Meu babóg

Troque sua chupeta por uma estória

(Uma Campanha Sorensen Pelo Deschupetamento Infantil Sem Drama)

Verdade mesmo o que eu disse no outro post, de que doeria mais em mim do que nele. Talvez porque eu tenha chupado chupeta até os 5 anos quando tive estomatite e não conseguia colocar nada na boca, e me lembro de que sofri bastante.

E além disso me bateu uma certa culpa. O hábito da chupeta como conforto fui eu quem estabeleci. Serviu primeiro como um jeito de ele parar de chorar no carrinho (E. nunca gostou de sair de casa no carrinho, ou mesmo na cadeirinha do carro do pai) e para me dar um minuto de silêncio com mais frequência do que eu gostaria de vez em quando. Portanto, não achei justo que esse momento de conforto fosse tirado assim dele sem mais nem menos, sem substituição.

Foi por isso que naquele primeiro dia eu sofri mais do que ele, que perguntou algumas vezes, tentou procurar pelas chupetas, chorou um pouquinho, mas ficou bem, obrigada.

No segundo dia foi mais fácil para ele e um pouco menos difícil para mim. Expliquei que a chupeta era só para a hora de dormir, que durante o dia ela precisava descansar também. Não quis esconder ou jogá-las fora (mesmo porque ele ainda dorme com uma), colocamos as chupetas na gaveta de sempre e ele se despediu dizendo “night night (boa noite), pepe”. Por alguma razão eu achei melhor que ele soubesse que elas estão ali, mas que é ele quem não precisa delas. Também fiz com que ele me entregasse a chupeta, ou colocasse na gaveta, sem tirar dele quando ele estivesse distraído.

E no terceiro dia a substituta natural da chupeta apareceu. Uma estória. E. chorou na porta do quarto que queria a chupeta e tentei distraí-lo com um livro que estava próximo, sempre explicando que ele poderia pegar a chupeta antes de ir para a cama. Ele se despediu da chupeta, sentou no meu colo para a estória e esqueceu do assunto.

Mais tarde, quando sentiu falta da chupeta ele mesmo disse que “pepe bed bed, pepe night night” (chupeta só na cama) e me pediu uma “estóia”. Foi à estante, buscou um livrinho e sentou comigo.

Desde então tem sido assim. Logo de manhã ele entrega a chupeta (e o cacão, o cobertorzinho de estimação que ele sempre associa à chupeta) e se despede. Durante o dia, quando ele percebe que precisa da chupeta ele mesmo se lembra que não pode, diz “no pepe, estóia?”. E por 2 ou 3 minutos ele senta no meu colo para ouvir uma estória.

E assim todos viveram felizes-para-sempre-até-esse-momento. E sem chupeta.

N.

PS. Quando o coração mandar começaremos o deschupetamento noturno.

22 Comments

38 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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May 6, 2013
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22 Comments

  • Manu Maia

    Ahh que lindinho se despedindo da pepe!

    Bom saber que vc’s encontraram uma forma de “deschupetar” sem trauma. Me lembro que minha mae escondeu nossas chupetas em cima da geladeira, mas eu e meu irmao demos um jeito de subir là em cima e pegar a bichinha!
    Ahaha

    Um beijo

    • Nivea Sorensen

      Manu,
      Talvez eu tivesse escondido se ele conseguisse entender, mas acho uma sacanagem com o bichinho, sabe? =)
      x

  • Didi

    Óun, que lindo. Amei. Será que um dia consigo também?
    beijos

  • Ursula

    Esta historia merece ser passada adiante. Apesar de nao ter tido problema com nenhum dos dois filhos, sei de maes que padecem e o metodo pode ajudar! Boa sorte! Bjs

  • Dani Rabelo

    Ai que bom…. salutar.

    Excelente.

    Acho que sempre é mais difícil para a mãe do que para o filho e, no meu caso, eu sou moooooooole horrores, mas sei que a Laura dorme durante o dia sem a chupeta, passa o dia todo sem chupeta, mas ela me vê e pede chupeta! Será coincidência que me vê à noite? Será que eu tenho cara de chupeta? Será que ela já sabe que eu dou a chupeta pq morro de dó de vê-la se esgoelando para ficar com a dita durante o banho noturno? Eu dou mesmo…. e do banho em diante, é chupeta (banho, troca roupas, mamadeira e sono).

    Parabéns pela força!!!

  • Karen

    So tenho uma coisa a dizer: Ele e um fofo!! “night night pepe” 🙂

  • Priscila M.S.Lima

    Brilhante Idéia do “deschupetamento”, Essa é uma campanha que vale a pena divulgar. Minha história foi bem engraçada: tinha a dita cuja até os 5 anos, que servia mesmo para aqueles momentos de “stress”(leia-se manha).Um belo dia eu levei escondida para a escolinha, que naquela época costumava chamar de recreação, quando fui pegar o caderno na mochila a chupeta prendeu no caderno e veio junto com ele, só que ela saiu literalmente voando no meio da sala. Eu lembro até hoje do meu rosto ficando vermelho e dos coleguinhas rindo de mim. Cheguei em casa, entreguei a chupeta pra minha avó e falei pra ela jogar fora, porque eu nunca mais usa usar aquilo, rsrsrsr só tive recaída quando a minha irmã nasceu 4 anos depois, mas foi só pra chamar a atenção, rsrrss. Bjs e boas leituras com o E.

    • Nivea Sorensen

      Melhor ainda quando a decisão é da criança, não é, Priscila? x

      • Priscila M.S.Lima

        Foi sem traumas, mas também foi tardio né, eu já tinha 5 anos e tive sorte de não ter interferido na minha dentição, que ficou perfeita. Bjs e boas leituras com o E. que cada dia está mais fof.

  • Marcela

    Own, que fofinho! Eu lembro que sofri quando parei com a chupeta, nem lembro se eu tive substituto ou não, mas não fiquei traumatizada nem nada. Se ele aceitou a história numa boa, e já sabe que a chupeta é só de noite, melhor ainda! Não sei como você vai tirar a chupeta da noite, talvez com o tempo ele goste tanto das historinhas que acaba esquecendo delas de vez. Leia histórias mais compridas, quem sabe ele cai no sono e nem se dá conta que a pepe tá na gaveta hehe
    beijos

  • Thais Bessa

    Aqui foi parecido e foi bem tranquilo. Primeiro passamos a associar somente a dormir (tanto soneca do dia quanto o sono noturno). A gente falou que a “ada” (nome que ela inventou e não tem relação nem com o português nem inglês, vai entender!) morava na caminha. Depois dessa fase que a chupeta não saía da cama, passamos à retirada de fato. Mas sem prazos, com calma. Com quase 2 anos e meio ela começou, acho que vindo da creche, a focar no fato de estar crescendo e ser uma “big girl”. Começou a conversar sobre as diferenças de bebê e big girls. Aos poucos começamos a falar que chupeta é pra bebês e na creche também falavam isso. Mas bem aleatoriamente, sem pressão. Uma semana a gente achou que estava pronta e começamos a falar que no final de semana ela poderia dar a chupeta pra um baby. Ela todo dia contou na creche toda feliz que no fim de semana daria a chupeta pra um baby que precisasse. No sábado antes de começar a rotina noturna ela me ajudou a embrulhar as chupetas num papel bonito, escrever um cartão e deixamos do lado de fora de casa pro postman levar pro baby que precisasse.

    Ela não pediu pra dormir, nem pra soneca e ficou toda feliz de ter dado pra quem precisava!

    Meu conselho não-solicitado é esse: firmar bem que a chupeta é só pra dormir e esperar ele entender melhor pra tirar de tudo. Mas sem pressa…

    Bjos

    • Nivea Sorensen

      Não temos pressa mesmo, Thais. Obrigada por compartilhar sua experiência x

  • Francine

    Nossa que lindo!!!
    Que bom que tudo evoluiu bem. Achei seu método muito bacana, sútil e eficiente.
    Em casa a chupeta foi embora de uma vez com uma troca na loja de de brinquedos. Só que Felipe tinha três anos. Ele entendeu bem o porquê de tirarmos a chupeta, já que esta estava entortanto seus dentinhos.
    Graças a Deus foi super tranquilo, ele não pediu e não chorou. Acho que ele percebeu que realmente era necessário. E por sorte seus dentinhos voltaram todos pro lugar. bjos

    • Nivea Sorensen

      Francine, com 3 anos eles já entendem e até participam do processo, não é?
      x

  • kel

    Que lindinho, até que foi fácil hein….agora vai ser muita estóia. rs
    Te mandei o email, obrigada!

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