Não, esse não é um post sobre Lord Voldermort. É sobre o meu filho, o ser que atualmente vive na minha barriga, que não gosta quando eu espirro e está do tamanho de uma couve-flor. Mais especificamente, sobre o nome dele.

Meu filho tem nome escolhido. Aliás, nome, segundo nome (definitivamente assunto para um outro post) e sobrenome. Se você é novo por aqui pode conferir a história do nome nesse post.

Aqui no blog eu o chamo de E. Nem tanto para proteger a privacidade dele, mas para seguir um padrão que eu criei quando comecei a escrever em 2006. Aqui todo mundo a quem eu me refiro eu chamo pela inicial.

Por causa disso, algumas pessoas (amigos virtuais e reais) também se referem a ele como E. E só para deixar claro, eu não me importo quando o nome todo é usado.

A família toda no Brasil (e amigos) o chamam pelo nome e “Já tem nome?” é sempre uma das perguntas da lista de quem percebe que estou grávida (além de “quantos meses?”, “vai nascer aqui?” “é menino ou menina?”).

Ou melhor, na lista dos brasileiros que eu encontro. Se o idioma, a cor de pele, o tom de voz, e às vezes falta de noção, por si só não fossem suficientes, a pergunta “já tem nome?” seria indicativo da nacionalidade.

Irlandês não pergunta o nome (e diga-se de passagem, nem o sexo). E olha, não conheço poucos: a maioria das pessoas com quem eu trabalho (funcionários e alunos), toda a família de I., amigos e colegas de trabalho dele. Até hoje, ninguém demonstrou o menor interesse no nome do meu babóg.

Pois é, nem mesmo os avós paternos sabem o nome que escolhemos. Aliás, se sabem descobriram virtualmente. Nada difícil já que minha cunhada é amiga de FB e passa por aqui (mesmo sem falar português). Mas o fato é que eles nunca nos perguntaram e não se referem ao neto pelo nome.

Quando escrevi no blog que tínhamos feito a escolha, I. ficou meio chateado comigo. Achou que eu não deveria ter divulgado, que o nome tem que ser surpresa. Por essa razão, antes do Natal, a caminho de Killarney, achei melhor perguntar como deveria proceder caso alguém me perguntasse sobre o nome. A resposta dele? “Ninguém vai te perguntar nada”. Olha só que audácia!

Não é descaso ou falta de interesse, não. Muito menos superstição. Os irlandeses na verdade simplesmente respeitam o seu direito à privacidade. Partem do princípio que você pode não querer falar à respeito e para evitar constrangimentos, não perguntam.

Eu, também a fim de evitar constrangimentos, vou considerar a hipótese de cháma-lo até o nascimento simplesmente de You-Know-Who.

N.

p.s. tá vendo a ilustração aí em cima? Foi feita por I. (que coitado, assim como a minha família, acha que You-Know-Who vai ter os olhos dele), especialmente para ilustrar esse post.