Pretensões e Desabafos

A brasileira sem ritmo e o irlandês perna-de-pau

Coloque os dois para fazer aulas de dança e o resultado é fácil de imaginar. Para quem me conhece, explicar como eu entrei nessa é tarefa um pouco mais difícil.
Ao aceitar casar eu perdi todos os parâmetros das coisas que “eu faço” e “não faço de jeito nenhum”. Depois de fazer isso na igreja então é que eu percebi que eles haviam sido perdidos de vez, sem chance nenhuma de recuperação.
Logo ao voltar para Dublin, conversando com I. num pub, sugeri que nós fizéssemos um curso de dança. Ele achou uma boa idéia. Eu devia estar bêbada. Ele, não me levou a sério. E não era sério mesmo.
Depois disso comecei a procurar por um curso para passar o tempo. Me interessei por Francês, mas não houve procura suficiente para a abertura de uma turma. A de espanhol era muito básico. E várias das outras coisas pelas quais me interessei, só têm início no verão.
Aí vem minha sogra e sugere o curso de dança.
Eu não danço. Não tenho nenhum ritmo ou coordenação motora para tanto. Quando criança morria de inveja das meninas (todas) que faziam “jazz”. Eu nem sabia o que era jazz (nem sei até hoje), mas achava super chic não poder fazer o trabalho de escola hoje a tarde “porque eu tenho jazz”. Mas era uma inveja boba, eu queria mesmo era estudar inglês.
Falta talento, sobra vergonha-na-cara. Eu morro de medo de bancar a ridícula na frente dos outros. Odeio discurso, brincar de mímica e todas essas coisas que me colocam on the spot. Especialmente se for para fazer algo em que eu definitivamente não sou boa.
Por isso mesmo as aulas de dança seriam o meu ultimate challenge.
E ao mesmo tempo eu queria me expor. Queria tentar fazer alguma coisa totalmente not me. E queria fazer alguma coisa com I. Melhor ainda se fosse divertido e se a gente se exercitasse.
Ontem a noite então, depois de quase um mês remoendo a idéia, lá fomos nós. Donnybrook, pertinho de casa, noite bonita, vamos caminhando. I. sugere parar num pub e deixar esse negócio de dança pra lá, mas eu não dou meu braço a torcer. E como foi combinado antes do casamento: “I’m the boss”.
Escolhemos, ou melhor eu havia escolhido “salsa/latin dances”. 6 semanas. Pago. Não dá mais para desistir.
Começamos com Jive, que eu nem sabia ser “latino”. Uma hora depois, eu estou suada, vermelha, exausta e feliz. Somos sem sombra de dúvida, o pior casal (6 ao todo) do grupo. E eu, contrariando todos os esteriótipos, sou ainda pior do que I., irlandês, descendente de vikings.
Mas no final, ninguém deixou aquela sala se sentindo mais successful do que eu!  E pra comemorar, porque ainda estamos na Irlanda, terminamos a noite num pub.
N.
ps. Looking forward to next week!
3 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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April 29, 2010
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3 Comments

  • Ana Flavia

    Que legal! Divirta-se muito.

    Mas me conta, como conseguia ser professora temendo tanto be on the spot?
    Já eu adoro: era a porta voz da sala em todas as classes escolares e nao perdia a oportunidade de aparecer em apresentacoes escolares e tal. Até quis ser jornalista.

  • Edi Oliveira

    Nossa! Qdo eu falo q sou uma brasileira q não sabe dançar todos super estranham… Ainda bem q não sou a única, então…

    Semana q vem estarei por aí e marcaremos de tomar umas pints…

    bjs

    Aliás, estou linkando seu blog ao meu…

  • V.

    Oie!!
    Realmente, brasileiros têm fama de bons dançarinos..rs, eu sou! Amo dançar!

    Bom, se tudo der certo, vou no começo de 2011 para Irlanda. Sabe de alguém que queria uma au pair por aí? Pode ser um marido também, rs…
    Bjs, c ya!

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