Meu babóg Pretensões e Desabafos

Os segredos de uma não-entendedora de bebês

(Como ter uma relação tranquila e saudável com o MEU bebê: um livro de pouco-ajuda)

Só lembrando, meu bebê está com pouco mais de 2 anos e em pleno ano do chico. Resumidamente, ele fica extremamente frustrado toda vez que a gente precisa fazer alguma coisa, seja essa coisa trocar de roupa ou fralda, por casaco, sentar no carrinho, tomar banho, sair do banho, pentear o cabelo ou  ir embora do parque. O mesmo drama acontece quando o desenho preferido acaba, quando ele pede por bolacha antes do almoço, quando quer sair para brincar na rua ou quando quer o brinquedo de outra criança. Basicamente todo não ouvido termina com choro, gritos e ele se jogando no chão (bem no estilo daquele vídeo da troca-de-fralda).

No começo eu reagia gritando, mas percebi que isso era terrível para ele e para mim. E foi só depois desse desabafo aqui que eu percebi que precisava aprender a lidar com essa fase do meu filho de maneira mais calma.

Algumas coisas têm funcionado muito bem aqui em casa nesse sentido. Muito bem, mesmo. Muito bem do tipo E. é uma outra criança, muito mais calma, muito mais feliz, que coopera muito mais.

A primeira sem dúvida foi entender que ele não faz de propósito e que ele não sabe como ser de outro jeito. Ou seja, ele não faz para me provocar. Se eu, apesar de saber disso, sentir que não posso lidar com a situação racionalmente naquele momento, sem cair nos berros (o que acontece) eu saio de perto por alguns minutos (vou respirar e contar até 10).

Então, se ele se chora e se joga no chão porque não quer entrar no carrinho (ou sair da banheira, ou trocar a fralda, ou parar de comer bolacha, ou qualquer outra coisa) eu não grito para ele parar ou perco tempo forçando-o a sentar. Eu simplesmente chego perto dele e explico que SEI que ele não gosta de sentar no carrinho, SEI que ele quer caminhar, eu entendo, mas digo que dessa vez não pode (não estou ignorando os sentimentos dele, muito menos passando a mão na cabeça e cedendo, mas ensinando como lidar com a frustração). Na sequência, dou uma opção para ele e o incluo na escolha, tipo levar com ele um carrinho de brinquedo (o azul ou o vermelho? ele escolhe). Ou seja, entrar no carrinho não é negociável, assim como não é a troca de fralda, o uso do casaco na rua, e etc., mas ele pode fazer parte do processo também, fazendo uma escolha (sempre que isso for possível e sempre oferecendo só duas opções simples, este ou aquele? o grande ou o pequeno? agora ou depois da estória?).

Pronto, incluí-lo numa tomada de decisão (qual carrinho levar, por exemplo), e nas atividades diárias (quando ele quer minha atenção eu eu preciso cozinhar), é suficiente para ele sentir que tem algum tipo de controle naquela situação da qual ele não gosta, e colaborar.

Incrivelmente fácil (percebi que posso dar opções para ele em qualquer situação). Claro que existem algumas, que exigem, por exemplo, que ele fique de castigo. Se ele bater, chutar, morder alguma criança (ou nós), eu calmamente, sem raiva, tiro ele de perto, explico que não aceito aquele comportamento e que ele vai ficar 2 minutos no cantinho do castigo. Mas essas situações aqui em casa são bem raras por aqui nesse momento.

Já os dramas, esses ainda acontecem mas são muito menos frequentes e duram muito menos. Ainda preciso ser paciente, ainda preciso respirar fundo e engolir a vontade de gritar, mas no geral está tudo tão bem que já começo a chamar os terríveis-dois-anos de incríveis-dois-anos.

Desse jeito vou deixar a tal da encantadora no chinelo. Tem um problema aí com o seu pequeno?. Diz aí que eu resolvo*.

Vai vendo.

N.

* Mentira e delírio meu, viu? Não se anime. Verdade seja dita, e crédito seja dado, a idéia de dar duas opções para a criança se sentir um pouco mais no controle de uma situação frustrante é do livro da Tracy Hogg.

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38 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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28 Comments

  • Ananda Etges

    Ai Nivea, eu já tinha lido sobre isso. Acho lindo, maravilhoso, simples e prático.
    Mas, na hora H, eu não consigo! Simplesmente fico um ser totalmente irracional e vou pela emoção (ou seja, no grito).
    Ainda preciso trabalhar mais e mais a minha paciência.

    Beijos, Ananda.

  • Juliana Valera

    Que bom que esta funcionando, que as coisas estao mais calmas e tudo mais.
    Que melhore a cada dia ainda mais.
    Beijos

  • Thais Bessa

    Hahaha, eu rezo pela cartilha da Tracy, claro que com as devidas adaptações.

    Aqui quando Bebella teve a crise dos 2, também ajudou muito dar opções, pra ela se sentir mais empoderada. Lembro que teve a fase de não deixar trocar de fralda e contornamos assim: trocar de pé, já que ela não queria mais deitar (menos cocô, claro) e dar 2 opções: vc quer colocar agora a com o cachorrinho ou com o gatinho (bendita Pampers e suas fraldas decoradas!). Isso bastava pra acabar com o drama. Mesma coisa pra escolher roupa, brinquedo, comida. 2 opções sempre e pronto. Não tinha “vc quer tomar banho?” ou “vem tomar banho” Era “vc quer levar o patinho ou a boneca pra banheira hj?” E ela caía feito um patinho (pun intended) quase toda vez, hahaha.

    Cantinho também implementamos desde 1 ano, embora ela só tenha ficado e entendido de fato com 18 meses.

    Aqui a gente reconhece a frustração, mas se for uma birra sem sentido, tipo ela pega meu caderno de trabalho que não pode ser bagunçado e quer escrever nele. Ofereci outros papéis mas parece que não servia, tinha que ser o meu que não pode. Expliquei, mas continuou com a birra, sijogou no chão, gritou? Ignoro bonito. Explico 1 vez que não pode e o porquê e que quando ela se acalmar eu converso e brinco com ela. Sento linda (not) e loira (not) no sofá, faço minha cabeça ira pra China, bem longe dos berros e ignoro. No começo a birra durava até 40 minutos, mas ela aprendeu que esse comportamento não ganha a nossa atenção. Hj em dia dura poucos minutos ou segundos, aí ela vem pra perto de mim com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Eu pergunto se ela quer parar de chorar e conversar, pra eu poder entender. Conversamos sobre o que a irritou, explico de novo o porquê não podia, ela pede desculpas e vamos fazer outras coisas.

    Vc vai ver que a medida que ele for falando mais e mais, a frustração diminui muito e ele vê que pode expressar as coisas com palavras e não gritos ou gemidos. Até hj, whining me irrita mais que grito de criança!

    Bjos

  • Carol

    Olha Nivea, te admiro muito! Cara, vc no maior cansaço mental, esgotada ainda consegue ser uma baita mãe consciente da criação do babóg! Parabéns! eu super concordo em deixar as crianças ajudarem nas tomadas de decisões e também acho que comportamentos inadequados tem que ser punidos! Criança precisa de limite, mas precisa de responsabilidade tb!
    Mega parabéns!! 😀
    bjs

  • Emanoela

    Que bom que as coisas tem melhorado aí. Aqui em casa somos de fases, normalmente quando eu estou bem, incrivelmente tudo vai bem tbm.

    Me sinto frustada em algumas situações, e preciso muito trabalhar a minha paciência (ou a falta dela.rsrs).

    Vou ler e reler esse post, q só me fez bem!

    Bjs

    • Nivea Sorensen

      Obrigada, Emanoela. Mas aqui é assim também, toda vez que eu estou muito cansada ou mal-humorada acho que o Erik também fica mais difícil.
      x

  • Cintia

    Que post legal… Sofia eh uma crianca bem mais contente quando comecei a fazer perguntas tambem e inclui-la nas decisoes. Claro que se for algo surreal, ela leva um ‘nao’. Mas, na maioria das vezes, da certo 🙂

  • Dani Rabelo

    Uebaaaaa!!!
    Uebaaaaa!!!

    Uhu, que mãe mais bacana esse E. tem, viu? Deus do céu, como vc consegue bolar planos e formas de ataque?? Simples: passando um dia com uma criança berrando e se jogando no chão. Só isso faz a gente criar metas, resolver problemas e estabelecer métodos, concordo.

    Acho que vc deve ser uma mãe muuuuuuuuuito bacana, Nívea, muito mesmo! Ninguém, em sã consciência, conseguiria não dormir NADA e ainda prezar pela educação do baby. Vai ver é isso, vc não está sã.
    =) Está meio zumbi…

    Brincadeiras à parte, que fantástico! Fantástico vc ter conseguido colocar em prática alguma coisa que te ajude a não perder a paciência e a razão.
    Eu também faço isso em casa, pq quando a Laura empaca, não sai do lugar e só grita, berra e se joga no chão tbm. É raro, mas acontece em pontos comuns: na hora de entrar no banho. Áh, ela odeia banho. E chora horrores para entrar, faz um drama horrível, é uma gritaria… sempre deixo que ela escolha entre levar a chupeta ou um brinquedo (pq a chupeta ela “só” usa para dormir) e ela sempre leva a chupeta, então fica quieta. hahahahaha

    Tentando equilibrar os pratos, seguimos em frente, não é???

    beijos grandes!!

  • Adriana

    Nívea… perfeito esse seu post!!!

    Estou com a Laura agora, saí do hospital a 5 dias e as dúvidas são ilimitadas no momento…
    Ela chora muito para mamar, quero ver se não desisto de dar o peito, mas é uma barra muito grande, pois não tenho bico e eles estão machucados demais… em outras palavras choramos juntas!!!
    Após ler seus posts antigos, ainda no hospital lembrei disso e fiquei pensando seriamente sobre fazer coisas mais fáceis e menos trabalhosas, para mim o peito é algo muito difícil mas diante de tantos benefícios estou tentando segurar.

    Bjs
    Adriana

    • Nivea Sorensen

      Adriana,
      Tente o máximo que você conseguir, só desista na certeza absoluta que chegou no seu limite e se fizer isso, não se culpe. Esses primeiros dias são muito difíceis, se precisar conversar estou aqui.
      x

  • Celi

    Adorei Nívea! Acho que é exatamente isso… Uma tarefa muito difícil para todas as mães. Encontrar o meio termo, ceder ou simplesmente fazer com que haja uma certa frustração. Saber como agir em cada momento não é tão simples assim… Sabe que como educadora, em sala de aula, sempre questionei muitas mães e achei muitas vezes que era fácil educar. Hoje com os meus três filhos vejo que não é tão simples assim…. Três filhos em fases totalmente diferentes.
    Tem dia que me descabelo, grito, saiu de perto…. são inúmeras as atitudes. Mas acho que essa é a melhor virtude que podemos ter: ajudá-los a compreender ou ao menos fazer o que é necessário no momento. Ora ceder, ora abraçar, ora explicar e assim a vida segue… Não é mesmo!? Parabéns pela paciência e por esse post tão bacana. Tenho certeza que favoreceu um monte de pensamentos em todas nós.
    Beijo grande para vc e outro para o E.

  • Liza

    E eu só adquirindo conhecimento 😉
    Vi um programa da super nanny que ela botou um menininho nos eixos só dando opções. Adorei esse método.

    Fico muito feliz que as coisas estão melhorando pra ti., Nivea. xx

  • Bruna Dalfré

    Que bom que as coisas estão caminhando bem!
    A minha pequena está com 1 ano e 1 mês, aquela fase que não para e a palavra que eu mais falo durante o dia todo é NÃO: Não pode mexer ai, não tire isso do lugar, não puxe a toalha da mesa, não, não….É assim mesmo?
    Eu também não dou palmada, converso com muita paciência, explico, mas parece que tem hora que não adianta,ela vai la e faz de novo e de novo………É desse jeito mesmo?
    Tem dias que são ótimos, outros nem tanto!E tem alguns ainda em que parto para o grito também, mas particularmente odeio gritar!
    Haja paciência Nívea!
    Beijoss

    • Nivea Sorensen

      Bruna,
      Nessa idade eles ainda não entendem mesmo, mas precisam ouvir o “não”. É assim mesmo, viu?
      x

  • Luciana

    Oi Nivea,

    como vc pode imaginar, essas cenas de birra e choro podem acontecer por aqui tbem. Alem da negociação, o q eu tento fazer (nem sempre dá, claro) pra evitar tanto choro é:

    – Não falar a palavra “chave” e q vai desencadear o stress – Por exemplo. Ele toma banho, janta e toma mamadeira vendo um DVD. Se eu falar q chegou a hora de dormir, ele não vai querer. Então eu começo a perguntar q livro vamos ler naquela noite, vou com ele escolher, enrolo na escolha do livro (q é o q fazemos antes de dormir) e ele deixa o DVD sem drama. Ai, qdo ele escolhe o livro eu falo “Ah, mas antes, temos q escovar os dentes rapidinho… O Uri quer a escova azul ou a vermelha?” … E assim vai… ja conhecendo o drama, fica mais facil administrar.

    Outra coisa é mudar de assunto. Por exemplo, hoje de manhã ele pediu cereal e pão e eu dei. Ai resolveu q queria cottage, eu disse q tinha primeiro q terminar o q tinha no prato.. começou a ranhetar, eu já perguntei se ontem ele tinha falado com a vovó no telefone, o q ela falou, bla bla bla e pronto, esqueceu o cottage. Nem sempre rola, ainda mais se o choro vier com força, mas às vezes dá..

    E vamos q vamos..

    Beijão!

  • Luciana

    Ah, outra coisa (q é meio relacionada) é evitar falar não (viva a arte de embromar o filho). Por exemplo, tá mexendo onde não deve, ao inves de mandar parar (pq ai ele mexe só de birra), eu ofereço outra coisa q eu sei q ele gosta.

    E outra ainda é rir da situação “Quero comer pão no sofá”… “Mas Uri, imagina a bagunça, vai cair tudo, o Avi (o gato) vai comer, no no no, não pode, Avi, não pode comer o pao do Uri!! O pão é do Uri, não é teu”. Ai ela já riu, já ta dando “bronca” no gato e a mãe tá feliz por não ser filmada nesses momentos de pouco glamour!

  • ka smith

    Instintivamente eu já usava essa técnica desde o Breno, sempre dei escolhas e me lembro da minha mãe na minha cabeça falando “ você por um acaso acho que criança pode decidir alguma coisa, sozinha?”
    Sim, acho que sim! ha ha ha e tem dado certo…acho que a Chloe seria beeeem pior se não fosse a minha atitude perante o comportamento dela….

    Um beijo

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