Pretensões e Desabafos

Desabafo

Eu já devo ter escrito isso aqui, mais de uma vez aliás, mas para quem ainda não sabe: eu nunca quis ser mãe. Ou melhor, não queria até poucos meses antes de engravidar.

Não tenho medo de deixar isso registrado, ou de um dia meu filho saber. Ele foi planejado e querido, apesar de ligeiro (engravidei em 14 dias), mas a verdade é que ao contrário de muitas outras mulheres, eu não sonhei com um filho a vida toda, eu não achava que isso era para mim, não era o que eu queria para minha vida.

Nada disso muda o fato de que eu o amo. Amo muito. Amo mais do que qualquer outra coisa nessa vida ou em qualquer outra que eu possa ter vivido. Amo de um jeito que não dá para explicar. De um jeito que não dá para imaginar o meu mundo sem ele. De um jeito que quase dói. De um jeito que dá saudade quando ele dorme. De um jeito que faz o coração quase desmanchar quando ele sorri para mim. De um jeito que faria com que eu sentisse toda a dor do mundo para que ele não sofresse. Do jeito que só as mães são capazes de amar.

Mas nem todo o amor do mundo faz com que eu não me sinta sufocada às vezes.

Sinto, e vou mentir para quê? Vou enganar quem?

Hein?

N.

PS. Esse assunto é tabu na blogsfera materna ou eu sou uma mãe monstra?

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38 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

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42 Comments

  • Ingrid Gomes

    Eu entendo e respeito muito as mulheres que não querem ser mães, mulheres que planejam ter filhos mais tarde, mulheres que acreditam que a maternidade não está em primeiro plano, que querem viajar o mundo ou a estabilidade profissional e financeira antes de qualquer outra coisa, eu fui assim, eu queria viajar, aproveitar, viver muito antes de ter um filho, bom, na verdade eu não pensava muito em ter filho, mas quando alguém me perguntava eu dizia que só depois de “conhecer o mundo!”, parece que Pok me ouviu e depois de viajar por 24 paises, morar em 5, e finalmente encontrar um companheiro bacana na primeira descuidada ele veio pra transbordar minha vida que já estava completa hahaha.

    Eu não acredito que toda mulher nasceu pra ser mãe e muito menos que ter filho é a chave da felicidade, a garantia de um futuro completo (como muita gente acredita, e é uma idiotice sem fim).

    Esse assunto é sim um tabú e vc não é monstra não hahahha, você apenas tem conciencia de que o mundo não é tão cor de rosa como umas e outras pintam! =)

    Beijocas

    • Nivea Sorensen

      Ah Ingrid… Acho difícil às vezes, viu?
      Beijos e obrigada por compartilhar.

      • Ingrid Gomes

        Dificil é, mas tolo aquele que acredita que na vida tudo é muito lindo e muito fácil, já vi muitas pintando assim nos blogs por ai, mas é ruim de acreditar ahhahah na real, acredito no inverso quanto mais colorido se pinta mais preto e branco a coisa é na vida real!

        Obrigada você por dividir mais essa particularidade conosco e mostrar que tá no mesmo barco que muitas de nós, inclusive eu, essa semana mesmo tá complicado com o mocinho aqui ahha.

        Beijocas

  • Vivian

    Nivs, vou falar pra minha mae ler isso e deixar um comentário.
    Vc não vai se sentir sozinha no mundo! rs
    =)

  • Cintia

    Ah, o bom e velho sufoco. Eu sinto o mesmo sufoco de vez em quando. As vezes ainda imagino a vida atual sem a Sofia, como ela seria? Quando coloco tudo na balanca, eu nao ficaria sem ela nem por 1 segundo. Mas que eu gostaria de poder olhar as lojas do shopping sem me preocupar em alimentar e troca-la… pode ler meu Kindle na hora do almoco, dormir a noite toda… ah sim, e como!

  • Carla

    E tem mãe que NÃO se sente assim? Acho que só aquelas de filme americano da década de 50, e olha lá. Tem dia que falo mesmo pro marido: “Vem cá, vocês não querem dar uma voltinha não?” hehe

  • Daniela

    Nivs, eu te entendo. E acho q é tabu. Parece q se vc nao escrever ou deixar claro, assim como vc deixou, q ama MUITO seu filho, mas q às vezes, esta cansada….vc é uma monstra. Ja escrevi diversos textos assim nos papéis da minha memória, mas meu super ego nao permite vir a tona. Acho q talvez a Internet não seja o melhor local para entrar nesses detalhes e sim um bate papo entre mães num café, num pub..

    bjoss

    • Nivea Sorensen

      Dani,
      Te entendo, mas eu escrevo um diário, se eu não falasse como me sinto não estaria sendo honesta, sabe?
      um grande beijo

  • Aninha

    Acho que toda mãe passa por esses momentos de sufoco. O que acontece é que, quase nenhuma, tem coragem de admitir. Por mais que ter filhos seja lindo, não é perfeito, como nada na vida. E bate o medo, e tem os sustos, o cansaço e tudo mais….E, qualquer pessoa normal, se sente sufocada com tanta responsabilidade 😉

  • Paula

    EU nao sei se é tabu nao, mas o que posso te dizer é que me senti e me sinto assim inumeras vezes ao dia, semana, ano, etc. DOmingo mesmo eu reclamaca com o marido que eu sinto falta de poder fazer o que quero na hora que quero sabe, sem ter que planejar 50 mil coisas e esperar pela boa vontade do bebe dormir ou dos astros se alinharem para que eu possa sei lá, pintar as unhas. Enfim, saiba que eu pelo menos me sinto assim e nem por isso amo menos o meu pequeno. Deveriamos fazer um conference call coletivo no skype pra falar sobre isso. O q acha da ideia?

    • Nivea Sorensen

      Ai Paula, tem hora que tudo o que eu queria era 10 minutos de silêncio ou poder pintar as unhas. haha
      Beijos

  • Jamile

    Ainda não sou mãe mas percebo que as pessoas no geral, tem o instinto de mostrar só o lado bom da coisa e não acho que o fato de ser sincera diminui o seu amor ou te faz ‘monstra’, já não foi dito a dor e a delícia de ser, ou coisa parecida, rs. Abraço, um bem apertado nesse lindão

  • Thaísy

    É completamente normal nos sentirmos assim, visto que nos cobram sempre a perfeição, o sorriso nos lábios, a mãe perfeita. Mas esta não existe, o que existe é essa mãe que nós somos, que precisa de ficar um pouco sozinha, que se cansa, que reclama, que chora, se deprime. Cada uma com sua carga, cada uma com suas limitações. O fato é que desejando ou não, planejando ou não, os filhos vieram e eles sim querem muito de nós, fisica, afetivo e emocionalmente. Quando você estiver assim, peça ajuda do seu marido, sei que ele já fica com o Erik algumas noites para você descansar, mas pode ser que só esse tempinho não seja o suficiente, pois todas as outras horas vc se dedica a E integralmente. Tente fazer algo que realmente te dê prazer, algo só seu, escrever aqui no blog já vai te ajudar… Você é muito corajosa em assumir isso, não é fracasso, falha, é Coragem Nivea! Não fantasiar a realidade é uma forma linda de viver!

    estou on line todas as tardes, se quiser bater um papo depois!
    Um abraço forte!

    • Nivea Sorensen

      Obrigada, Thaisy. Me adicione no skype, acho que não deve ser dificil de me achar.
      Um beijo

  • Maria Heloisa

    Eu acho que toda mãe já passou e passa por esse momento, eu mesma as vezes penso assim e fico até me culpando mais prefiro pensa que Deus fez o que foi melhor para mim e minha familia e que no final tudo estará certo e ainda estarei dando gargalhadas de ontem.
    beijinhos chegando, agora no seu cantinho mais desde já amando tudo e vou acompanhar com calma assim que meu pequeno me de um pouco mais de espaço.
    bjs e que Deus os abençoe sempre. ♥

  • Beta

    Mais uma mãe indigna (porém sincera) nessa blogosfera de Deus. Seja bem-vinda e nao se acanhe, você estah longe de estar sozinha.
    Beijo!

  • Cris

    Relaxa… vc não esta só nesta vida… Amo o Biel antes de mim e qualquer pessoa… mas as vezes gostaria de ter um botão mágico para pará-lo, desligá-lo ou que simplesmente o fizesse dormir em alguns horários específicos!!!!

    Já que estas tecnologias não existem e não fazem parte das nossas vidas e das vidas dos nosso filhos temos que tentar manter a calma e vivendo um dia de cada vez…

    Hoje antes de surtar horrores (como já fiz muito num passado NADA distante), procuro pensar que ele esta crescendo a rápido e essa coisa de ele ficar MUITO grudado em mim vai diminuir aos poucos e um dia quase não existirá mais!!!

    Sei exatamente o que tá pensando e passando viu… mas força na peruca que “nóis” chega lá… rsssssss

    BJOUXXX nos 3.

    • Nivea Sorensen

      Oi Cris,
      Ele nem é muito grudado em mim, não. Mesmo assim…
      Obrigada e um beijo

  • Ananda Etges

    Idem. Sinto falta de pequenas coisas, como olhar um filme, um seriado, sair para jantar a dois.

    Beijos, Ananda.

  • Ana Maria

    Vc é uma super mãe e acho que é mais do que normal se sentir assim as vezes….
    beijos

  • Nivia F.

    Olá, xará!!

    Eu também sinto tudo isso que vc relatou, uma mor que chega dói, né? Eu penso muuito nisso também, como seria minha vida se minha filha não tivesse chegado?? Ainda mais que foi numa das piores fases da minha vida, fase em que eu não tinha mais sentido na vida… Daí ela chegou e mudou tudo. Também sinto falta de um montão de coisas. Mas o pior do que ser mãe e ter que estar sempre à disposição do filho, ter q abrir mão de um monte de coisas que antes nos dava prazer, é ser mãe solteira. Com o pai ausente, tudo fica duplamente difícil e há quem diga que ser mãe solteira é bom, mas eu ainda não consigo concordar, porque existem momentos em que o apoio masculino é fortalecedor. Mas claro, na falta do marido, a gente corre pro travesseiro, né? E vamos levando.
    Basta minha filha sorrir, se ela tiver sorrindo, tudo pra mim fica colorido!

    Meu blog conta a minha trajetória como mãe solteira e o intuito dele é compartilhar com outras mães.

    http://mae-solo.blogspot.com/

    Beijos e sucesso!

    • Nivea Sorensen

      Nivia,
      Obrigada pela visita e pelo comentário. Eu não tenho dúvidas que ser mãe em carreira solo deve ser mesmo muito mais difícil. Se bem que tá cheio de pai por aí que só atrapalha, né?
      Beijos

  • Maria Clara Machado

    Bom, Nivea, eu traduzo mais ou menos assim o que eu acho que você disse e o que eu vivo todo dia: quando João está acordado, peço pelamordedeus pra ele dormir só um pouquinho. Quando ele finalmente dorme, checo de cinco em cinco minutos se ele está mesmo respirando. Se dorme muito, acho que tem algum problema seríssimo e vou logo acordá-lo. Ele acorda e tudo recomeça.

  • Isabela Kanupp

    Eu nunca quis ser mãe, ser mãe para mim era como ” se nada der certo eu engravido”, uma coisa bem produção independente mesmo, em busca de um sentido para a vida que eu levava.
    Nunca planejei nome de filhos a cada namorico mais sério, como via minhas amigas fazer, nem arriscava pegar bebês alheios no colo, ou mil perguntas para as pobres mães.
    Porém aconteceu, bem antes do previsto, depois de 7 meses de juntada com o meu namorido. E foi a coisa mais louca que aconteceu comigo.
    Acredito que para nós, que não planejamos, o tempo de adaptação da nova realidade demore mais um pouco do que nas demais mães. Não é menos amor, é um amor incondicional. Mas as vezes achamos que não levamos jeito pra coisa, que aquilo realmente não era pra gente. Calma que passa.

    ENfim. no fim sempre da certo.

    Beijos

  • Carine

    Querida Nivea, nos blogs franceses eu ja vi muito mãe fazendo humor das vezes que elas se sentiram “monstras e por quase jogar o filho pela janela”. O amor que sentimos por nossos filhos não tem nada a ver com nossos momentos de exaustão e cansaço. Você tem toda a razão de compartilhar esta emoção. Eu as vezes (literalmente) fujo de casa para não partir para gritaria. As vezes chove ou ta frio demais para fujir hahaha, ai ja viu! Hoje em dia sofremos de isolamento, viver longe de mãe, avos, tias, vizinhas que poderiam nos ajudar a criar nossos filhos, hoje não existe mais. Eu tenho certeza que geneticamente estamos impregnadas desta cooperação comunal que exitia ainda ha poucos anos atras. No mundo contemporâneo, não tivemos tempo de se adaptar e se virar sozinhas, leia criar filhos. Eu sofro muito de não poder largar uma tarde inteira minhas crianças na casa de alguém sem que este alguém me peça uma recompensa ou tenha que marcar hora dias antes! Eu vi uma palestra sobre isto a pouco tempo, e na maioria dos lugares do planeta as mães não cuidam sozinhas de seus filhos, somente no mundo ultra-ocidental.
    Então monstrinha, bem vindo ao clube da mãenstros rs!
    beijo grande 🙂

    • Nivea Sorensen

      Oi Carine,
      Acho que eu sinto falta disso também, alguém por perto no caso de eu precisar dar uma escapada, sabe?
      Beijos

  • Miriam

    Eu acredito que voce ame bastante o seu filho apesar de nao ter querido ser mae numa certa fase da vida. Afinal acho que toda agente em certa fase da vida pretende certas coisas .Uns filhos, outros viagens. Por ai diante…Eu sempre quis ser mae e agora que me tornei tanbem a certas coisas que nao sei lidar…como o engordar e verme de barriga, tem dias que nao gosto… nem gosto quando me visto…etc …e amo na msma o meu filho… nao e por isso que nao o amo e e’ o que mais quero na vida e sempre quis.
    Beijo

  • Adriana Engelmeyer Bouzan

    Não te acho monstra não….do mesmo jeito que amo muitas vezes dá uma vontade de correr e fugir…..tipo…fazer muitas vezes o que quero e na hora que quero…….eu vivo em função dele….somente dele……e isso cansa…..e como cansa…..mas isso não impede de ama-lo cada vez mais……e decididamente…..mãe sofre….e padece no paraíso ……..

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