Pretensões e Desabafos

Até quando?

Savita Halappanavar, uma dentista indiana de 27 anos, grávida de 17 semanas, tinha acabado de celebrar seu chá-de-bebe quando foi hospitalizada com dores nas costas num hospital em Galway, aqui na Irlanda.

Os médicos que a examinaram disseram que nada poderia ser feito para salvar seu bebê e que ela sofreria um aborto espontâneo dentro de algumas horas.

As horas viraram dias enquanto ela agonizava de dor e do sofrimento por ter perdido um fillho que ela nunca pegaria nos braços. Savita pediu então por um aborto, já que o bebê não tinha nenhuma chance de sobrevivência. Pediu que os médicos intervissem e acabassem de vez com tanta dor.

Acontece que a Irlanda é um país católico, o médico a informou. Enquanto houvesse batimentos cardiacos no feto, nada podeira ser feito. Savita argumentou em vão que não era nem Católica, nem irlandesa e que muito menos estava negando ao filho a chance de viver.

Alguns dias depois os batimentos cardíacos cessaram e o feto foi retirado.

Savita morreu de infeção sangüínea três dias depois.

Onde estava Deus nessa hora?

N.

PS. Antes de gerar furor religioso por aí melhor deixar claro que a minha pergunta é irônica.

32 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

Previous Post
November 19, 2012
Next Post
November 19, 2012

32 Comments

  • Dai

    Nossa, me arrepiei e tenho lágrimas nos olhos agora. Ontem vi uma reportagem no jornal mas não parei para ler. Nem sei o que dizer.

  • Mi

    Deus esta lá onde sempre esteve, mas se a gente vira as costas pra ele e decide seguir regras bobas da igreja, a culpa é nossa. Que revoltante essa notícia. Dificil acreditar que estamos em 2012 e pessoas morrem como na idade média, nao por falta de atendimento, mas sim por falta de lógica. bjs!

    • Mari

      Adorei isso que você disse! Não é culpa de Deus que os homens sempre escolhem a pior interpretação pro que Ele ensinou.

    • Mari

      Ni,
      Vamos concordar que o sistema de saúde irlandês (e britânico também) é meio falho, né? Uns amigos meus voltaram pro Brasil com cada história cabeluda…
      Uma amiga foi ao ginecologista em Dublin porque sempre teve problema de infecção urinária. Tomou remédios e a vida seguiu, 1 mês depois de voltar pra casa foi parar no hospital e lá mesmo teve neném, sem nem sonhar que estava grávida! Segundo os médicos daqui, o bebê só nasceu prematuro por causa dos remédios que ela tomou aí.
      Eu sei que isso poderia ter acontecido em qualquer lugar, mas é muita coincidência saber de tantas “escorregadas” médicas num mesmo país.

      • Nivea Sorensen

        Mari,
        Esse é outro problema. Acontece que essa menina provavelmente nunca viu um ginecologista aqui, deve ter sido só o GP (clinico geral) e eles não podem saber de tudo, né?
        Mas nesse caso não foi nenhum erro médico, não. Simplesmente um médico seguindo a lei (que já passou da hora de ser mudada).
        x

    • Carla Fiore

      Pena que não tem como dar like no comentário 🙂

    • Nivea Sorensen

      Disse tudo , Mi x

  • Camila

    É muito triste ler notícias desse tipo. Às vezes realmente não entendo os médicos, pois trabalham para a vida, ok. Mas falta humanismo. E olha que esse é um tema discutido exaustivamente na faculdade, pois não entendemos o comportamento da ética médica.

    Aqui também vemos casos absurdos e lutamos até conseguir que o aborto para fetos anencéfalos fosse liberado, mas creio que ainda há uma burocracia para isso. E quem sofre é a mãe, que carrega esse ser.
    Por isso o suporte psicológico é importante.

    É lamentável ver que ainda passamos por essas situações.

    • Nivea Sorensen

      Camila.
      Não sei se a culpa é toda do médico, ele só seguiu o que a lei diz. Claro que ele poderia ter ignorado, mas enfim, isso poderia trazer outras complicações para ele…
      x

  • Camila Guerrero

    Triste…

    Uma amiga minha passou por algo parecido no Brasil. Ela comecou a sofrer um aborto espontaneo, e quando foi ao hospital pedir ajuda, mandaram ela de volta pra casa… a medica ainda teve coragem de dizer que nao ia ajudar, pq desconfiava q tinha sido um aborto provocado 🙁

    Mandou ela de volta mesmo com dores, sem se importar se algo pior viesse a acontecer… E ela tb teve que sofrer por dias ate que tudo terminasse…. Uma pessoa dessas merecia ter o diploma cassado!

    • Nivea Sorensen

      Triste mesmo, Camila. Muito triste.
      Ainda que tivesse sido um aborto provocado por que ela não teria direito à atendimento?
      x

  • Dani Brito

    Triste isso. Quando convicção religiosa está acima das evidências médicas e da vida de uma mulher.

    Vi essa notícia numa página feminista e não consegui acreditar no que havia lido.

    Uma pena.
    E é só mais uma.
    Refaço sua pergunta: até quando?

  • Daniela

    Nossa, muito triste…. muito triste quando colocam regras religiosas acima das regras humanas, do que sentimos, do que sabemos. Se é lógico (e sabido) que poderia ser feito algo para ajudar alguém, por que não?
    Triste…
    Eu acho que é a mesma ignorância usada (desculpe se vou ferir alguém, não é minha intenção) quando a transfusão de sangue não é permitida e a pessoa morre, por convicções religiosas. Normalmente, a pessoa em si nem pode opinar, quem nega o direito à vida é o cônjuge ou os pais. E isso é triste, muito triste.

    Estamos quase em 2013 e ainda somos obrigados a ler notícias desse tipo…

  • Carolina Meneses

    Triste e revoltante. Será que um médico desses não fica com a consciência pesada? Ou isso já é comum? Será que nós é que estamos erradas? Os nossos princípios que são equivocados?

    • Nivea Sorensen

      Eu fico revoltada, também, Carolina. Tanta dor que podia ser evitada.
      x

  • andreia

    Arrepiante, a unica coisa que tenho a dizer.

  • Maria Heloisa

    Triste e revoltante D+
    =(

  • Priscila

    Mas fizeram uma manifestação no sábado por causa desse fatídico fato e quarta feira terá outra. Os cidadãos irlandeses estão furiosos por conta dessa morte. E no mais, eles alegam que o governo sabe que todo ano milhares de irlandesas vão para países europeus em que os abortos são legais. Então, porque não mudar a lei (para casos específicos de risco de morte)?

    • Nivea Sorensen

      Fizeram, sim, Priscila, mas ainda acho que a Irlanda está longe de chegar a um acordo sobre isso.
      x

  • Cintia

    Eu adoro uma polemica… (nao gostei da historia, claro, uma tragedia!) mas to adorando ler os comentarios do povo. Sou pro-choice e sempre vou ser. E vim de berco mais catolico que a Biblia.

  • Fernanda

    violencia contra a mulher.
    É isso que a Irlanda faz enquanto näo aprova o aborto. E todos os países que pensam o mesmo. Säo atrasados e demonstram isso quando protegem um feto em detrimento da vida de uma mulher. A vida dela näo vale tanto.
    Mais um motivo para amar a Suécia. Aqui vc nem precisa morar na Suécia para ter direito ao aborto no hospital. Muitas mulheres vem de países vizinhos fazer aqui o procedimento. E se a menina for menor, näo precisa chamar os pais.

  • Ana Carolina

    Nossa, que post profundo. Eu sou contra o aborto, mas completamente a favor da legalização do mesmo. Ainda mais quando a mãe corre risco! Existem casos e casos e o bom senso sempre deveria predominar, pena que nunca é assim e a maioria só vê os extremos.

Leave a Reply

Related Posts