Pode?

Posso, né? Faz tempo que eu não venho aqui reclamar da vida ou das minhas bellyaches. Então que se você não tiver com saco volte amanhã que eu pretendo ter parado com o mimimi e voltado a programação diária de bobagens.

Por hoje o que tem é mimimi mesmo….

Desde que começou a caminhar para valer há mais de uma semana meu filho virou o bebê de Rosemary (pouco menos conhecido como o filho do diabo). A rotina que dava tão certo para a gente foi para o espaço, não reconheço mais os horários das sonecas dele que agora são sempre precedidas de in-fi-ni-tos minutos de choros e gritos. Se eu desisto de tentar fazer com que ele durma aí é pior ainda, ele se agarra as minhas pernas chorando e esfregando os olhos e não quer nem brincar, nem fazer mais nada. Se tiver muito cansado não come. Se não come acorda às 5 da manhã aos berros pedindo por uma mamadeira.

Se eu programo um passeio ou um playgroup ele resolve dormir. Se eu acho que ele vai dormir e fico em casa ele não dorme. A sensação é de que eu nunca sei o que fazer.

A diversão agora é atirar os brinquedos longe e correr, correr cair chorar, correr bater a cabeça chorar, correr e procurar encrenca. Ele tenta subir nos móveis ou abrir gavetas e armários que estão trancados e se frustra quando não consegue. Sentar e brincar quietinho? Nem pensar.

Trocar fralda deixou de ser só um trabalhão para virar tarefa praticamente impossível. Juro para você que ultimamente tenho feito as trocas de fraldas sujas de xixi com ele em pé mesmo. Isso depois de quase ter surtado outro dia ao tentar trocá-lo no trocador. Era tanto choro, tantas lágrimas, tantos gritos e um bebê inteiro retorcido e duro (parecia possuído) que assim que eu terminei pus ele no berço (ainda aos prantos e roxo de tanto nervoso) e fui no hall do prédio contar até 10 para não gritar com ele. Chorei de raiva, de frustração, de cansaço.

A casa que já andava bagunçada pela presença dele (o que é normal para uma casa com crianças) virou território de ninguém. Ele não me deixa mais recolher as coisas, ou quando consigo ele é mais rápido em desarrumar. TUDO vai ao chão em segundos.

A paciência que era pouca agora é nula, ele não quer brincar e o negócio é andar para baixo e para cima grudado nas minhas pernas. Não consigo mais comer sem ele pendurado, não vou ao banheiro sem que ele fique chorando na porta.

O pior de tudo é depois das 5 da tarde quando ele normalmente está exausto. Nada está bom, ele não quer brincar com nada, não quer ver TV e, num horário em que eu normalmente tenho que começar a fazer o jantar, ele se pendura em mim e chora. Não adianta eu parar o que estou fazendo e brincar com ele que não funciona.

Sair de casa nessas horas é ainda pior, E. odeia o carrinho (e o carro também) e a choradeira só aumenta.

Então que não tem um dia em que eu não termine aos prantos. Já tive dias melhores, não vou mentir. Mas ó, tenho fé que isso passa…

Precisava escrever, viu? Se você chegou até aqui, obrigada por ouvir.

N.