Meu babóg Pretensões e Desabafos

Eu digo “sim”

Não é a palavra que E. mais ouve de mim.

“Não enfia o dedo na tomada.”

“Não tira a meia.”

“Não passa a mão suja de comida no cabelo.”

“Não encosta no forno quente.”

“Não mexe aí.”

“Não mexe lá.”

“Não sobe aí que você vai cair.”

“Não põe meu chinelo na boca.”

“Não come esse pedaço de sujeira.”

“Não rasga esse papel que é importante”.

“Não brinca com o lixo.”

Ele ouve mais não num dia do que eu te amo. E olha que eu vivo, sim, dizendo para ele que o amo. Mas eu sou a mãe, e é tarefa de mãe dizer não. Mais do que o pai (nesse caso só porque sou eu quem passa mais tempo com ele), mais do que os avós, mais do que os professores. Cabe a mim a árdua tarefa de educar. Para que ele não seja extremamente mimado, para que ele respeite o próximo e não ache que o mundo gira ao redor do seu umbigo, para que ele seja feliz.

E ele tem só 9 meses. Com o tempo a quantidade de não vai aumentar. Tem que ser assim. Ele tem que ouvir de mim, porque da vida ele vai ouvir muitas outras vezes.

E foi ontem então, enquanto dava banho nele na banheira, que eu me vi dizendo o 1458º não do dia, de maneira automática: “não joga água para fora da banheira”. Nesse mesmo momento eu percebi que esse não era desnecessário.

Era um não que não ia protegê-lo de nada, que não o faria um homem melhor no futuro.

E para que servem esses nãos? Para que me serve o chão do banheiro seco? Para evitar (mais) trabalho?

E então eu me corrigi (e dei o exemplo de que a gente pode voltar atrás), e disse sim: “sim, joga bastante água, molha o banheiro todo, molha os tapetes, molha a cortina, molha o chão”.

E fiquei ali do lado dele enquanto ele fazia a maior molhadeira, batendo os dois bracinhos com força na água. E deixei que ele me molhasse também, calça, blusa, cabelo. Parecia que eu, de roupa e tudo, também tinha entrado na banheira.

E ele riu. E foi feliz. Talvez o mais feliz que ele já tenha sido nessa vida curta.

E eu também.

E sempre que eu puder dizer sim para ele eu vou dizer. Sempre que ele precisar do meu sim para ser feliz eu vou dizer.

E vou estar ao lado dele, e limpar a bagunça, se preciso for.

N.

30 Comments

38 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

Previous Post
January 26, 2012
Next Post
January 26, 2012

30 Comments

  • Ingrid Gomes

    É, se você consegue ser mais feliz assim, eu te digo, BOA SORTE, porque aqui essa técnica jamais daria certo, NÃO tem como eu ignorar o não, que alias, pok já sabe dizer em 4 idiomas com perfeição hahahaha e agora tá na fase de que ele fala “não” pra si mesmo, assim que se apróxima de algo que supostamente deveria ficar longe, ele sorri e diz “nããããããooooo”, prefiro assim, não tenho talento e nem tempo pra limpar a bagunça enorme ou correr pra acudir toda santa hora que ele se mete em encrenca, porque né, o menino corre pra lá e prá cá praticamente o tempo todo. =)

    Beijocas e sucesso com a nova técnica!

    • Nivea Sorensen

      Oi Ingrid querida,
      Olha eu não deixei de falar “não”! Como eu disse, se for para a segurança dele, ou para que ele se torne uma pessoa normal, tudo bem. Se for só para evitar um pouquinho de bagunça, aí eu vou deixar ele ser menino e aproveitar a vida.
      Beijos

  • T

    Que lindo. 🙂

    L. começou agora a se debater na banheira e eu saio daquele jeito.

    Eu diria que é um dos momentos mais felizes do dia, ou pelo menos o que mas se nota. Ela amaaa.

    Bjus
    T

  • Priscila

    Isso ai amiga, super te apoio! Deixa ele ser crianca, ser feliz, e aprontar um pouco 🙂

  • Bruna Almeida

    Super apoiada!

    Beijos

  • Celi

    Verdade Nivea. Precisamos mesmo rever quando dizemos não e quantas vezes. Caso contrário, eles acabarão nos vendo como a pessoa chata, que só sabe dizer não! Um tempo atrás lembro de ter lido uma matéria falando sobre a importância de falarmos sim ou ao menos um não de outra maneira. Explicando, pontuando de outra forma, sem começar com a palavra Não!
    Boa sorte e muita diversão para vcs.
    beijos

  • Brunalemanha

    Ai que lindo :~
    Tem máquina fotográfia à prova d’água? 😀

  • miriam

    E verdade… E importante o Nao mas tanbem e’ muito importante o Sim..E se ha momentos que se pode Sim porque dizer Nao ???
    Beijinho

    • Nivea Sorensen

      Miriam,
      acho que o mais importante é saber julgar quando é hora de um e de outro
      Beijos

  • Dani Cassar

    Concordo com vc, as vezes alguns ‘nao’ sao desnecessarios e acabamos ficando acostumadas a dizer, mas dizer sim p/ certas coisas eh bom, ainda mais quando nao vai coloca-los em risco e oq eles querem mais eh se divertir a bagunca compensa a felicidade dos pequenos…rs
    Bjs em vcs

  • Danielly Carvalho

    É verdade temos que trocar os sim pelo os não…
    percebi quantos nãos eu digo..são muitos.

    beijos..
    aqui em banho os banhos são uma delícia, molhadeira, brinquedos espalhados..
    e muita alegria.

    • Nivea Sorensen

      Danielly,
      Aqui a hora do banho também tem sido de uma felicidade só.
      Beijos

  • carol ambrogini

    Concordo, Nívea, alguns Nãos são desnecessários. Ontem mesmo deixei meus pequenos tomarem banho de chuva e brincar nas poças de água (apesar do olhar reprovador da sogra). Uma hora a Marina caiu e começou a chorar. Eu disse: “tudo bem! Doeu, mas valeu , não foi?” e ela parou de chorar, mas não quis mais voltar. Dá próxima vez, ela mesmo vai poder decidir se vai querer brincar na chuva ou não…
    ainda sobreos Nãos, vc vai ver quando seu pequeno começar a falar, ele tb vai te dizer um monte de Nãos!

    • Nivea Sorensen

      Carol,
      Minha mãe nunca deixava a gente fazer as coisas com medo da gente ficar doente. Que bobagem, né? Aposto que eles vão sempre se lembrar disso.
      Beijos

  • Thaísy

    e não é por acaso que E. nasceu de um sim!

    Sim, eu aceito!!

    😀

    Um beijo!

  • Ana Maria

    Oi Nívea, te apoio muito. Temos sim que educá-los e eles precisam sim ouvir não de vez em quando, mas é importante tbém que esses nãos sejam ouvidos em momentos necessários. Muitas vezes é bem mais cômodo dizer não do que deixar a criança se divertir e limpar a bagunça depois, mas será que vale a pena reprimir a felicidade e muitas vezes o aprendizado de nossos filhos por preguiça??! Um exemplo, é quando a Mariana vai comer, agora ela está em uma fase de querer comer sozinha, então no início da refeição dou a comida para garantir que coma boa parte e no final deixo ela com a colher na mão se virando sozinha. Claro que faz a maior bagunça, mas se não for assim como vai aprender a ser independente? Como vai treinar a coordenação motora?? E como diz um anúncio de TV aqui no Brasil ” Se sujar é saudável”. Bjos

    • Nivea Sorensen

      Ana,
      Concordo, sim. E. também quer comer sozinho e faz a maior sujeira. Mas eu deixo ele comer ao mesmo tempo que vou dando na boca. Assim ele come o que precisa, e não deixa de praticar (e brincar, por que não?) com a comida.
      Beijos

  • Dani Brito

    Nivea, que lindo!

    Assim como vc, me peguei repetindo de forma robótica os nãos. E quando percebia os inúteis, relaxava e deixava rolar.
    Acabava sendo proveitoso pra mim e pra ele, no final.

    Beijo

  • Mariana Porto Almeida

    que bonitinho… fiquei até emocionada! 😉

  • Cris

    Ixi… tá igual aqui em casa!! O Biel escuta tanto não que quando ouve um sim até estranha… hahaha

    Mas as vezes deixo ele fazer algo mesmo que eu desaprove só pra vê-lo mais feliz por alguns instantes… suas gargalhadas e fisionomia positiva me deixam feliz também!!!

    Você tá no caminho mais que certo… NÃO nas horas corretas (tá certo que as vezes exageramos) e SIM mesmo que seja algo que você descorde, mas valerá pela alegria dele!!!

    BJOUXXX nos 3.

Leave a Reply

Related Posts