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Quem conta

33 anos, paulistana, paulista e são-paulina, casada com um irlandês. Louca por bolo, pastel, literatura, cinema, corujas e girassóis. Ex-professora de inglês e mãe in the making.

Que Seja Doce

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio F.

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Archive for Pós parto

Crônica de uma dor crônica

By Nivea Sorensen · Comments (16)
Thursday, November 10th, 2011

Começou um ou dois meses depois do nascimento de E. Uma dor forte, primeiro no pulso direito, depois no esquerdo também. Vai do meu polegar em direção ao pulso. Qualquer movimento mais brusco me faz gritar de dor.

Achei de início que era só um mal jeito, devido a maneira com que eu segurava E.na hora da mamadeira. Sabe coisa de mãe que quer dar mamadeira e mandar uma mensagem de texto ao mesmo tempo, bebê e mamadeira numa mão, celular na outra? Pois é, parei com isso, mas a dor ficou.

Tentei um gel para dor muscular, tentei aquelas luvas para quem sofre de tendinite, tentei analgésicos. E quando nada adiantou, resolvi tentar ignorar. E ignorei por alguns meses, sempre com dor.

E a coisa foi piorando, pela manhã precisava de pelo menos alguns minutos antes de conseguir movimentar as mãos. Alguns movimentos simples, ficaram impossíveis, ou no mínimo passaram a ser feitos com muito esforço e muita dor: colocar uma assadeira no forno (ou levantar qualquer peso com uma mão só), lavar o cabelo, desabotoar o sutiã, levantar E. do berço.

Além disso, apareceu um pequeno caroço no meu pulso esquerdo.

Fui ao médico. Só não tinha ido antes porque, não tem jeito, eu ainda não me habituei com o sistema de saúde irlandês e o fato de você SEMPRE ver um clínico geral primeiro, não importa qual seja o seu problema. Não confio, e sempre acho que joguei o dinheiro da consulta no lixo.

Dito e feito, a médica não me pediu nenhum exame,  me deu várias possibilidades para o que eu tinha (nenhuma me convenceu) e me receitou antinflamatórios. Deveria tomá-los por um mês e voltar caso a dor não passasse.

Não passou, apesar do caroço ter desaparecido por um tempo (hoje está de volta), e eu encontrei outras maneiras de gastar €60. Não voltei. Passei a viver com os analgésicos porque era o único jeito de aguentar a dor e decidi que procuraria um médico no Brasil.

Na semana passada I. precisou procurar por um fisioterapeuta, em Killarney, por causa da dor na coluna. Aproveitei eu também para me consultar. O diagnósitico? Baby Wrist Syndrome, ou em português Doença de Quervain, uma espécie de tendinite muito comum em mães com bebês pequenos.

Saí do consultório com o nome de um especialista aqui em Dublin, que pelo que o fisio me explicou, pode me aplicar uma injeção em cada pulso para curar o problema, já que os antinflamatórios não deram jeito. E vou precisar evitar ao máximo movimentos que forcem meus tendões (só não sei como).

Eu estava preparada para conviver com todo o pacote pós-parto: estrias, quilos a mais, depressão. Agora tendinite? Tendinite de mãe? Vê-lá se isso tem cabimento?

Eu juro que DISSO ninguém me falou.

N.

PS. com essa confusão toda na minha vida, ainda não procurei pelo médico.

Comments (16)
Categories : Pós parto, Pretensões e Desabafos

Cinta o drama

By Nivea Sorensen · Comments (10)
Thursday, June 9th, 2011

E existe vida após a maternidade, como eu constatei ontem.

O que  não existe mesmo é glamour. Pelo menos nesses primeiros meses. Ou pelo menos na minha vida. Ou pelo menos na minhas gavetas de lingerie.

Há até pouco tempo atrás eu comprava quase tudo na Ann Summers* (aliás, vale uma visita para quem está em Dublin e não tem medo de se assustar com a quantidade de brinquedinhos que eles vendem também). Hoje todo meu estoque é composto de produtos da Mothercare e da Mamas & Papas. Tem noção? Eu até consegui evitar aquele bege vó, mas as peças ainda gritam “aqui habita uma mãe”.

Não contente eu resolvi que precisava de uma cinta. Dessas pós-parto para manter as coisas no lugar. Achei em Dublin? Coisa nenhuma. Tive que comprar numa loja do Reino Unido (JoJo Maman Bébé, que também tem coisas bem legais e um serviço de compra online eficiente).

Mercadoria comprada, entregue, testada e aprovada (essa mesmo aí da foto, comprei uma preta e outra branca). Melhor idéia que eu tive desde que engravidei. Quer saber as vantagens? Vem comigo.

1. Só para entrar na cinta eu devo ter perdido pelo menos um quilo. Foi o máximo de exercício que eu consegui fazer em um dia, o que me deixou exausta. Até desisti de sair para caminhar.

2. Esforço físico libera endorfina. Endorfina deixa a gente feliz. Vou usar todo dia, mesmo que para ficar em casa.

3. Acredito que mais meio quilo tenha sido perdido em líquidos, devido ao suadoro. O que leva a vantagem de número 4.

4. Tomei meio litro de água quando terminei de vestir a cinta, por conta da desidratação. Dizem que água faz bem, né?

5. A cinta aperta tanto que eu mal consigo comer. Ponto extra na minha dieta.

6. Além disso, quando eu pensar em comer um doce vou me lembrar de como foi difícil entrar na dita cuja.

7. E last but not least, a cinta serve também como método contraceptivo. 99% de eficácia (100% se você usar na cor bege vó). Ou seja, enquanto eu estiver usando isso dificilmente engravido de novo. Pilulas anticonceptionais para quê?

Agora me fala se é ou não é um produto subestimado?

N.

Ps. Esse é infelizmente um post sem fins lucrativos, apesar das citações das marcas.

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Categories : Pós parto, Pretensões e Desabafos, Produtos e afins

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