depressão Estou lendo

Estou lendo (Sunbathing in the Rain)

A cheerful book about depression – Gwyneth Lewis

Eu tinha planejado uma série de posts intitulada “Estou lendo” para obviamente escrever sobre o que eu ando lendo. Longe de escrever reviews (já que eu não tenho nenhum talento para isso) eu queria mesmo era um registro para mim mesma. Escrevi o primeiro post sobre o Never Let Me Go há um tempão atrás e nada mais desde então.

Na verdade eu não terminei livro nenhum desde o Never Let Me Go. Comprei vários, mas só agora estou finalmente chegando próxima ao final do Sunbathing in the Rain que foi presente da minha sogra quando eu ainda estava grávida.

O livro foi desses que eu comecei a ler ali mesmo quando abri o pacote. Adorei o título e a capa, e se não fosse o bastante o primeiríssimo parágrafo da introdução me ganhou:

“Todo episódio sério de depressão é um misterioso assassinato. O seu velho eu se foi e no seu lugar ficou um fantasma incapaz de sentir qualquer prazer em comer, conversar ou qualquer outra forma de entretenimento. Você se transformou numa bolsa de cadáver. Mover uma pilha de livros pode levar dias, já que os objetos numa sala tem mais força de vontade do que você. Você é tanto o corpo quanto o detetive. Sem álibis – trabalho, vida social – você não tem para onde ir. O seu trabalho é descobrir que parte de você morreu e porque ela tinha que ser assassinada.”

Mas aí veio E. e eu estava mais preocupada em não ficar deprimida do que ler sobre depressão. A leitura ficou de lado e só nos últimos dias retomei. Foi quando eu percebi o quanto o livro era legal e quis escrever sobre ele.

A autora, Gwyneth Lewis é poeta e descreve no livro seu episódio de depressão, desde a causa até sua recuperação, de uma maneira que está longe de ser cheerful como o subtítulo do livro deixa a entender, mas bem real. Talvez eu usasse hopeful no título ao invés de cheerful. Concordo com ela que se você souber “usar” a doença a seu favor, a longo prazo ela só te trará benefícios. Mesmo assim não existe nada de cheerful nesse processo.

O que eu mais gostei são as citações (das mais diversas fontes possíveis – da enciclopédia britânica ao Daily Telegraph, passando por ciência, religião, literatura e filosofia), que ela usa para descrever a doença.  A minha preferida:

“you must be ready to burn yourself in your own flame;
how could you rise anew if you have not first become ashes?”
— Friedrich Nietzsche (Thus Spoke Zarathustra: A Book for None and All)

O melhor de tudo, além de muito bem escrito por alguém que já esteve lá, o livro passa bem longe de auto-ajuda. Ainda nem terminei mas não vou me arrepender de ter lido.

N.

 

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39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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