Na última quinta-feira I. me levou para ver o George Michael ao vivo com uma orquestra. Os ingressos já haviam sido comprados faz tempo (parte do meu presente de aniversário) e, apesar de ainda estarmos desabrigados e exaustos com essa confusão toda no meu condomínio, nós resolvemos ir de qualquer jeito.

Não me arrependi. Ele é meu cantor preferido há mais de 20 anos, o palco estava lindo, adorei o arranjo das músicas com a orquestra, tudo perfeito.

No começo do show I. me perguntou se eu iria chorar e ficou desapontado quando eu disse que não. Ele ainda brincou que o ingresso só se pagava se eu chorasse (ele sabe que eu sempre choro). Mas eu achava realmente que não ia chorar, tinha até passado lápis e rímel, o que eu evito em situações de risco de choro.

E então ele cantou You Have Been Loved, uma música de 1997 que ele escreveu para a mãe do Anselmo Feleppa, seu namorado brasileiro que havia morrido em decorrência da AIDS alguns anos antes.

“That man,
she loved that man
for all his life
and now we meet to take him flowers
and only God knows why”

Desnecessário dizer que uma canção escrita sobre uma mãe que perde um filho, se questiona e põe em risco toda sua fé (“pra quê rezar se você não pode proteger tamanho amor de todo o mal?”*) é por si só muito triste. Eu sempre a achei muito bonita, mas muito triste.

Mas até então eu não tinha filhos.

Se eu precisava chorar para pagar o ingresso, ele foi bem pago.

N.

* tradução minha e não literal (as traduções dos sites brasileiros são péssimas e nem fazem o menor sentido)