Gravidez Pretensões e Desabafos

A síndrome do caracol

Toda vez que eu vejo uma mulher na rua (ou em qualquer lugar) com uma dessas micro bolsas, ou pior, sem bolsa nenhuma, eu não consigo deixar de me perguntar “como, meu Deus? Como?”

Eu não consigo ir até a esquina comprar leite sem levar a bolsa (que nunca é pequena). Para ir trabalhar então, a bolsa não dá conta e sempre tenho além dela, uma do tipo sacola. Quando carrego o laptop, some aí mais uma bolsa. E se acabo comprando algo na hora do almoço, aí já viu: volto pra casa parecendo uma sacoleira saída diretamente do brás, em São Paulo.

Viajar é sempre um drama. Ryanair? Nem pensar. A não ser que eu pague para despachar uma mala, além da de mão. E mesmo assim, nunca estou contente com o limite, o que resulta em choro na hora de escolher o que levar.

Por isso mesmo que há meses estou preocupada com a minha mala da maternidade. Se bobear o medo que eu tenho de precisar de alguma coisa e não tê-la disponível é maior do que a do parto em si.

Já fiz coleção de listas: a que me deram no curso pré-parto, as que tirei das revistas especializadas, dos catálogos de lojas de maternidade, de sites da internet, dos aplicativos do telefone. Cruzei referências, adicionei, exclui, fiz minhas próprias escolhas, criei uma lista particular. Fiz as malas e teoricamente deveria esquecer o assunto. Mas ao contrário, estou constantemente preocupada de ter esquecido alguma coisa. Preocupação sem fim.

Já ia entrar no mesmo processo enlouquecedor de fazer a mala do babóg. Me preparei psicologicamente para passar esse final de semana estressadando com o assunto.  E foi aí que caí no blog de M. e li o texto que ela publicou (que não é de autoria dela) sobre malas. Aliás, depois ela publicou o nome do autor e mencionou que muita gente teria um certo preconceito. Eu assumo, nunca ouvi falar nele mas nem procurei saber quem é, porque não importa.

O fato é que me vi ali. Com um medo obsessivo do necessitar. E deixando que o medo me impeça de aproveitar as coisas legais, seja de uma viagem à praia, à outro país, ou até à maternidade.

Em se tratando da maternidade, pior ainda. Moro há 10 minutos dela. Precisando de alguma coisa I. sempre pode voltar e pegar. Ou sair para comprar. Ou ligar para alguém trazer.

Desde então parece que tirei o mundo das costas.  Cheguei a conclusão de que o que eu vou levar para a maternidade não tem a menor importância comparado ao que eu vou trazer para casa. E agora é só nisso que eu penso. Nisso, e na maxi-bolsa que vou me dar de presente no próximo fim -de-semana, dia das mães na Irlanda.

N.

7 Comments

39 anos; brasileira que mora na Irlanda; mãe de um filhote de irlandês do cabelo vermelho e muito fogo na bunda, de uma pimentinha de olhos grandes e curiosos e de uma caçulinha que é só sorrisos.

Previous Post
March 27, 2011
Next Post
March 27, 2011

7 Comments

  • Daniela

    Nivea, essa preocupaçao com a mala é a ocupaçao da mulher gravida quando esta perto de dar a luz!

    Mas vc disse tudo, o que vais levar nao se compara ao q vais trazer de la. O coisa boa, nenezinho fofo com cheirinho de leite. 🙂

    bjinho e nighty night!

  • Ananda Etges

    Tem que cuidar pra não levar tanta coisa e esquecer o bebê na volta pra casa hehe!

    Minhas malaS também ficaram imensas! Detalhe: também moro super perto do hospital, pra ser exata 2 quarteirões de distância.

    Mas já mexi e remexi tanto que agora vou deixar assim. Essa semana elas até já devem ir pro carro, pra facilitar na hora da correria.

    Beijos,

  • Ursula

    Ni, semana passada, pra passar uma noite no hospital, UMA ÚNICA NOITE, levei uma mala tão grande que fiquei com vergonha. Ah, e meu travesseiro foi na mão…vc não é a única!!!

  • Luciana

    Oi Nivea,

    Eu ia falar bem o q vc falou no final do texto – se faltar alguma coisa, teu marido pode pegar depois. Tente pegar o básico, aquilo q não dá pra viver sem mesmo, e deixar outra mala prontinha em casa, com as coisas q “talvez” vc precise. Ai, se for o caso, o marido vai buscar e não corre o risco de pegar alguma coisa errada.

    No meu caso, o quarto do hospital era tão pequeno q logo ficou uma zona com tantas coisas minhas, do Uri, do marido. Chegou uma hora q aquilo começou a me perturbar e eu comecei a mandar o marido trazer coisas pra casa a cada saída dele, pra dar um de-cluster lá.

  • ka smith

    Eu sou o contrário, esqueço tudo, falta tudo, mas prefiro do que levar mala pesada, até para maternidade!
    Relaxa!

  • Mari

    Senti a mesma coisa há algumas semanas. Aliás, vinha sentindo desde quando agendei a viagem, e foi só quando cheguei aqui que percebi que não precisava ter me preocupado tanto… E vc também não precisa. Vai dar tudo certo!
    Um beijo.

  • Mi

    adoro maxi-bolsas mas tento levar o mínimo possível dentro! claro que com o tempo vai acumulando, mas tem dias que só saio com a carteira e as chaves na mão! sou de lua hehe bjs!

Leave a Reply

Related Posts