Pretensões e Desabafos

Adquirindo a sua babá

Em primeiro lugar vamos estabelecer que existem dois tipos de babá.

A primeira é aquela que cuida do seu filho enquanto você trabalha, porque você precisa ou quer trabalhar (o que não vem ao caso), e que normalmente é dispensada nos finais-de-semana e nas férias porque você ainda quer ser mãe. A segunda é aquela que você carrega para todo lado, independente de você trabalhar ou não, sábado, domingos, feriados, férias em família. Você que não abre mão de ter seu filho por perto, afinal são férias em família, mas que não é boba nem nada e não quer ficar suja de areia, ou comer a comida fria porque teve que correr com o filho pelo restaurante; você quer o filho bem pertinho, porque é uma delícia ser mãe, enquanto enquanto outra pessoa é contratada para fazer o seu trabalho.

É desse último tipo de babá que eu quero falar (o primeiro tipo não me interessa porque eu não trabalho). Já a segunda é meu sonho de consumo. Não que eu tenha dinheiro para comprar uma, mas a gente pode sonhar, né? Do mesmo jeito que eu sei qual sapato eu compraria amanhã se o dinheiro sobrasse, eu sei qual babá eu queria para chamar de minha.

Porque assim, né… a sua babá TEM que ornar com a sua família. Tipo acessório, tipo decoração de casa. A minha por exemplo tem cabelo curto, porque eu acho mais chique, principalmente se ela tiver mais de 30 anos. Ou melhor, tem que ter mais de 30 anos porque eu tenho pouca paciência com gente muito nova. Mas também não pode ter muito mais do que 30 porque tem que ter energia pra correr atrás do meu filhote com fogo na fralda. Tem que ser bonita, porque vai andar junto com a gente, mas nem tanto porque eu tenho ciúmes do meu marido. Pode até ser loira, mas ruiva jamais porque eu não quero ninguém achando que ela é a mãe do meu filho, mesmo que muitas vezes ela faça esse papel.

Não precisa de uniforme porque essa coisa de uniforme parece coisa de novo rico. Não pode usar branco que eu não gosto, nem gosto de amarelo (lembra?). Tem que se vestir bem. Salto nem pensar, porque não combina com a profissão e porque eu não uso apesar de achar elegante.

Tem que ser inteligente porque se tem uma coisa que eu não aturo num ser-humano é burrice. Graduada, preferencialmente. Mais preferencialmente ainda, na área de humanas. Tem que falar um inglês bonito, com sotaque se o inglês não for a lingua nativa, mas bem falado (se disser “Thanks God!” está na rua, sem aviso prévio; sons de “i” no final das palavras que terminam em consoante, como big por exemplo, também causam demissão por justa causa). E se for brasileira, tem que aprender a falar baixo em inglês, pelo menos em público.

Ela tem que ler e ir ao cinema no tempo livre (que tempo livre, aí é problema dela), investir na profissão, saber o que está acontecendo por aí em termos de artes e cultura.

Pagode, sertanejo e axé não são liberados na minha casa. Nem o Paulo Coelho, e muito menos a revista Veja. Big Brother e novela pode, mas nunca perto do meu filho. Se ela quiser acordar às 5 da manhã para assistir, eu, muito compreensiva, não vejo problemas.

Tem que tratar muito meu menino, mas não tanto a ponto dele preferir a companhia dela. Ou seja, tem que ter bom-senso e saber o seu lugar.

Tem que gostar de doce porque eu desconfio muito de quem não gosta de doce.

Esses seriam os itens de série, o resto a gente arrumaria depois. Mas lembre-se que essa é a MINHA babá quase perfeita (perfeita na minha casa, só eu), você precisa encontrar o que mais combina com o seu estilo de vida.

A propósito tem um texto circulando ai na blogsfera com mil e uma dicas na hora de viajar com a sua babá recém-adquirada. Uma pérola

Agora como eu ainda não tenho a minha vou ali limpar catarro do nariz do meu filho gripado, o que vamos combinar, não tem nenhum glamour.

N.

PS1: Favor não confundir sarcasmo com ignorância.

PS2: Eu teria sim uma babá se eu trabalhasse, e adoraria passar férias sem o meu filho por perto de vez em quando porque eu também gosto da minha comida quente, do meu corpo sem areia e de ler um livro a beira da piscina sem me preocupar se o menino vai se afogar. Sem hipocrisia, eu consigo dizer que não o quero por perto o tempo todo, e nesse caso ele ficaria em casa (com uma babá, com os avós, ou qualquer que seja a solução). Mas contratar alguém em tempo integral para assumir meu papel de mãe, aí nem com todo o dinheiro do mundo.

 

40 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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January 15, 2013
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40 Comments

  • Ananda Etges

    Adorei o trecho:

    “Pagode, sertanejo e axé não são liberados na minha casa. Nem o Paulo Coelho, e muito menos a revista Veja. Big Brother e novela pode, mas nunca perto do meu filho. Se ela quiser acordar às 5 da manhã para assistir, eu, muito compreensiva, não vejo problemas.”

    Ri muito!

    Beijos, Ananda.

  • Carolina

    Hum, quer me contratar? hahahhahahahha
    Preencho todos os requisitos e mais ainda, também não curto amarelo!
    hehehe
    bjoks

    • Carolina

      Ah, só constando, ri demais com esse texto! ótimo como sempre, especialmente a parte do Paulo Coelho e axé! rsrsrsrs
      bjsss

    • Nivea Sorensen

      Viu? E tem gente que ainda que é difícil preencher meus requisitos. Contratada!
      x

  • Camila

    Adorei o texto, mas você é exigente hein?! hehe

    Bjs

  • Juliana

    Vc é ótima!
    PS1 muito importante para alguns… rs
    beijos

    • Nivea Sorensen

      Tem que avisar, Juliana. Se não a pessoa acha que eu estou falando sério.
      x

  • Lorna

    Ahahahaha, eu ri por horas!!!

    Mas eu achei você bem doida (ou segura?) de escrever esse tipo de coisa. veja bem, eu nem mãe sou e já sofro bulling da blogosfera materna, imagina aê!

    Ps: Eu queria que essa babá você minha amiga, porque a coisa está feia por essas bandas

  • Gabi Sallit

    Se ela souber francês ou equitação, melhor ainda.
    Se já tiver relacionamento – e influência – com os funcionários do Fasano, fruto dos empregos anteriores, pago até um pouquinho a mais.

    Não esqueça que tem que ter “folguista”, para substituí-la quando ela cansar de ser tratada pior que cachorro e for embora. Assim, o bebê ficar só um pouquinho traumatizado .

  • Gabi Sallit

    Ops: *fica só um pouquinho

  • Rosana O.

    Bom texto e com muito bom humor. Não se preocupe Nívea. Seu texto é
    bem humorado e docemente irônico. Nada parecido com o outro texto, mais rançoso que gordura velha.
    Abraços

  • Thaísy

    PS1: Favor não confundir sarcasmo com ignorância.

    Adoro essa Ni!!

    Um beijo!

  • Carol Frias

    Mais uma vez, post perfeito Nivea! É o que eu chamo de “terceirização da maternidade”. Um abraço!

  • lorena

    Nivea posso discordar?
    Eu cresci com babá. E ela viajava com a gente.
    Eu lembro de meus pais saírem pra jantar, e dela ficar com a gente.
    Lembro tambem de algumas vezes, ela brincar com a gente na areia, ou no parquinho .
    Algumas vezes meus pais viajaram sozinhos, e eu fiquei com minha avo ou uma tia. Ou seja a babá sempre tinha a supervisao da minha mãe. Eu nunca ficava sob total responsabilidade da babá.

    Ela não usava uniforme.
    Comia no mesmo horário que eu, que não era o mesmo dos meus pais.
    E ganhava extra pra isso.

    So quis retratar um outro lado.
    Li o tal texto da internet e achei de pessimo gosto, com coisas absurdas mas morro de medo de colocar todo mundo no mesmo saco.
    Digo de barriga cheia, mãe como a minha é pra poucos.
    Minha mãe sempre esta nas minhas melhores lembranças.
    Acho esta relaçao patroa- domestica bem abusiva no Brasil, mas não vejo como a causa do problema as babas viajarem.
    E, nem acho que todas estas mulheres são menos mãe, ou não querem exercer a maternidade.
    Acho um risco generalizar…..

    Como sempre, otimo texto!
    beijos

    So quis falar o lado do filho, e dizer que sao muitas as variaveis…

    • Nivea Sorensen

      Oi Lorena,
      Claro que te permito discordar. Eu não escrevi um texto sério e não me preocupei em falar do outro lado, que você está certa (é o melhor exemplo), existe.
      Eu não vejo nenhum problema em contar com a ajuda de uma babá, não mesmo. Se eu tivesse mais filhos, e pudesse pagar, eu teria alguém para ajudar, mas como eu disse não para assumir o meu papel. Provavelmente assim como você descreveu que sua mãe fazia.
      Eu tinha em mente quando escrevi o tipo que eu acho que é menos mãe sim por não querer exercer a maternidade. Esse exemplo eu conheço de perto, não de ouvir falar, mas conheço de fato uma mãe vizinha minha além das babás (são duas), contratou uma outra funcionária só para dar banho nos 3 filhos.
      Obrigada pelo seu comentário.
      x

  • Liza

    Baba dos sonhos de muitos… Se conseguir uma vê se ela tem uma gemea e manda pra ca 😉

    Beijinhos

  • Ma

    E a gente que só quer tomar um banho sem ter alguém bebendo o sabão líquido junto, né?

  • Bruna Dalfré

    kkkkkkkkkkkkkkk….ri muito Nívea!! Isso que é uma babá perfeita hein!?
    Mas gostei muito quando você disse que “Mas contratar alguém em tempo integral para assumir meu papel de mãe, aí nem com todo o dinheiro do mundo.” Penso a mesma coisa!
    Você sabe que tem alguns momentos que eu penso:”Ahh se eu tivesse uma babá agora”, aqueles momentos em que tentamos olhas uma roupa, tentamos conversar com o atendente do banco….ah vc sabe neh?!……

    Bjus
    =]

  • Cath

    hahaha, muito bom! Um dia eu quero ter uma baba do segundo tipo para dormir ate mais tarde haha. Mas vc esta super certa, amor e atencao, nao tem preco. Seu filho esta cada vez mais lindo e seu blog eu sempre leio qdo eu tenho um tempinho. Adoro! Ah, eu tambem paquero seus bolos no seu facebook! beijosss.

    • Nivea Sorensen

      Ai, Cath… você disse tudo. Eu se pudesse contratar alguém, contrataria alguem para trabalhar só à noite e me deixar dormir. Ela dormiria de dia e eu cuidaria do filho sozinha feliz da vida e descansada.
      x

  • amabille

    nossa, eu nao quero nem sonhar em ter filho antes de poder pagar uma babá. Nao quero alguém cuidando o dia todo da criança, mas eu teria que ter no mínimo, umas 4 horas livre de filho. Já cuidei de criança e sei a chatisse que é fazer isso o tempo todo. Claro que com filho da gente deve ser um pouco melhor né, mas ser mae 24 hrs por dia nao sei se aguento… sempre acho que ser mae sem babá é só para as muito fortes.

    • Nivea Sorensen

      Amabille,
      Eu concordo com você. Se pudesse teria uma ajuda porque também acho bem pesado cuidar do E. o dia todinho. Até por isso ele vai à creche uma vez na semana (o que não sai muito mais barato do que contratar uma au pair, por exemplo).
      Agora o que eu posso te falar, por experiência é que cuidar do filho da gente não é só um pouco melhor, é uma outra estória. Eu também cuidei de crianças (até na mesma idade do meu filho) e odiava com todas as minhas forças.
      x

  • Mariana Spil

    Sabe que somente depois de ler seu texto ontem me veio a curiosidade de ler o texto original que criou a polêmica, e também o outro ironizando o primeiro?
    Gostei do seu texto, tem tantos absurdos por aí!
    Já fui au pair nos EUA e percebia como o casal para o qual eu trabalhava era de bom senso. Eu cuidava do menino enquanto eles trabalhavam, mas quando não estavam trabalhando eles queriam estar cada minuto com o filho, seja dando as refeições, banho ou o que fosse. Se o menino precisasse ir ao médico, um dos dois faltava para levar. Me levaram em algumas viagens (não acho errado dizer que “me levaram”, não porque eu seja uma propriedade deles e sim porque eles que dirigiram e pagaram todas as despesas logicamente), nas quais eu tinha muito tempo livre para passear por conta própria durante o dia enquanto eles também passeavam com o pequeno, e trabalhava basicamente durante a noite (babysitting), quando eles saíam para jantar ou para alguma festa.
    Mas… sei que não todos os pais são assim, que existem n variações de pais e porquês de se contratar ou ter uma babá à disposição. Desde os que querem uma ajuda para poder dar um descanso ou uma saída a dois até os que querem alguém que crie o filho sem nenhum perrengue para eles (e depois se ofendem quando o filho ama mais a babá do que os pais, veja só!). E todas as possibilidades in between.
    Em tempo: minha babá (quase) perfeita vestiria apenas azul porque é uma cor que acalma, teria uma voz modulada, passos silenciosos e seria amante da música clássica, de preferência Bach. Mas também teria uma imensa criatividade para ter sempre algo divertido para fazer com meus filhos, imaginação sempre pronta a contar histórias, vocabulário amplo e culto porque não quero ter que corrigir erros gramaticais no falar das minhas crianças, e seria vegetariana porque eu também sou. Finalmente, cozinharia maravilhosamente porque quero que meus filhos consumam comida saudável e nada de fast food.
    Quem sabe até ter os meus filhos essa babá perfeita aparece? Rsrs

    • Nivea Sorensen

      Mariana,
      Eu também trabalhei para famílias desse tipo, das que precisa de ajuda e nunca me trataram como objeto.
      x

  • Mari

    Mas não pode gostar tanto de doce a ponto de atrapalhar o seu trabalho na doçaria!

    Ni, eu li esse texto ridículo. Ridículo não porque ela leva uma babá nas viagens pra cuidar das crianças e muito menos porque ela se dá ao luxo de ser mulher/esposa e não só mãe em tempo integral. Aliás, pelo contrário! O que me irritou foi a forma como ela tratou outro ser humano, uma pessoa que ela convive diariamente, que cuida dos filhos dela. Muito me admira as pessoas pedirem CONSELHOS a uma tipo desses.
    Eu entendi o texto e até concordei com algumas coisas, mas não gostei do jeito que ela colocou em palavras. Talvez seja um problema meu que não sou mãe ou dona de casa ou (muito menos) uma milionária dessas da vida… Que sorte a minha!

    • Nadja

      Foi a mesma coisa que eu senti. Pois muita famílias ocasionalmente precisam da babá do lado, de sua segurança, responsabilidade até mesmo em viagens ou saída em família. É uma profissão e por ser acordada para estas coasiões.

      Mas me soou como que a babá vira babá por 24/7… sem direito a ser ela mesma, a ser gente, humana, viver e ter seu trabalho reconhecido como igual aos demais… sem que seus patrões a façam se sentir inferior, o tempo todo…

      Aliás, Ni, muito divertido seu texto hahahahaha

    • Nivea Sorensen

      Mari,
      Mas acho que o jeito de escrever, aliás de pensar, vem justamente do fato de tratar a babá como coisa. Foi essa minha bronca também.
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