saude e bem-estar

TDPM, o tratamento

* esse post é uma continuação desse aqui.

No início do ano passado fui à uma consulta com uma ginecologista em Belfast, no Reino Unido. A consulta particular custou £300 e em poucos minutos ouvindo sobre meus sintomas ela confirmou o diagnóstico de Tensão Disfórica Pré-Menstrual (escrevi sobre esse assunto nesse post aqui)

Como já havíamos tentado o uso de anticoncepcionais o proximo passo seria o DIU (dispositivo intra-uterino), que funciona para algumas mulheres, mas como meu caso era bem grave ela sugeriu partir para algo mais extremo, um implante subcutâneo, aplicado através de uma injeção mensal, que faz com que os ovários parem a produção dos hormônios que levam à menstruação causando uma menopausa química. Ao mesmo tempo, por causa da minha idade, começaríamos o tratamento de reposição hormonal (lembrando que o que causa a TDPM não são os hormônios em sim, mas a flutuação dos mesmos durante o ciclo menstrual).

Apesar de ser bastante eficaz no tratamento da TDPM o implante não é uma solução definitiva (nem tão pouco funciona para todas as mulheres). Em primeiro lugar porque com o passar do tempo ela perde o efeito, em segundo, por causa dos vários efeitos colaterais (perda de massa óssea, de memória e etc). Por isso a ginecologista prescreveu o tratamento por 6 meses. Após esse periodo o ideal seria que eu fizesse uma histerectomia completa (remoção do útero, ovários, trompas e cervix).

Com a receita em mãos tentamos comprar o medicamento na Irlanda mas não conseguimos. Precisávamos que um ginecologista daqui assinasse a receita. Minha médica (clinica geral) começou então a entrar em contato com esses médicos mas nenhum deles tinha conhecimento sobre a doença e não queriam prescrever a medicação que aqui na Irlanda só é recomendada para o tratamento de câncer.

Nesse periodo eu cheguei a ser internada  num hospital psiquiátrico mais uma vez e meu marido resolveu ir ao Reino Unido comprar a injeção por lá. Aqui, através de um beneficio do governo a injecão não poderia custar mais do que €120 (na verdade todos os medicamentos usados por uma família inteira durante o mês custa no máximo esse valor; o restante é pago pelo governo ) enquanto por lá custaria £400 (quase R$ 2.000,00) O custo era alto, mas eu não sei à quantas outras crises eu sobreviveria. Segundo a médica que me atendeu em Belfast, quando a doença surge após os 35 anos ela tende a ser mais severa e piorar com o passar dos meses.

Esperei então o primeiro dia do meu ciclo para tomar a primeira dose. Os próximos dias seguiram normalmente até chegar à fase de ovulação, quando saberíamos se o tratamento estava fazendo efeito ou não.

E fez. O mês inteiro passou sem que eu tivesse qualquer sintoma. Com a reposição hormonal também não senti nenhum dos efeitos da menopausa. Estava ótima pela primeira vez em mais de um ano.

Nos meses seguintes continuamos a busca por um ginecologista e enquanto isso Ian viajava todos os meses para continuar comprando as injeções que ele mesmo aplicava na minha barriga (nunca tive coragem de fazer isso sozinha).

Apos 3 ou 4 meses, como esperado, voltei a a sofrer alguns sintomas da TDPM mas bem mais leves do que antes da medicação. Com medo de que a doença voltasse cogitamos viajar ao Reino Unido e fazer a cirurgia por lá mesmo.

Até que em setembro, um médico ginecologista aceitou me oferecer uma consulta e eu já sai do consultório com uma data marcada para fazer a cirurgia, que seria feita em menos de 2 meses.

Sai do hospital louca de felicidade.

N.

PS. esse post também tem uma continuação

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39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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