessoalmente para saber que opções me restavam.

Diferentemente da minha primeira gravidez, dessa vez eu tinha optado por um outro esquema de pré-natal (parto e pós parto) chamado Domino Scheme. Esse esquema permite que mulheres saudáveis, sem histórico de problemas de saúde e com gestações sem risco possam parir fora de um ambiente hospitalar, de maneira natural e sem intervenções desnecessárias (não existe rompimento de bolsa, ocitocina, anestesia, episiotomia, nada disso). Se a gravidez for absolutamente sem risco para a mãe e bebê o parto pode ser feito em casa ou se você preferir, pode ser numa sala de parto dentro da própria maternidade. Nesse esquema ao invés de fazer o pré-natal com obstetra e parteira na maternidade você é atendida só pelas parteiras da comunidade, em clinicas de bairro, caso queira parir no hospital, ou em casa se o parto for domiciliar. Isso tudo dentro do sistema publico de saúde, sem nenhum custo.

Acontece que esse tipo de cuidado só é oferecido para quem mora numa área próxima à maternidade, o que era meu caso. Isso para facilitar a locomoção das parteiras e claro, possibilitar o transporte rápido para o hospital no caso de uma emergência.

Eu já sabia que a mudança impediria o parto domicilar mas ainda não tinha certeza se ainda teria possibilidades de manter meu pré-natal feito pelas parteiras fora da maternidade ou se seria transferida para lá. A diferença nesse caso é que as consultas no hospital são muito rápidas e um pouco frias, além do tempo que você é obrigada a esperar para ver um médico. Na clinica eu realmente me sentiria melhor acolhida.

A parteira me tranquilizou me dizendo que apesar de eu estar fora da área permitida elas não tem o costume de abandonar nenhuma gestante nessa altura da gravidez e que eu ainda posso contar com o apoio delas durante o pré-natal e parto. Isso quer dizer que a partir de agora minhas consultas deixam de ser em casa e passam a acontecer na clínica (no meu caso a mais próxima ainda fica dentro da maternidade). O parto apesar de hospitalar ainda vai ser feito pelas parteiras do domino scheme, com o minino possível de intervenções e seguindo o meu próprio plano de parto, se assim eu quiser. Depois disso, no entanto, elas não podem cuidar do meu pós-parto e isso vai ficar por conta do hospital, o que pouco me preocupa.

Fiquei triste por não poder parir em casa mas feliz por pelo menos ter a situação de volta sob controle, de saber o que me resta e como posso fazer dessa experiência a melhor possível.

Além disso ela me disse que se esse vai ser um parto ainda mais rápido que o primeiro (eu achava que era tendência, ela me disse ser certeza) o que me deixa mais confiante para encarar um hospital sem intenção de receber alívio para dor. Confesso que tenho receio de não aguentar um trabalho de parto muito longo num ambiente hospitalar.

A visita dela aqui em casa ainda permitiu que E. ouvisse o coração do bebê bater. Ele achou parecido com um trem, perguntou se a parteira era médica e se ia me levar para o hospital para ter o bebê. Depois ainda passou a tarde dizendo que “ama parteiras”.

Ou seja, tudo indo leeeeentamente bem por aqui.

N.

16 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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October 28, 2014
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16 Comments

  • Natália

    Uau! Isso é que é respeito pelo ser humano! Quanta sensibilidade dessa parteira!
    Vc está em muito boas mãos!
    E essas fotos com o E. estão um arraso!
    bjs

  • Manu Maia

    Ah, entao sao boas noiticias. 🙂
    Sei q o E. nao è santo, mas toda vez q o vejo-leio me parece um menino taaaao doce! Coisa linda!
    Beijo noces!

  • Flávia Borba Silva

    Que sonho de atendimento a gestante e que sonho de parto!! É uma pena ainda estarmos tão distantes dessa realidade aqui no Brasil. Porque olha, dá uma tristeza a gente ler, estudar, se empoderar e não ter 9 mil reais para poder ter um parto digno e respeitoso! Mas a esperança é que isso mude (e que não demore muito) e que todas nós brasileiras possamos ser respeitadas, que possamos contar com equipes humanizadas e que acima de tudo isso seja uma realidade palpável para todas. Fico imensamente feliz de Vc poder vivenciar tudo isso! Parabéns pela familia!

  • Cintia Romano

    O sistema da Irlanda é muito bom! O Brasil precisa avançar e muito.
    Eu quero um parto humanizado quando engravidar novamente, mas aqui, só com equipe particular.

    Ahhh, o E. é demais!!!
    Bjs

  • Bibi

    Que legal, Nívea. tudo devagar, mas dando super certo. E o E. super parceirão como sempre!
    E eu acho que pode ser menina… hehehhe

  • Thais Bessa

    Que engraçado, eu achei que a minha segunda gravidez não se arrastou. Acho que era muita correria com Bebella + casa + trabalho full-time e a mudança de casa. Vc vai ver que quando começar a mudança de fato vc nào vai nem notar passando. Quando olhar já nasceu!

    Bjs

  • Melissa

    Oi Nívea!!
    Você e o E. estão lindos!! Parabéns!!
    Gostaria de te dar uma sugestão que não tem nada a ver com seu post…Leio seu blog há muito tempo, e me identifico muito com ele. Li recentemente um livro que mudou minha vida (sem exagero) e me lembrei de você. É o livro Dieta da Mente, já ouviu falar? Não é charlatanismo não, ele é muito sério, tente ler e veja o que acha.
    Bjs, com carinho
    Melissa

    • Nivea Sorensen

      Melissa,
      Muito obrigada pela dica. Vou dar uma olhada no livro, nunca tinha ouvido falar. x

  • Fernanda

    Vai dar tudo certo,não tenho dúvidas!

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