saude e bem-estar

TDPM, meu diagnóstico

Desde a minha primeira menstruação eu sofro com sintomas clássicos de TPM e com as alterações hormonais que sempre pioraram o meu quadro de depressão, mas nada nunca nem perto do que o que começou a acontecer comigo após o nascimento da Lia, meu último bebê, que completa dois anos ainda essa semana.

Quem conhece a minha história já deve saber que eu tive um episódio depressivo severo antes da gravidez da Lia e que desde então sigo fazendo uso combinado de dois antidepressivos (inclusive na gravidez).

Quando ela nasceu eu não voltei a tomar anticoncepcionais porque meu marido já havia passado por uma vasectomia (presente de natal dos meus sogros, quem lembra?) e logo eu percebi que estava de novo tendo dificuldades no periodo pré-menstrual. Ficava muito irritada, bastante depressiva entre outras coisas.

Conversei então com a minha médica de familia e ela recomendou voltar a tomar anticoncepcionais. Aceitei. No entanto, ao contrário do esperado, meu quadro piorou. Se antes eu me sentia mal só no período pré-menstrual, com o anticoncepcional eu passei a ficar deprimida o mês inteiro.

Cheguei a consultar minha psiquiatra mas não quis correr o risco de mexer na minha medicação e optamos todos por retirar o anticoncepcional da equação.

Voltei a fazer terapia, mudei minha alimentação, cortei a cafeína e o açúcar da dieta, fiz uso de homeopatia, complementos vitamínicos e todos os remédios naturais mas nada dava resultado e eu piorava cada vez mais.

Chequei a um ponto que eu não conseguia controlar a raiva e a tristeza. Para evitar descontar nos outros eu me arranhava até sangrar e quebrava objetos ao meu redor. Mesmo assim era impossível conviver comigo.

Achei que estava sofrendo uma recaida de depressão mas não conseguia entender como os sintomas iam e vinham de repente (eu estava radiante num dia e querendo morrer no outro). Minha psiquiatra sugeriu uma nova internação e chegou a cogitar que eu tivesse transtorno bipolar. Achei que eu estava ficando louca.

Os sintomas seguiam piorando muito e aceitei tomar medicação para esquizofrenia. O remédio até ajudava mas eu tinha a sensação de estar sempre dopada e não conseguia sair da cama,

Resolvi então manter um diário com meus sintomas para ver se conseguia ver algum sentido em tudo aquilo e depois de alguns meses percebi que só ficava mal nos dias que antecediam a minha menstruação. Os sintomas começavam aproximadamente entre 7 e 10 dias antes e terminaram exatamente no primeiro dia do meu ciclo.

Durante uma madrugada de insônia eu resolvi procurar no google alguma informação sobre os meus sintomas e encontrei pela primeira vez vários artigos sobre a tal da TDPM: Tensão Disfórica Pré-Menstrual, que eu nem sabia que existia. Fiquei eufórica, acordei o Ian dizendo que tinha descoberto o que havia de errado comigo.

No dia seguinte, com vários artigos impressos, procurei pela minha médica de família. Ela resolveu então me encaminhar para um ginecologista que soubesse sobre a doença, uma tarefa que se mostrou ingrata. Todos os especialistas com quem ela conversava insistiam que o único tratamento disponível era o combo anticoncepcional + antidepressivos.

Nesse meio tempo eu cheguei a ser internada num hospital psiquiátrico duas vezes já que em casa eu era um risco para mim mesma. Foi um período de horror. Eu não me reconhecia e tinha a certeza que se não encontrasse uma solução não sobreviveria ao mês seguinte.

A essa altura toda a família do meu marido estava envolvida, oferecendo ajuda e pesquisando sobre o assunto. Foi o meu cunhado que vive no Canadá que encontrou uma lista internacional de médicos que tratam a doença e lá que encontramos o contato de uma ginecologista em Belftast, Irlanda do Norte.

Finalmente parecia haver uma esperança,

N.

5 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

Previous Post
November 21, 2018

5 Comments

  • Andy

    Cara… cenas do próximo capítulo… que mundo difícil e lindo. Tô contigo, Ni!

  • Beatriz

    Nivea,

    Obrigada por compartilhar desse momento, pois antes disso eu nunca havia sequer imaginado tal síndrome e quanto mais informação a gente encontrar por ai, mais rápido esse processo pode ser para outras mulheres.
    Te desejo uma ótima recuperação e continue contando que a gente corre na mesma hora pra ler.
    Beijo na turma!

  • Luciana Honigsztejn

    “Achei que eu estava ficando louca”
    Esse ano tive o que eles chamam de crise de pânico. Fazia de 2 a 3 por dia. Levei um tempo pra aceitar que eu nao estava ficando louca, eu so precisava de ajuda. Entrei no antidepressivo e te digo que eu nem lembrava de como era a minha vida sem essas crises. Ver a Sophie pegar na minha mao e dizer que tudo ia ficar bem era a pior coisa da minha vida.
    Obrigada Nivs, vc eh uma mulher real, uma mae real e nao sei se podemos medir o quanto essa realidade ajuda tanta gente por ai. Me ajudou. Muito e sempre.
    Sinta-se abraçada.
    Lu – Canada

  • Camila

    Parece que sou eu escrevendo! A diferença é que a minha tdpm não parece ser tão forte como a sua porque eu não me machuco. Mas a sensação é a mesma que a sua: que não vou sobreviver ao mês seguinte!! Eu tenho crises de choro incontroláveis onde quero parar e não consigo. Fico deprimida como se estivesse em uma depressão profunda!

    Ainda estou buscando saber o melhor tratamento para mim. Pílula + antidepressivos não estão funcionando.

  • Marina

    Muito importante ter um texto desses na internet! Acredito que toda mulher, em maior ou menor grau, sofre no período pré menstrual e é mto importante falarmos disso. Não passei pelo q vc passou Nivea, mas sei o q é achar q está enlouquecendo por mudar de humor tão profundamente e completamente sem motivos externos aparentes. É terrível e como ninguém fala sobre a questão do período pré mesntrual, vc acaba se sentindo mto sozinha e acha q é anormal. Mas acontece com TODO MUNDO e é perfeitamente normal.
    Só pra deixar claro, quando eu digo q é normal, não quero dizer q não é pra pedir ajuda profissional ou qualquer coisa assim, mto pelo contrário. Quero deixar claro apenas que, sendo necessária ajuda profissional e outras medidas ou não, mudanças de humor no período pré menstrual acontece msm (em diferentes graus) e essas oscilações hormonais que nós mulheres passamos deveriam ser mais discutidas, para pelo menos sabermos o q se passa no nosso corpo e não ficarmos ainda piores achando que tem algo errado ou quebrado conosco.

Leave a Reply

Related Posts