Pretensões e Desabafos

Esse barco é meu

E antes que ele afunde eu preciso tomar o comando.

efd0c63f722038b21674cb162c0e6eee

***

Rebobina aí esse blog para 6 meses atrás. Eu estava grávida (e grávida eu fico enlouquecida, vale lembrar), cansada, cheia de dores e estressada com a compra da nossa casa que não saia quando a gente precisava deixar o apartamento alugado com urgência. Sem saco para nada, sem paciência, muito menos com o Erik.

De lá até um tempinho atrás as coisas ficaram assim: Erik mais em casa do que na escola (primeiro por causa da mudança, depois por eu não conseguir andar); se alimentado do que tivesse na geladeira (chicken nuggets e chips) e eu sem nenhuma energia para 1) cozinhar ou 2) fazê-lo comer direito; televisão ou iPad ligados todas as horas do dia.

Quando Elena nasceu e minha sogra ficou por aqui foi a mesmíssima coisa, Erik praticamente se criando sozinho: sem lenço e sem documento sem regras e sem rotina e surtando com as mudanças todas que ele vinha passando.

Surtado ele, surtei eu também e contei aqui. Estava muito difícil lidar com um bebê recém-nascido e com o mais velho atirando xiliques para todos os lados.  A vida de todo mundo estava um inferno.

Começamos consertando as coisas pelo problema que era mais nítido: o comportamento dele. A homeopatia ajudou (eu e ele) e comecei a ver a crise com outros olhos: ele não tinha culpa e só não sabia como lidar com tudo o que vinha acontecendo (nesse meio tempo ele mudou de casa, de escola, da rotina que tinha com o pai pelas manhãs e noites e ganhou uma irmã para dividir toda a atenção que era só dele).

Já falei por aqui que isso melhorou e muito. Agora ele tem seus momentos de mal-criação e continua a testar os limites dele e os meus, mas são episódios isolados.

Resolvido isso eu percebi que precisava voltar a ser mãe dele. Criança precisa de limite, de educação, de rotina, além de amor.

Com a minha volta ao Weight Watchers a primeira coisa que começou a mudar por aqui foi a nossa alimentação. Nossa mesmo porque é a de todo mundo em casa. Resolvi que Erik ia voltar a comer o que a gente come, já que a gente voltou a comer bem e direito.

Cortei os cereais açúcarados pela manhã e durante a semana ele escolhe entre duas opções mais saudáveis (libero um pouco de mel se ele pedir). Ele reclamou horrores nos primeiros dias, mas hoje ele já sabe que não tem jeito. Ou come o que eu ofereço ou fica com fome.

Ao buscá-lo na escola também ofereço primeiro uma fruta. Depois, se ele ainda estiver com fome, e ele sempre está, passo para uma segunda opção que pode até ser uma bolachinha (nada de recheio que isso ele nunca comeu mesmo) ou biscoito de arroz. Com isso ele voltou a gostar de comer frutas.

O almoço pode ser um sanduíche, mas não diariamente. O lanche da tarde voltou a ser fruta, gelatina sem açúcar, ou um iogurte. Tudo servido na mesa e não em frente a TV. O iPad eu ainda libero durante algumas refeições mas é diferente de ficar comendo na frente da TV só porque está entendiado. Desse jeito ele senta-se à mesa, come e depois continua o que estava fazendo antes.

O jantar é igual ao nosso: carnes magras, peixe, legumes (que ele continua recusando na maioria das vezes) e carboidrato integral (arroz, macarrão ou couscous). Se ele recusa vai para a cama sem jantar e repito a mesma refeição no almoço do dia seguinte. Se ele recusa o almoço, não ganha lanche da tarde (pode terminar o mesmo prato se quiser, mais tarde).

IMG_5999

A foto aí de cima (couscous com ervas e peixe) é do almoço que já tinha sido oferecido e recusado no jantar da noite anterior e que às 4 da tarde, quando a fome apertou, virou o prato mais gostoso do mundo.

A coisa está a anos luz de ser perfeita. Ele continua fazendo cara feira para muita coisa que ele comia de olhos fechados antes, mas agora pelo menos já experimenta (tem drama, sempre, claro). Ainda tem muita bobeira no cardápio (o eventual nuggets com chips, o cereal liberado no final de semana, e etc.) mas eu não podia tirar tudo de uma vez. Afinal, a culpa dele estar se alimentando daquele jeito era minha. E tem dias, claro, que o jantar é quase uma guerra, mas ele se senta conosco e dá pelo menos uma colherada antes de decidir que não gosta de tal coisa.

Ele voltou a ir para escola, mesmo não sendo fácil para mim levá-lo diariamente. A TV ainda fica mais ligada do que eu gostaria, porque eu ainda preciso cozinhar e cuidar da casa, não tem jeito, mas tem dias que ele nem lembra dela. Com o tempo melhorando agora no início da primavera tenho dado prioridade para levá-lo para andar de bicicleta, brincar no playground e coisas do tipo. Também tenho tentado tirar um tempo à tarde para incentivá-lo a pintar, desenhar, ou seja, fazer qualquer coisa que não seja ver TV.Agora mesmo, enquanto escrevo ele brinca ao meu redor, na cozinha, com seu lego.

Uns dias são bons, outros melhores, em outros eu quero mesmo é deixá-lo se encher de batata-frita vendo televisão enquanto eu leio revista, mas um barco que já parecia afundado voltou a ter norte.

Mãe serve para isso, né?

N.

4 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

Previous Post
April 10, 2015
Next Post
April 10, 2015

4 Comments

  • Barbara

    Mãe é tudo igual mesmo né?! Por aqui tambem estava complicado com questão das infinitas mudanças de casas… tinha dias que so faltava gente se pegar na porrada como diriam. Tambem nao me orgulho de muitas coisas que deixei meu filho fazer nesse periodo e que seriam impensaveis em dias normais. Mas acho que isso faz parte dessa vida de mae. Nao é facil pra gente tb.

    Beijokas

    • Nivea Sorensen

      Com certeza, Bárbara. Era o que dava para fazer, dadas as circunstâncias x

  • Didi

    Nossa, mas quem escreveu este post: eu ou você???
    beijos
    Identificação total. Mas lá em casa também estamos melhorando.
    Boa sorte pra vocês.

Leave a Reply

Related Posts