saude e bem-estar

TDPM, cirurgia e recuperação

* continuação desse post aqui.

Dia 12 de Novembro fui internada para a realizacão de uma histerectomia completa vaginal assistida por videolaparoscopia. Isso significa basicamente que meu útero, ovários, trompas e cervix foram retirados sem corte abdominal, mas pela vagina. Para isso eu sofri 3 pequenas incisões no abdomen (incluindo uma dentro do umbigo) para a passagem dos intrumentos e da cämera que auxiliaria o cirurgião e vários pontos internos. 

Eu passei então de uma menopausa química (causada por medicação)  à menopausa cirúrgica (causada pela retirada os ovários)

Esse tipo de cirurgia é menos invasiva, e por isso a recuperação é bem mais rápida, do que uma cirurgia com corte abdominal. Ainda assim, é considerada uma cirurgia de grande porte com tempo total de recuperação por volta de 6 semanas.

Alguns dias antes da operação comecei a sentir muito medo de algo dar errado. Uma sensação muito diferente da que havia sentido quando fiz minha única cirurgia anterior, antes de ter filhos. Ao mesmo tempo não via a hora de ser operada, de ter a chance de voltar a ter uma vida normal.

Chegamos ao hospital, Ian e eu, bem cedo e fui levada ao meu quarto. Fiz a cirurgia num hospital/maternidade público mas pagamos por tudo: médico, anestesista, acomodação (é comum na Irlanda que somente pacientes sem meios de pagar pelo serviço façam uso de graça e que outros pacientes paguem pelo mesmo) e por isso fiquei num quarto sozinha, o que foi ótimo, muito melhor do que eu esperava.

Por volta do meio-dia uma enfermeira veio me buscar para o centro cirúrgico.Vesti aquela camisola horrorosa de hospital (aberta atrás) e calcinhas descartáveis e fomos andando.

Numa pequena sala de espera eu assinei toda a documentação necessária, aquela em que você diz saber de todos so riscos e conversei com uma das cirurgiãs que participariam da minha operação. Ela perguntou se eu tinha dúvidas, mas honestamente já tinha lido tudo à respeito.

Depois de alguns minutos (em que fiquei conversando com uma grávida esperando entrar na sala para uma cesárea) o anestesista veio me buscar.

Entrei na sala de operações, cheia de gente, muitas luzes e equipamentos. Deitei na mesa e alguns segundos depois de aplicada a anestesia geral, apaguei. Nem cheguei a ver o meu médico.

Soube mais tarde que a cirurgia foi bastante rápida e sem problemas, durou cerca de uma hora e meia  no total.

Acordei 40 minutos depois numa sala de recuperação bastante zonza mas sem maiores dores ou mal-estar. Me lembro muito pouco dessas primeiras horas de pós-operatório.

Fui atendida então por um médico que me liberou para voltar ao quarto onde Ian me esperava.

Passei o resto do dia, e da noite, muito sonolenta mas com morfina na veia, confesso que praticamente não senti dores. Também precisei passar a noite toda ligada à maquina de oxigênio e com uma sonda. Tanto minha pressão arterial quanto meu nível de oxigenação se mantiveram baixos.

Já no dia seguinte, terça-feira, acordei querendo muito levantar, tomar banho e trocar de roupa mas por causa da minha pressão que ainda estava muito baixa as enfermeiras não me deixaram. Mesmo com a morfina as dores eram bem fortes.

Na quarta-feira finalmente me tiraram a sonda e a morfina, consegui tomar banho e caminhar pelo quarto. Comecei também a fisisoterapia para fortalecimento do períneo e assoalho pélvico.

Só na sexta-feira tive alta e pude voltar para casa.

Nas duas primeiras semanas de recuperação eu só poderia andar por alguns minutos então precisamos que meus sogros ficassem conosco em casa para cuidar das crianças. Eu ainda sentia muitas dores e tive bastante sangramento. Passei boa parte desse periodo de cama e ainda tive uma infecção urinária.

Nas semanas seguintes eu ainda não poderia nem dirigir nem levantar peso. Esse foi o período mais difícil da recuperação para mim. A presença da minha sogra começou a me incomodar horrores e eu queria muito assumir de novo os cuidados com a casa e as crianças, mas ainda me sentia bastante cansada e com dores.

O médico havia aumentado a dose de estrogênio (necessário para evitar os efeitos da menopausa, inclusive a osteoporose) após a cirurgia e eu tive muitas enxaquecas nesse período, além de dores pelo corpo inteiro.

As dores (cólicas, dores de cabeça constantes), noites mal-dormidas, falta de rotina e de atividade física começaram a me deixar muito deprimida. Não tinha certeza se a reposição hormonal estava me fazendo mais bem ou mal. Foram semanas muito difíceis.

Por volta da semana do Natal, quando completei 6 semanas pós cirurgia as coisas começaram a se ajeitar. Finalmente comecei a me sentir “normal” mentalmente.

Hoje me sinto muito melhor, em todos os sentidos, e o único efeito colateral da menopausa são as dores musculares intensas, principalmente nas pernas.

Minha próxima consulta é no final do mês e conversarei com o médico à respeito da melhor forma e melhor dose para manter a reposição hormonal. Confesso que as dores que eu sinto hoje eu não sei se são resultado de muito ou pouco estrogênio.

Não sei ainda se já me acostumei com a idéia de estar em menopausa. Vocês já pararam para pensar quanto estigma essa condição carrega? O fato é que eu sou realmente grata por ter precisado da cirugia só depois de ter sido mãe. Meu útero me deu três crianças lindas e se eu tivesse que passar por tudo o que eu passei nos últimos anos para tê-las comigo, não tenho dúvida que o caminho teria sido o mesmo.

Agora, aos 40, estou pronta para recomeçar.

N.

9 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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9 Comments

  • Laudenire

    Que bom que você está bem, que benção que você continui assim forte e determinada!!!
    E Parabéns pelo os lindos bebes…

    beijos e fique com Deus!

  • Danielle

    Querida Nivea, desejo a ti uma plena recuperação! Obrigada por voltar a escrever no blog!

  • Pryscilla

    Uau! Que sua recuperação continue cada vez melhor! Muita saúde , alegrias e realizações em sua jornada! Bj

  • Isabela

    Que bom que está tudo bem!! Fico feliz por você!!!

  • Luciana Honigsztejn

    Enfim, qualidade de vida! Tão feliz por vc Nivs…

  • julia

    Nivea! acompanhei pelo insta toda essa trajetória! que bom que vc está bem ! que 2019 seja doce! um beijo

  • Mari

    Nívea,
    Você é muito guerreira, eu admiro muito sua coragem.
    Imagino que passar pela cirurgia e por esse pós operatório não tenha sido nada fácil.
    Mas torço muito pra que agora seus dias estejam mais leves e que você se sinta melhor, sem todo o caos que a menstruação te trazia.
    Um grande abraço!

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