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Homeopatia

Meu grande primeiro choque cultural com a vida aqui na Irlanda aconteceu durante o pré-natal do meu filho.

Para quem não sabe, o tipo de acompanhamento pré, durante, e pós-parto que a gente tem aqui é muito diferente do que o que acontece no Brasil. Primeira consulta só no final do 3° mês de gestação, acompanhamento feito por um clinico geral e pelas parteiras do hospital público, pouquíssimo contato com um obstetra, uma única ultrasonografia por volta da 22ª semana. Isso só para começo de conversa…

Até o nascimento do E. eu, ainda completamente brasileira, nesse sentido, achava que era um sistema bastante inferior mas hoje eu tenho uma opinião completamente diferente. Tão diferente que eu já não me reconheço mais nos posts que escrevi sobre esse assunto antes.

Depois de ter passado por esse processo por aqui eu comecei a perceber que no Brasil a gente toma remédio demais. Vamos ao médico demais (já que muita gente paga plano de saúde e não paga pelas consultas diretamente), eles receitam demais e ainda por cima nos auto-medicamos demais. Sem contar na quantidade de exames e procedimentos médicos. Será que a gente precisa mesmo de tudo isso? Eu honestamente acho que não.

Hoje, por exemplo, eu só tomo um remédio para dor de cabeça ou cólica depois de ter tentado uma compressa de água fria ou quente e se a dor for tão severa que não me possibilite executar alguma tarefa importante. Alguns anos atrás eu engoliria dois comprimidos ao primeiríssimo sinal de desconforto.

Foi por isso que há algum tempo atrás, quando minha sogra sugeriu levar o E. a um homeopata eu comprei a idéia de cara.

Para quem me acompanha por aqui sabe que tivemos muitos problemas com o menino que passou praticamente 2 anos da vida sem dormir uma noite inteira. E. adormecia fácil, sozinho, mas acordava praticamente de hora em hora durante a madrugada. Dormia de boca aberta por conta de um nariz sempre entupido, sempre com muita coriza, catarro, sede no meio da noite, tosse constante e alguns episódios de asma. Estava sempre gripado, teve diversas infecções de ouvido, de pulmão, de garganta, tomou muito antibiótico.

Chegamos a pedir ao nosso médico que nos encaminhasse à um especialista (alergologista), o que nós sabemos, poderia demorar um tempo enorme a não ser que pagássemos pela consulta particular (aliás, isso já deve fazer uns 6 meses e ainda aguardamos). Claro que eu não me importaria de pagar, mas o problema é que eu nunca confiei muito que um médico aqui na Irlanda conseguisse resolver o problema do meu filho.

Enquanto esperávamos por essa consulta a minha sogra pesquisou e encontrou uma homeopata que atende em Dublin, aqui perto de casa mesmo. Agendamos um horário e levamos E.

Depois de mais de uma hora e meia de conversa ela chegou a conclusão que ele produzia muito muco e que isso poderia provocar as noites em claro (o que a gente já concordava uma vez que ele havia apresentado melhora quando cortamos o leite de vaca da alimentação). Receitou dois tipos de remédio, um para regular o organismo dele (que ele toma semanalmente), e outro em caso de crise de tosse e gripe. Combinamos testar os remédios por 3 semanas e voltar pra uma consulta de acompanhamento.

Em três dias E. começou a dormir. Dorme a noite INTEIRA, de 10 à 12 horas seguidas sem acordar. Teve desde então um ou dois resfriados, curados em pouquíssimos dias com os remédios homeopáticos e que não foram seguidos de infeção ou crise asmática, como era o costume. Desde então ele não precisou ir ao médico ou tomar nenhum medicamento tradicional. Não usamos a bombinha para asma nenhuma vez.

E. é outra criança depois da homeopatia. Quase difícil de acreditar na melhora.

A mudança foi tão grande que eu resolvi marcar uma consulta pra mim também. Foi no início da minha gestação, quando os hormônios me deixavam com muitos sintomas de depressão. Começava a ter insônia, o cansaço me consumia e eu passava dia-sim-dia-não chorando. Sabia que era temporário e não queria voltar a tomar anti-depressivos (que teriam sido, sem dúvida, prescritos pelo meu médico).

De novo foi uma decisão acertada, hoje eu tomo umas gotinhas antes de ir para a cama, para dormir melhor, e tenho dois remédios para tomar (um para depressão e outro para o cansaço caso eu não durma) se necessário for. Por recomendação dela também tomo um suplemento natural de ferro que me ajuda a ter um pouco mais de energia.

Minha primeira consulta (que já foi seguida de um retorno para ver como eu estava) foi praticamente uma sessão de terapia. Já tenho com a homeopata uma relação de bastante confiança. Ela vai, inclusive, participar do meu pré-natal auxiliando para que eu consiga ter um parto mais natural dessa vez (no parto do E. eu optei por tomar uma anestesia) e também nos primeiros dias de amamentação.

Claro que não estamos eliminando de vez o uso da medicina tradicional. Acredito, no entanto, que as duas coisas podem caminhar juntas e trazer muitos benefícios.

Aqui em casa, pelo menos, tem funcionado muitíssimo bem.

N.

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39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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August 15, 2014
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22 Comments

  • Thais

    Oi Nivea. Eu quase nunca comento aqui, mas acompanho seu blog há muito tempo. Quero primeiro te desejar tudo de bom nessa segunda gravidez e que tudo corra bem e o mais natural possível.
    Tenho um filho que acabou de completar 5 anos e faz uso de homeopatia desde os 3 anos. Ele é muito alérgico, tinha crises respiratórias horríveis, parava de respirar, tinha que tomar adrenalina…um horror. Com a indicação de uma amiga, encontrei uma pediatra homeopata e desde então ele não teve mais crises respiratórias e dificilmente fica doente. Foi maravilhoso para ele!
    Fico feliz que para o E. também tenha dado certo.
    Um beijo. Thais

    • Nivea Sorensen

      Parece ser bem comum a melhora entre quem sofre problemas respiratórios, né, Thais? Um beijo e obrigada pelo comentário.

  • Ana Luísa

    Oi Nívea! 🙂
    Sabe que aqui em casa eu ouço, desde pequena, minha mãe falar que até acredita em homeopatia, mas tem que ter muuuuita paciência porque demora demais pra funcionar. Minha irmã teve alergia a vida inteira, aquele neném/criança que vivia o tempo todo espirrando, coçando e coisa e tal. Usou muita medicina tradicional na vida. Eu nunca precisei de muitos médicos e medicamentos, e tenho muito medo de agulha, fora que já li tanto artigo sobre a falta de necessidade do uso de medicamentos como se fossem balinha que tenho pavor disso. Quando tenho dor de cabeça, tomar um comprimido é o último dos meus recursos. Devo tomar 2 por ano e olhe lá, geralmente eu resolvo com um banho da cabeça aos pés. Chuveiro batendo na cabeça é a melhor coisa do mundo. E acho a homeopatia muito a minha cara, por causa de tudo isso. 🙂
    Que bom que resolveu o problema do E.!
    Beijo

    • Nivea Sorensen

      Obrigada, Ana. Eu pensava bem diferente mas parece que quanto menos medicamento a gente toma menos precisa deles. Só pode ser bom, né? x

  • Cintia Romano

    Oi Nivea. Meu filho de 2 anos tem exatamente os mesmos sintomas que vc descreveu do Erik! Dormiu pouquíssimas noites desde que nasceu 🙁
    Acho que vou procurar um homeopata, não custa tentar!
    Bjs

    • Nivea Sorensen

      Cintia,
      Eu não sei se resolve para todo mundo, acho até que algumas pessoas devem reagir melhor ao tratamento do que outras, mas realmente chega uma hora que a gente já tentou de tudo mesmo, né? Olha, mal não vai fazer… x

  • Lorna

    Nívea, na minha casa só havia remédio para febre. Faço uso de homeopatia desde sempre e é muito eficaz, especialmente para problemas de alergia e problemas respiratórios (já há resultados científicos positivos nessa área). A única coisa que sempre falo para quem começa a tomar homeopatia é que quando a doença já está instalada, especialmente se envolver pus, é melhor usar a alopatia mesmo, porque é muito sofrimento (aqui eu falo como paciente).

    Meu marido (que é médico) também diz que no Brasil se faz muito exame desnecessário, especialmente durante a gravidez. No Brasil a gente pede para o médico uma solicitação de exame, coisa que não acontece aqui, de jeito nenhum. E, surpreendentemente, aqui os médicos que passei evitam muito passar remédio e receitam (literalmente) várias coisas naturais.

    Boa gravidez para vocês!!!

    • Nivea Sorensen

      Lorna, é verdade, eu nem me lembrei de mencionar isso. A própria homeopata chegou a comentar isso conosco. O objetivo, como eu disse, nunca foi substituir uma coisa pela outra, mas fazer com que juntas ela traga mais benefícios para ele. Obrigada e um beijo

  • Marianna

    Olá, Nívea. Tdo bem?
    Meu filho tem exatamente os mesmos sintomas do seu. Já iniciei tratamento com homeopatia há algum tempo, mas não tive esse mesmo resultado que você.
    Você poderia me indicar qual é o tipo do homeopata que você foi, se ele é unicista ou pluralista? Assim posso buscar algum na mesma linha por aqui.
    Obrigada!

    • Nivea Sorensen

      Marianna,
      Eu não sei! Aliás, uma coisa que eu esqueci de mencionar no texto é que me interessei muito pelo assunto mas ainda não comecei a pesquisar a respeito. Eu procurei no google a descrição dos dois tipos (e também na página da minha homeopata) mas não consegui chegar a nenhuma conclusão. O que ela parece fazer é receitar um remédio para o organismo como um todo e outros para sintomas específicos. Prometo que vou perguntar na minha próxima consulta.
      x

  • Bibi

    Nina está com amignalite bacteriana neste exato momento. descobrimos anteontem e, para meu desespero, ela entrou no antibiótico. Levei na emergência e a pediatra receitou. Aí, como ela nunca, no alto dos seus dois anos e um mês, havia tomado antibiótico, relutei. Liguei para o pediatra dela, que é muito contra medicação (em mais de um ano acompanhando a Nina, ele NUNCA receitou um remédio sequer). Ele disse: amigdalite bacteriana não tem jeito: é antibiótico.
    Aì fui pra internet ler a respeito e vi que tinha que dar mesmo. Mas meu coração partiu, porque enchia a boca pra falar: Nina nunca tomou antibiótico.
    eu errei. Devia ter levado num homeopata há tempos já, para evitar isso.
    Minha primeira providência depois que ela melhorar? Marcar uma consulta com um homeopata. É muito bom. E talvez todos nós (eu, marido e filha) devamos fazer isso. É praticamente uma prevenção.

    • Nivea Sorensen

      Bibi,
      Se ela tem essa idade e nunca tinha tomado antibiótico você tem mais é que se orgulhar. Eu não sou absolutamente contra, não. Assim como a Lorna falou aí em cima, tem casos em que a gente precisa de remédio mesmo. Meu problema é que aqui o uso estava sendo frequente (apesar de que meu médico também, assim como a maioria aqui, evita prescrever antibiótico). O objetivo nosso com a homeopatia era mesmo o de evitar que ele ficasse mal com tanta frequência. Hoje, no entanto, se ele apresentar alguma infecção nós levamos ao médico mesmo. Espero que ela melhore. Um bejio

  • Gabi Ramalho

    Oi Nivea!

    Eu sempre fui quase hipocondríaca, sabe?! Remedinho pra tudo, às vezes um analgésico só pra dormir melhor (!!!)…terrível!! Meu marido é o contrário, foi tratado com homeopatia a vida toda, nem vacinas tomou!
    Nos ano de convivência o funcionamento do sistema imunológico dele me chamou a atenção: enquanto eu passava de 7 a 10 dias com gripe, ele fica um dia bem mal e no outro já acorda novo! Aos pouquinhos comecei a namorar a idéia da homeopatia e minha gravidez foi a chave pra mudança verdadeira! Influenciou no meu pré natal, no meu parto (que foi natural) e na maneira como levo as coisas com a minha filha agora!
    Minha farmácia, que sempre era reabastecida nas viagens pro Brasil, começou a ficar parada (ao ponto de ter que jogar várias coisas fora pq foram vencendo e não fazendo falta..), eu já quase não tomo remédio (alopata) pra nada, fiquei um ano inteirinho sem pegar nenhum resfriado (!!!) e minha filha, em quase 7 meses, está puramente na homeopatia – isso com alergia alimentar com todos os sintomas “dos livros” e uma bronquiolite pelo caminho!
    (só as vacinas que acabamos chegando num “meio termo” com a pediatra e dando as que consideramos – nós e ela – essenciais)

    Foi uma mudança ótima pra minha família e tenho certeza que será pra sua também!

    Ah! E parabéns (meio atrasado?) pelo novo bebê!!! Fiquei muito feliz com a notícia!!

    Beijos

    • Nivea Sorensen

      Gabi, eu não estava longe disso aí, não. Gripe? Me enchia de remédio (váaarios) ao primeiro espirro e vivia gripada. Só na gravidez é que parei por não poder tomar nada. E não é que depois disso as gripes são quase raras? Quanto às vacinas eu acho que tem que dar, sim. O Erik tomou e o próximo bebê também vai. Obrigada e um beijo.

  • Ingrid

    Niiivea, esse post veio na hora exata para mim! *-*
    Nao sei se ja comentei aqui, mas eu curso Farmacia… Justamente por estudar a composicao, mecanismo de acao e efeitos adversos dos medicamentos, geralmente sou contra o uso deles (so costumo tomar em ultimo caso) e, desde que comecei a estudar terapias alternativas (na verdade eu prefiro chamar de medicina complementar, pois acho que ela nao deve eliminar completamente o uso da alopatia), me encantei e quero me focar nisso quando for trabalhar.
    Eu estou fazendo um trabalho aqui na UCD justamente sobre isso, com foco especial em homeopatia, mas nao encontrei nenhum artigo cientifico ou algo semelhante que mencionasse seu uso em criancas. Voce se importaria caso eu traduzisse esse seu post para o ingles e o usasse em meu trabalho?
    Fico feliz que os tratamentos estejam funcionando tanto para voce quanto para o E. Beijos!

  • Gabi

    Nivea, tudo o que vc falou é tão verdade.. a gente toma remédio demais. Um fato curioso: nesse inverno andou dando uma gripo horrorosa aqui pelas bandas de São Paulo. Meu pai (que nunca fica doente na vida) pegou uma gripe que o derrubou por mais de 20 dias, o médico tinha certeza que era pneumonia, fez vários exames pra isso, mas não era. Fez também exame de gripe suína, aviária, e nada. Era só gripe mesmo.. Eu (que não moro com eles) peguei uma parecida, que me derrubou por 15 dias. Vários conhecidos, idem. Aí, em uma conversa com minha gineco, mencionei isso, e ela me disse que o brasileiro vem se auto medicando, e tomando tanto remédio há tanto tempo, e de forma tão errada e descontrolada, que estamos criando super bactérias, muito mais resistentes à medicação e danosas à nossa saúde… a que ponto chegamos, né?

  • Fabiane

    Minha mãe é super fã da homeopatia e acabei aderindo também, tive crises de enxaqueca que nada resolvia e nenhum médico ajudava. Fiz tratamento por 1 ano e desde então não tive nenhuma crise, e quero procurar atendimento homeopatico aqui em Portugal para TPM rs.
    Que assim seja com vocês e permaneçam saudáveis como deve ser!

  • Derli Teixeira Rodrigues

    Boa tarde. O meu filho está morando desde o dia 03 de julho em Dublin, e pegou uma renite bem severa. Moramos em Porto Alegre, Brasil. Ele sempre se tratou com homeopatia. Por favor informar o nome da homeopata e telefone. Desde já agradeço muito.

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