Meu babóg Pretensões e Desabafos

Super protetora é a mãe!

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Sou dessas.

Protejo MESMO a minha única cria.

Protejo para que ele não tome da vida só porrada e para que ele sofra o menos possível. Ou melhor, para que ele esteja preparado pra tomar da vida as porradas, levantar, sacudir a poeira e continuar. Protejo para que ele não ache que pode vencer sempre, que pode ter tudo o que quer e para que ele seja o mais independente possível.

Por isso quando ele cai (e são muitas as quedas literais) eu não faço alarde. Não grito, não saio correndo para pegar. Claro, sempre estou ao lado para ver se ele se machucou (por dentro o coração vai a mil, mas ele não precisa notar meu desespero). Não foi nada? Ótimo, ele levanta sozinho e no máximo ganha um beijinho se estiver dolorido.

Por isso ele come sozinho (mesmo que eu sente ao lado na maioria das vezes) desde muito pequeno, apesar da sujeira. Prefiro mil vezes limpar a bagunça do que cortar o bife dele aos 12 anos de idade.  Ou daqui há 30 anos ouvir uma nora (ou genro, né?) reclamar que ele não faz nada em casa.

Por isso ele dorme sozinho. Porque eu ensinei desde cedo. Ele ganha sempre estórias e música na cama, mas deixamos o quarto com ele ainda acordado. Ele aprendeu que não precisa da gente para cair no sono e que não tem problema ficar sozinho até o sono chegar. Ele sabe que se chamar nós atendemos na mesma hora.

Por isso ele guarda seus brinquedos, coloca o lixo no lixo, a roupa suja na máquina, ajuda a esvaziar a lavadora, a guardar a louça. Tudo brincando, claro. Mas ele faz. E vai continuar fazendo.

No banho encorajo que ele se ensaboe e se enxague também. Os dentes ele escova sem ajuda, praticamente, desde pegar a escova, molhar (eu coloco a pasta de dentes) e depois limpar e guardar tudo.

Agora ele está aprendendo a tirar e colocar a roupa. Precisa de ajuda? Claro. Leva tempo? Só vendo para crer. Me dá nos nervos e eu quero fazer eu mesma para me poupar do estresse? Sempre.

O carrinho de “bebê” também está sendo aos poucos aposentado. Sempre que possível E. caminha comigo, de mão dadas (e assim temos saido a pé, de ônibus, de trem, de táxi). A coleira que foi tão útil quando ele começou a caminhar (para mantê-lo perto) já não tem uso porque cheguei a conclusão que com 2 anos ele já tem a capacidade de aprender como se comportar na rua. No começo foi um caos mas dias depois ele já parece todo crescido ao meu lado.

Confesso, acho lindo uma criança pequena que não fica grudada na mãe. Que come sozinha, que se vira, que brinca, que vai aos poucos ganhando jeito de criança e não mais de bebê.

Se você conhecesse o meu filho de perto saberia que isso não significa não dar carinho e atenção. E significa muito menos que eu não queira ter trabalho (ou você acha que não dá trabalho ensinar, ajudar, estar ao lado?).

E. é esperto, carinhoso, cheio de vida e de energia e não é pato para ficar debaixo da minha asa.

Filho a gente cria para o mundo.

Mas isso é só o meu jeito de ser mãe.

N.

28 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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October 23, 2013
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28 Comments

  • Carol

    PER-FEI-TO! Posso dizer que é exatamente assim que penso em criar o Thomas? Dá trabalho? Muito, mas tb acredito que uma criança independente é mil vezes mais lindo do que uma criança que não sabe fazer nada…rs
    bjoks
    Carol
    http://www.meuparasita.com

    • Nivea Sorensen

      Também acho, Carol. Não saber se virar é horrível em qualquer idade. Ele já depende TANTO de mim, por que não deixar ele se virar no que pode, né? x

  • Karinesmith

    Exatamente como eu faço!
    To aqui rindo sozinha dos apertões do Erik na Mia, tanto amor que jogou ela no chao umas 3 vezes em 15 minutos!…hahahaha
    A gente devia ter gravado….
    beijo

    • Nivea Sorensen

      Meu grande problema com o Erik é o excesso de carinho e amor mesmo. Ele vive abraçando e derrubando crianças menores no chão. Pelo menos a Mia não faz drama, né? haha x

  • Priscila Santos

    Nivs, muito legal!!!! Confesso que demorei para aprender como agir com a Mari em alguns itens, mas agora tudo esta se encaixando…….beijos

  • Paula Oliveira

    Olha, eu não tenho filhos e não sei se jamais os terei, mas vim aqui ler esse texto e precisava dizer: parabéns! Na minha mais ingênua e inexperiente concepção, digo que vc está no caminho certo. Seu filho será um grande homem.

    • Nivea Sorensen

      Obrigada, Paula x
      PS. Eu passei outro dia pelo seu blog mas ainda não tive tempo de ler com atenção. Voltarei.

  • Bruna Dalfré

    O filho é retrato dos seus pais, e infelizmente tem mãe que não é “protetora” ela só não se quer dar ao trabalho de ensinar, é preguiçosa mesmo, pois educar é trabalhoso, exige tempo, dedicação e muita paciência!
    Eu escuto muita coisa de mãe como: “Meu filho não come, só toma leite (mamadeira) é uma lata de leite a cada dois dias”…..Lógico é mais fácil mamar ou comer?, entre outras; eu vejo muito disso…mas enfim cada um tem seu jeito de ser mãe….
    Continue assim, afinal a boa mãe é aquela que torna-se desnecessário com o tempo!
    bjuss

    • Nivea Sorensen

      Olha Bruna, preguiça é um negócio que me irrita. Agora preguiça na hora de educar, pior ainda, né?
      Obrigada e um beijo

  • Manuela

    Eu sempre apareço por aqui, ainda que pouco ou nada comente, primeiro porque admiro a forma como você escreve (e às vezes sou agraciada com imagens de dar água na boca), segundo porque sempre me deixa muito feliz as peripécias desse menino de cabelo de fogo, mesmo que não o conheça ou que tenha qualquer proximidade (não tenho filhos, e creio que não os terei tão cedo). Cheguei aqui um dia, lincando inúmeros sites e me mantive.

    Ai de mim querer falar sobre educação ou a forma correta de fazê-la, mas, Nívea, sinceramente, você é admirável. E quando eu tiver a oportunidade de produzir meus próprios rebentos será exatamente assim que tentarei educá-los, nessa mesma sintonia.

    Muitos beijos,

    • Nivea Sorensen

      Manuela, eu também não posso ensinar a ninguem como educar seus filhos, mas eu sei bem o homem que eu quero que ele seja e faço o que EU acho que vai ser melhor pra ele. Com certeza depender de mim não é o melhor, afinal um dia eu vou e ele fica, né? x
      Obrigada pelo comentário!

  • Kel

    Acho lindo quando os pais criam os filhos assim, para ser independente, espero ser assim também. Bj

  • Bárbara Hernandes

    Adorei! Agora que cuido de criança posso vê-las de perto e você tem toda razão. As meninas que cuido são bem independentes (a de 2 anos e meio se troca e come totalmente sozinha) e a pequena come com uns 50% de ajuda, sabe? Acho ótimo a mãe ter educado as meninas assim. Minha flatmate cuida de um menino de 4 anos que olha pro prato e fala “help”, NUNCA come sozinho. Aí ela acaba dando na boca, porque senão o menino nunca come. Nos primeiros dias que ela não dava na boca pra ver se ele comia e ele acabava não comendo, ela disse que a mãe chegava do trabalho, colocava o menino no colo e dava comida na boca – detalhe, ela manda a minha flatmate amassar a comida pra ele! WTF?!!!

    • Nivea Sorensen

      Pois é, e sabe como começa? Você amassa comida quando eles são bebes e ai vai ficar amassando e dando na boca até 5 anos. Claro que você não vai dar pedaço de comida antes do tempo, mas é um processo, eles crescem e a gente vai aumentando os desafios. Não pode tratar como bebê de colo a vida toda porque ai a vida dá seu jeito.

  • Nicholas Marlon

    Vc está coberta da razão Ni. Eu quero no futuro poder dar o que eu nao tive, e sair um pouco do padrão nos moldes do respeito, sem tabu, sem nada. Quero poder mostrar a eles o mundo também, que nao existe só lugar ruim, a gente descobre e faz nosso jeito.

    Abraços, pra esse Little Viking e pra esses pais maravilhosos.

  • Jamile Camargo

    Ops, acho que meu comment nãoo foi…
    Eu não sou mãe ainda, mas concordo com o que vc escreveu e espero agir assim tbém. Abraço e um bjão no fofo.

  • Fabrícia Lacerda

    Nivea, sou dessas tb… kkkkk
    Qnd o berço do meu filho chegou montei ele imediatamente no seu quarto, muita gente acha absurdo, ele sempre dormiu sozinho e no seu berço. Tanto ele quanto a irmã q tem 7 anos agora. Eu mesmo amamentando de madrugada, após as mamadas colocava ele novamente no berço. Conclusão, todos os 2 só acordaram a noite nos 2 primeiros meses. Faço de tudo pra eles serem o mais independentes possíveis, faço limpa e arrumar e cuidas das suas próprias coisas. Meu filho completa 2 anos agora, já está fazendo pipi no banheiro, mas quando usa fralda( pra dormir) não deixar ninguém jogar a fralda dele no lixo, ele tem q jogar, ele que poe o pratinho na pia, ele que guarda a bagunça que fez, vou só auxiliando e ensinando. Tem gente que acha que isso é ser uma mãe ruim, ou que não ama o filho, quer prova de amor maior que educar e amar? Tem q ter disposição, não pode ter preguiça.
    Hoje pela manhã, ao arruma-lo pra creche (pois trabalho fora), fui ajuda-lo a calçar o chinelinho, aí ele disse: – Talles sabe, mamãe! Calçou o par direito no pé esquerdo, virou pra mim e disse: – tá errado?, eu disse q sim, imediatamente ele trocou e o pé e calçou certinho. Tem coisa melhor pra começar o dia??? amooooo

    • Nivea Sorensen

      Fabricia, Erik dormiu no meu quarto (mas no seu berço) até os 6 meses só porque eu segui a recomendação médica. Depois disso foi direto para seu quarto. Eu também acho uma delicia quando vejo que ele está aprendendo a fazer as coisas sozinho.
      x

  • Camila Lins

    Sempre admirei a forma como você educa o E.

    É super importante dar autonomia para as crianças conforme sua capacidade e desenvolvimento.

  • Mari

    Sabe qual é a melhor parte de ler o seu blog apesar de ainda não ter filhos? É que eu vou aprendendo o quê e como eu quero fazer. Você é uma mãe sensacional, Ni – e por isso tem uma coisa gostosa dessa em casa!
    Ah, e num dá esquecer o I., né? Sem ele você estaria perdida… Hahaha

    Beijão pra você e pro meu ruivo lindo.

  • Fernanda Andrade Silveira

    Exatamente! Detesto mae grude. Minha filha tb é criada assim. Nao posso concordar mais. Eu acredito muito nisso e acho que talvez fique mais facil pormos em prática no que acreditamos por morarmos fora do Brasil, o que vc acha? Eu moro em Londres há 11 anos. Abraco.

    • Nivea Sorensen

      Não tenho dúvidas, Fernanda. No Brasil filhos são criados para morarem com os pais até quase sempre, né? Vejo muita diferença no jeito em que as irlandesas criam os filhos com relação às brasileiras.

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