Eu estou longe de ser o tipo de pessoa que se preocupa excessivamente com o que vai usar.

Não dou muita importância para marcas mas gosto de coisa de qualidade. Se for para parecer um outdoor ambulante exibindo logos e etiquetas, não uso. Mas também tenho horror à Penneys*, salvo raríssimas exceções.

Gosto de conforto e meu armário é basicamente composto de jeans e blusinhas. Aliás, tenho sorte que no trabalho não preciso me vestir formalmente.

Mas obviamente eu não escreveria um post sobre isso. O assunto aqui é o que vestir numa situação dessas que não acontecem todos os dias, e pela qual eu nunca passei: o parto.

Há meses a bendita mala do hospital vinha me tirando o sono. A minha, não a do babóg. Ou melhor, a minha mais do que a do babóg. Porque por mim faria uma mala gigante com tudo o que eu por ventura possa precisar, e com mil opções para o antes, o durante, e o depois.

Quer dizer, o antes pouco importa porque vou terminar indo para o hospital com o que tiver vestindo em casa mesmo. E aí bateu a dúvida maior: o que usar no durante?

Se fosse uma cesárea não teria esse problema, porque acho eu que uma cesárea deve exigir toda aquela parafernália cirúrgica. Mas para o parto normal eu mesma tenho que providenciar o que usar.

Fui ao google então: “parto normal, o que vestir”. Em português a pesquisa não resultou em nada, claro, afinal no Brasil parto normal é cesárea. Em inglês dei mais sorte e encontrei milhares de fóruns com conselhos de outras mães. Basicamente todas diziam a mesma coisa: eu precisaria de uma camisola, confortável o bastante para acomodar a barriga, e aberta na frente para permitir contato e amamentar o bebê nos primeiros minutos após o nascimento. Consenso geral também que melhor que a peça em questão seja bem velha, ou não custe muito, uma vez que vai ficar completamente inutilizável depois.

Considerei por alguns minutos comprar algo bem barato na Penneys mesmo. Uma daquelas camisetas grandonas de dormir. O problema é que acho todas horrorosas, principalmente aquelas com motivos infantis ou cores esdrúxulas. Pior ainda se for Disney. Eu que já não estou exatamente empolgada com o fato de ter um parto normal, gostaria de evitar ter um pateta estampado na barriga. Verdade, não quero estar feia na primeira vez que meu filho me ver.

Mentira, estou usando meu filho como desculpa. Eu não quero estar feia e ponto. Já não existe lá muita dignidade num parto normal, você há de concordar, então quanto mais da minha eu puder salvar, melhor.

Uma vez decidido isso resolvi que compraria uma camisola de gestante. Mas olhando os sites de algumas marcas, fiquei chocada com os preços. Afinal de contas, eu também não quero gastar uma fortuna numa camisola que vai ser jogada fora depois de usada uma única vez.

O problema foi finalmente resolvido alguns dias atrás na Mothercare: acabei encontrando em promoção exatamente o que eu procurava, uma camisola descente que não me custou os olhos da cara. Comprei pijamas para o depois também, desses que permitem amamentar.

E foi aí que mandei o orçamento ralo abaixo e comprei TUDO novo: toalhas grandes e macias, roupão, desnecessaires novas, mini produtos de higiene pessoal (desses que custam muito mais caro do que as embalagens de tamanho normal), além de todas as necessidades (calcinhas descartáveis, absorventes, protetores de seio). Enfim, tranqueira suficiente para uma estadia de semanas no hospital, cobrindo qualquer eventualidade.

Quando I. olhou a quantidade de sacolas espalhadas pela sala e me olhou com cara de “onde foi parar toda aquela conversa sobre querer economizar ao máximo?” eu tive que apelar para o meu filho mais uma vez (ou melhor, nessas horas ele é nosso filho): fiz cara de manha e disse que já que ia dar um filho para ele o mínimo que podia fazer é me oferecer um mínino de conforto, não é?

E ai dele se discordar.

N.

PS.: a Penneys, se você não mora na Irlanda, é uma loja de preços acessíveis e qualidade mais do que duvidosa.