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Pretensões e Desabafos

Demais

Hoje acordei de saco-cheio de ser mãe.

Preocupação demais (estão bem? terão fome? passarão frio? o lanche é suficiente? ai se não comer as frutas primeiro…), amor demais (chega a doer, sério, clichês a parte), roupa para lavar demais (mãe slash dona e única empregada explorada de uma lavanderia industrial). Paciência demais que você precisa ter, e birita demais que você precisa consumir ao final do dia para se recuperar (outro dia eu vi um meme que dizia que ter filho não era caro, caro é todo o vinho que você precisa tomar). Tudo em muita quantidade. Tudo muito. Tudo demais. Demais.

E agora pensa comigo, demais não é sempre bom. Quando você está ali felizona e alguém te pergunta “como você está?” você responde “Bem e você “? Ou “Muito bem, e você?” (ou “not too bad” se você for pessimista e/ou irlandês). Ninguém diz “estou bem DEMAIS”. Porque fica estranho, não fica? Ou só fica estranho para mim? Tenho a impressão que não sou só eu que acho demais um exagero.

Ainda tem o problema de que eu já sou uma pessoa que sente DEMAIS. Eu sinto muito, tudo, com muita intensidade. Quando estou bem, e mais ainda quando estou eufórica (sou bipolar, literalmente bipolar). Sei lá se isso é hiper sensibilidade, transtorno de ansiedade, frescura (chama do que você quiser). O fato é que, o que é demais para a maioria, é demais elevada à décima potência para mim.

Preocupação demais, amor demais, roupa para lavar demais. Paciência demais que você precisa ter e birita demais que você precisa consumir ao final do dia para se recuperar. Tudo em muita quantidade. Tudo muito. Tudo demais. Demais.

E eu estou precisando DEMAIS de um break.

N.

About Author

42 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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