Filhos & Família Pretensões e Desabafos

Trabalhando de casa

Há pouco mais de um ano meu marido deixou o emprego como diretor de criação numa agência de design gráfico para abrir com um amigo e sócio uma produtora de vídeo e cinema.

Desde então ele deixou de trabalhar oficialmente entre 9 e 5 da tarde, num escritório na zona central de Dublin, para trabalhar num horário mais flexível, de casa.

Foi uma decisão difícil que levou bastante tempo para ser tomada (por nós dois, diga-se de passagem) e exigiu um grande planejamento financeiro, uma vez que envolvia a troca de uma renda estável por uma renda não fixa. Isso porque como você deve saber, eu deixei meu emprego logo após o nascimento do nosso primeiro filho (há 8 anos atrás) para cuidar das crianças e da casa e o Ian é o único responsável financeiro pela familia.

Desde então muita gente me pergunta o que mudou na nossa vida e se a mudança foi positiva.

Para começar, é preciso lembrar que, como tudo na vida, essa escolha teve seu lado positivo e negativo e que essa é uma avaliação bastante pessoal e subjetiva.

O lado negativo tem sido a pressão com que ele lida diariamente para ter sempre um trabalho engatilhado assim que outro termina, já que as contas a pagar não esperam.

Até hoje nunca faltou trabalho, mas é preciso muita cautela. Atualmente uma parte da renda mensal dele vai para uma conta poupança para garantir que ele tenha de 6 meses a um ano de salário, pelo menos, em caso de novos trabalhos demorarem a surgir.

Nesses primeiros anos de vida de um novo negócio isso é fundamental para nos deixar tranquilos e garantir nosso futuro.

Por isso temos aprendido, temporariamente, a viver com uma renda menor do que a que estávamos acostumados quando ele podia contar com o salário todos os meses, sem falta. Recentemente, por exemplo, adiamos os planos de reformar o sótão da casa e transformá-lo em mais um quarto. Achamos que esse gasto agora seria arriscado e desnecessário.

Por outro lado, estar no escritório às 9 da manhã sempre significou sair de casa lá pelas 7. Ou seja, toda a rotina com as crianças pela manhã ficava por minha conta. Assim como boa parte da rotina noturna, uma vez que ele dificilmente chegava em casa antes das 7 da noite (na melhor das hipóteses). Eram horas e horas perdidas no trânsito diariamente.

Quem tem filhos sabe que esses são os horários de maior trabalho com eles e fazer tudo sozinha não é fácil.

Agora com ele trabalhando de casa, na maioria dos dias, nós acordamos juntos entre 7 e 9 da manhã e dividimos as tarefas com a casa e as crianças igualmente.

O mesmo acontece no período do final da tarde/início da noite. Por volta de 5:30 ou 6 horas ele deixa o escritório, quando pode, para assumir o papel de pai.

Dessa maneira o meu trabalho ficou bem menos exaustivo; eu tenho mais tempo para sair à noite ou pela manhã quando quero ou preciso, e as crianças passam muito mais tempo com o pai.

Até a Lua se beneficia já que se ele não pode levá-la para passear antes do trabalho ele pode fazer isso no horário de almoço.

No caso de eu ter algum compromisso durante o dia (consultas médicas, reunião com professores e coisas do tipo) ele pode também tirar algumas horas para cuidar das crianças. Esse tipo de disponibilidade é super importante para quem não conta com uma rede de apoio próxima, como no nosso caso.

Ou seja, na medida do possível ele faz os horários dele e isso é muito bom.

Exceções, claro, acontecem com frequência quando ele precisa viajar a trabalho ou passar o dia em reuniões externas.

Também é bastante comum que ele trabalhe muitas outras horas fora desse horário comercial. Algumas vezes na semana ele volta a trabalhar quando as crianças vão para a cama e sábados e domingos também são dias de trabalho, se for preciso. Em épocas de prazos mais apertados não é raro que ele só consiga dormir por pouquíssimas horas. Não se engane, parece uma maravilha, mas ele trabalha duro.

Aos poucos nós fomos nos acostumando à essa nova rotina e hoje podemos dizer, com toda certeza que o saldo final tem sido muito positivo, pelo menos para nós que não acreditamos que salário alto seja necessariamente sinônimo de felicidade.

Tenho certeza que muita gente acharia (e achou) que a atitude dele foi uma loucura mas eu sabia desde o inicio que ele estava fazendo a coisa certa. A vida é muito curta para você passar 8, 9, 10 horas por dia fazendo algo que você não ame.

Foi por isso que eu optei 8 anos atrás por ficar em casa e foi por isso que ele optou trocar de carreira aos 40 anos.

E quer saber? Ele está mais feliz e isso faz todos nós mais felizes também.

N.

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39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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July 9, 2019

1 Comment

  • Priscila gemballa

    Passamos pela mesma situacao aqui e eu achei super positive. Ter mais ajuda, as meninas adoram ter o pai por perto. Bjs

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